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Vendas no varejo recuam 16,8% em abril, aponta IBGE

Bruno Villas Bôas

Foi o pior resultado da série histórica da pesquisa, iniciada em janeiro de 2001 Com o fechamento de parte do comércio para enfrentar a pandemia, o volume de vendas no varejo restrito — que exclui o comércio de automóveis e de materiais de construção — recuou 16,8% em abril, frente a março. Os dados constam da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Foi o pior resultado da série histórica da pesquisa, iniciada em janeiro de 2001.

Tânia Rêgo/Agência Brasil

A queda foi mais intensa do que a mediana das estimativas de consultorias e instituições financeiras ouvidas pelo Valor Data, de 11,7%. O intervalo, porém, era muito amplo, de baixa de 6,4% a recuo de 28%.

Foi o segundo mês consecutivo de impacto da covid-19. Em março, com as primeiras medidas de isolamento social, o setor havia recuado 2,1% frente a fevereiro — dado revisado de queda de 2,5% anteriormente divulgada.

Em abril, a quarentena se estendeu ao longo de todo o mês. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, além de outras capitais do país, decretos mantiveram shoppings e parte do comércio de rua fechados, com operações restritas a serviços de entrega.

De acordo com a pesquisa, o volume de vendas do varejo em abril ficou 16,8% abaixo do apurado no mesmo mês de 2019. Assim, o setor acumulou queda de 3% no ano e alta de 0,7% nos últimos 12 meses.

O IBGE também divulgou que a receita nominal (sem desconto da inflação) do varejo restrito teve queda de 17% de março para abril, pela série ajustada sazonalmente. Ante abril de 2019, a receita nominal cedeu 13,7%.

No varejo ampliado — que inclui veículos e material de construção, além de outros oito segmentos — o recuo foi de 17,5% em abril, perante o mês anterior. Trata-se da maior queda do varejo ampliado desde fevereiro de 2003, início da série histórica.

A mediana das estimativas de analistas de consultorias e instituições financeiras ouvidos pelo Valor Data era de recuo de 21,3% no mês, o primeiro completamente influenciado pelas medidas de isolamento social — em março, o coronavírus afetou a segunda quinzena do mês.

O destaque negativo do varejo ampliado foi a baixa de 36,2% das vendas de veículos de março para abril. Já o volume de vendas de materiais de construção recuaram menos por essa base de comparação, 1,8%.

Perante abril de 2019, o volume de vendas do varejo ampliado cedeu 27,1%, recorde da série histórica. O setor acumula agora queda de 6,9% no ano e alta de 0,8% nos últimos 12 meses.

A receita nominal do varejo ampliado — que não retira a inflação do mês — teve baixa de 16,3% na passagem de março para abril.

Atividades

Os impactos das medidas de isolamento social derrubaram as vendas de todas as dez atividades pesquisadas pelo IBGE no varejo ampliado em abril.

As quedas mais intensas no mês foram registradas pelas atividades de tecidos, vestuário e calçados (-60,6%); livros, jornais, revistas e papelaria (-43,4%); e outros artigos de uso pessoal e doméstico (-29,5%). Este último inclui vendas do comércio eletrônico e de grandes redes de magazine, que vendem de brinquedos a produtos de cama, mesa e banho.

Também recuaram as vendas de material para escritório e informática (-29,5%); móveis e eletrodomésticos (-20,1%); artigos farmacêuticos, médicos, perfumaria (-17%), combustíveis e lubrificantes (-15,1%); hipermercados e supermercados (-11,8%).