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Vendas de notebooks e desktops disparam e sobrecarregam fabricantes

Rui Maciel
·4 minuto de leitura

A pandemia da COVID-19 fez com que a demanda por laptops e desktops crescesse a um nível nunca visto desde o lançamento do iPhone em 2007. Com isso, as fabricantes ainda estão a meses de atender aos pedidos pendentes, de acordo com a análise de especialistas e executivos da indústria de hardware.

Segundo analistas do mercado, em declaração à agência Reuters, o home office e a mudança das aulas para o ambiente online mudaram o mercado de PCs durante a pandemia. A venda de smartphones foi afetada e aumentou o interesse por dispositivos maiores, algo que não estava no radar da Apple, bem como das fabricantes de dispositivos Android.

Além disso, as remessas globais anuais de PCs, - que incluem laptops e desktops - chegaram a cerca de 300 milhões em 2008 e, recentemente, caíram para 250 milhões. Mas neste ano, ao contrário de todas as previsões, temos um ressurgimento do setor. Alguns analistas esperam que 2020 feche em cerca de 300 milhões de remessas de PCs, um aumento de cerca de 15% em relação ao ano anterior. E Os tablets estão crescendo ainda mais rápido.

“Toda a cadeia de suprimentos está sobrecarregada como nunca”, disse Gregg Prendergast, presidente de operações da região Pan-Americana da fabricante de hardware Acer.

Os pedidos online da Dell aumentaram 62% no terceiro trimestre em comparação com o ano passado. Durante a Black Friday, as equipes de venda, que normalmente tocariam os sinos na sede da empresa no Texas para comemorar os bons números, se reuniram - como muitas outras pessoas em 2020 - por meio do Zoom, nos PCs suas casas, para celebrar o desempenho acima da média.

Aumento per capita de PCs

Segundo a consultoria de pesquisas Canalys, até o final de 2021, a base instalada de PCs e tablets chegará a 1,77 bilhão de unidades, ante 1,64 bilhão em 2019. O coronavírus pressionou as famílias a expandir de um PC para a casa a um para cada aluno, gamer ou profissional que é obrigado a trabalhar sob o regime de home office.

Para atender à demanda repentina, os maiores fornecedores de PCs do mercado tiveram de recorrer a novos fornecedores, além de acelerar o envio das unidades e lançar mais modelos de notes e desktops já em 2021. No entanto, o movimento não bastou para suprir a demanda.

No caso dos notebooks vendidos para o setor de educação, Prendergast disse que a Acer tem absorvido o custo do transporte, abandonando barcos e trens para cortar um mês de frete. Mesmo assim, com as linhas de montagem a pleno vapor, alguns clientes precisam esperar até quatro meses para receber as remessas.

Isso porque componentes como telas e processadores são difíceis de obter de última hora, mesmo com muitos fornecedores já há muito tempo trabalhando normalmente, sem o risco do coronavírus, disseram analistas. Eles acrescentaram que as previsões de vendas para 2021 seriam ainda mais altas se não fossem os problemas de abastecimento.

Demanda pode aumentar ainda mais

A demanda por PCs aumentou a tal ponto durante 2020 que muitas fabricantes estão "montando o carro com ele em movimento". Um caso bastante emblemático desta situação foi narrada por Ishan Dutt, analista da Canalys, a Reuters. Segundo ele, em abril deste ano, houve um cliente pedindo a um fornecedor que enviasse qualquer dispositivo com teclado, que já seria suficiente, desde que as remessas chegassem em uma semana. "Essa necessidade urgente diminuiu, mas as pessoas agora querem fazer uma atualização, mantendo a pressão sobre a indústria", disse o especialista.

Além disso, segundo Ryan Reith, vice-presidente da empresa de analistas IDC, o dinheiro adicional que virá do pacote de estímulos de governos no começo de 2021, para escolas e empresas em vários países, pode aumentar a demanda até 2022.

Outro ponto é que alguns computadores que chegarão ao mercado nos próximos meses atendem a novas necessidades. Segundo analistas, eles apresentam câmeras e alto-falantes melhores para videoconferências. E outros modelos terão slot para chips de smartphones, permitindo que usuários acessem redes móveis 4G ou 5G, além do Wi-Fi, claro.

Sam Burd, presidente da fabricante de PCs Dell Technologies Inc, disse que, ainda neste mês, teremos dispositivos móveis com software de inteligência artificial para simplificar tarefas como conectar e desligar câmeras.

Fonte: Canaltech

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