Mercado fechado

Abras reduz previsão de crescimento por incerteza em relação ao coronavírus

Alexandre Melo

Estimativa do setor de supermercados no Brasil para 2020 foi revisada de um avanço de 4,2% para alta de 3,9% A epidemia do novo coronavírus iniciada na China levou a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) a reduzir a previsão de crescimento real das vendas no varejo alimentar neste ano.

João Sanzovo Neto, presidente da Abras, disse que “a incerteza com os efeitos do vírus no Brasil levou o departamento de economia a ser conservador”. A expectativa de crescimento para este ano agora é de 3,9%, ante número anterior de 4,2%.

“Acreditamos que o país, embora ainda de forma gradual, já está com uma economia em recuperação. [É] um número bem significativo para o nosso setor, acima do PIB [Produto Interno Bruto], estimado em torno de 2,3% pelo governo”, disse o presidente.

Incerteza sobre os efeitos do coronavírus levaram a área econômica da Abras a adotar conservadorismo nas projeções

Valor

A associação minimizou o impacto das chuvas sobre os resultados do setor. Segundo o presidente, os problemas registrados em São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo terão "impacto mínimo" nas vendas do primeiro trimestre.

O impacto no abastecimento das lojas em São Paulo após a forte chuva de anteontem é de dois dias. “Não é maior porque as lojas têm um estoque de produtos perecíveis em geladeira. No entanto, o abastecimento de folhagens sente mais [nesta situação]”, comentou o executivo da Abras.

O volume de vendas superou as expectativas do setor em 2019, com crescimento real de 3,62%, descontada a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Para o presidente da Abras, o resultado acima do esperado no ano passado deve ser comemorado. Ele havia dito em dezembro que o setor teve o melhor ano desde 2014 ajudado pela melhora do nível de emprego, aumento da confiança dos empresários e consumidores, além de reação positiva da indústria.

Em dezembro, as vendas reais do setor aumentaram 2,3% ante igual mês de 2018. Na comparação com novembro, a expansão foi de 16,36%, considerando o efeito das vendas natalinas.

No mês, o índice de confiança dos empresários do setor, elaborado em parceria com a empresa de pesquisa GfK, ficou em 63,9 pontos, em uma escala que varia de zero a 100. Em outubro, quando foi divulgado o último indicador, a confiança era de 56,6 pontos.