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Vendas no mês do Natal caem 6,1% e varejo fecha ano abaixo da expectativa

DIEGO GARCIA
·4 minuto de leitura

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O varejo brasileiro terminou 2020 com crescimento de 1,2% nas vendas, mesmo com o impacto da Covid-19, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quarta-feira (10). O dado, no entanto, veio abaixo da expectativa do mercado, que esperava que o setor encerrasse o ano com alta de 5,5%, segundo analistas ouvidos pela Bloomberg. O crescimento observado também foi o mais fraco nos últimos quatro anos. ​O resultado foi influenciado pela queda de 6,1% em dezembro —mês que tradicionalmente tem alta nas vendas, relacionadas ao Natal. De acordo com o IBGE, o resultado foi influenciado pelos patamares de vendas elevados dos meses anteriores, pela redução do valor do auxílio emergencial e pela inflação elevada dos alimentos. Foi o maior recuo para o mês de toda a série histórica, iniciada em 2000, e o segundo pior quando se leva em consideração todos os meses do ano, ficando atrás apenas de abril de 2020, quando o setor sentiu o maior impacto da pandemia (-17,2% nas vendas). A expectativa de analistas ouvidos pela Bloomberg era de um recuo de apenas 0,7% em dezembro. Com a retração observada em dezembro, o varejo voltou ao mesmo patamar de fevereiro, último mês antes da eclosão da pandemia no Brasil. Cristiano Santos, gerente da pesquisa, afirmou que houve um crescimento acelerado desde abril que levou o setor a bater recordes de vendas. A base comparativa elevada, portanto, explica em parte o tombo de dezembro. Na prática, isso significa que uma empresa média tinha em dezembro o mesmo nível de vendas de fevereiro, diz Santos. O pesquisador afirma ainda que a queda observada em dezembro pode refletir a diminuição do volume de recursos disponíveis às famílias em razão do corte do auxílio emergencial, benefício encerrado em dezembro. Além disso, a inflação elevada dos alimentos também pesou, avalia Santos, uma vez que o comércio em hiper e supermercados tem forte impacto no levantamento feito pelo IBGE. Luana Miranda, do FGV-Ibre, disse que o resultado de dezembro é um sinal ruim para o início de 2021 e fortalece uma visão de que deve ter queda na economia durante o primeiro trimestre. Também creditou a queda de dezembro à antecipação do 13º de aposentados e pensionistas, com redistribuição de renda para outros meses. A economista acrescentou que a retomada ainda vai depender não apenas do retorno do auxílio emergencial, mas também de uma política forte de vacinação. "Deveríamos investir mais na vacina e em extensão do auxilio em valor menor e atingindo um percentual menor da população, restrito a quem mais necessita", disse Miranda. Para ela, o ideal era respeitar o teto de gastos reduzindo despesas obrigatórias, sendo fiscalmente responsável e com contrapartida em outros gastos, além de uma vacinação mais efetiva. Écio Costa, da UFPE, opina que ocorreu uma antecipação do consumo que os brasileiros fariam no fim do ano, por causa do distanciamento social ocorrido durante a pandemia e pela Black Friday de novembro, além de uma piora na situação pandêmica ocorrida em dezembro. "Dezembro teve uma menor circulação de pessoas. Basta olhar os shoppings, que faturaram menos do que o mesmo período no ano anterior. Isso ainda repercute em outros canais de vendas, como comércio de rua e assim por diante", afirmou o professor. Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, avalia que o desempenho ruim do comércio atrapalha as perspectivas de elevação da Selic já em março. Ele diz que o resultado não chega a impactar a projeção anual para o PIB (Produto Interno Bruto) de 2020, ainda em queda de 4,5%, mas faz 2021 começar com um potencial de desempenho menor. João Leal, da Rio Bravo Investimentos, também espera um desempenho fraco da economia para o início do ano, especialmente por não ser possível saber quando um novo auxílio entraria em vigor. "Acertar o timing vai ser difícil, mas esperamos primeiro trimestre bastante fraco, especialmente em janeiro e fevereiro, com varejo fraco, mas também por uma parada que acreditamos de enfraquecimento do mercado de trabalho", analisou. Segundo o IBGE, todos os ramos de atividade tiveram queda em dezembro. Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo caíram 0,3%, outros artigos de uso pessoal e doméstico recuaram 13,8% e tecidos, vestuário e calçados, 13,3%. Também foram observadas quedas em equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-6,8%), móveis e eletrodomésticos (-3,7%), livros, jornais, revistas e papelaria (-2,7%), além de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (-1,6%), combustíveis e lubrificantes (-1,5%). Já o varejo ampliado registrou quedas em veículos, motos, partes e peças (-2,8%) e material de construção (-1,8%) no mês de dezembro. No geral, o volume de vendas recuou 3,7% no mês e 1,5% no acumulado de 2020, após três anos consecutivos de altas