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Vendas do comércio têm queda de 3,1% em agosto

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*ARQUIVO*  SAO PAULO, SP, 24/11/2020, BRASIL - COMERCIO POPILAR NA REGIAO CENTRAL - 13:59:54 - Vamos mostrar como estão as principais ruas do comercio popular a um mês do Natal em plena pandemia. Geral do comercio da Ladeira Porto Geral, na região central. (Foto: Rivaldo Gomes/Folhapress)
*ARQUIVO* SAO PAULO, SP, 24/11/2020, BRASIL - COMERCIO POPILAR NA REGIAO CENTRAL - 13:59:54 - Vamos mostrar como estão as principais ruas do comercio popular a um mês do Natal em plena pandemia. Geral do comercio da Ladeira Porto Geral, na região central. (Foto: Rivaldo Gomes/Folhapress)

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O volume de vendas do comércio varejista do país caiu 3,1% em agosto, na comparação com julho. É a primeira baixa após quatro taxas positivas consecutivas, mostram dados divulgados nesta quarta-feira (6) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O desempenho ficou abaixo das expectativas do mercado. Analistas consultados pela agência Bloomberg esperavam elevação de 0,6% nas vendas.

Seis das oito atividades pesquisadas tiveram taxas negativas em agosto, com destaque para outros artigos de uso pessoal e doméstico (-16%), que teve a principal influência negativa sobre o indicador do comércio varejista. Essa atividade é composta, por exemplo, pelas grandes lojas de departamento.

"Foi um setor que sofreu bastante no início da pandemia, mas se reinventou com a reformulação das suas estratégias de vendas pela internet. Isso culminou com crescimentos expressivos, principalmente em julho (19,1%) com o lançamento das plataformas de marketplace", afirmou Cristiano Santos, gerente da pesquisa do IBGE.

"Com muitos descontos, o consumidor antecipou o consumo em julho, fazendo com que o mês de agosto registrasse uma queda grande de 16,0%. Esse recuo, contudo, não é suficiente para retirar os ganhos dos quatro meses anteriores", completou.

Frente a agosto de 2020, o varejo teve baixa de 4,1%, indicou o IBGE.

O setor ainda registrou avanço de 5,1% no acumulado do ano, de janeiro a agosto. Em período maior, de 12 meses, houve crescimento de 5%.

Após os impactos iniciais da pandemia, o comércio aposta na reabertura de lojas e no menor nível de restrições a atividades para se recuperar.

A retomada, contudo, é ameaçada pela escalada da inflação e pelo desemprego elevado. Em conjunto, os dois fatores diminuem o poder de compra da população.

A inflação vem ganhando força no país com a pressão de itens como combustíveis e energia elétrica. No acumulado de 12 meses até agosto, dado mais recente à disposição, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) se aproximou de dois dígitos, com alta de 9,68%.

Já o desemprego ainda atingiu 14,1 milhões de brasileiros no trimestre encerrado em julho. À época, a taxa de desocupação foi de 13,7%.

Devido à pressão inflacionária, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) passou a subir a taxa básica de juros, a Selic. Os juros maiores, em um contexto de desemprego acentuado e preços em alta, jogam contra o consumo das famílias.

Antes de apresentar o resultado do comércio, o IBGE divulgou, na terça-feira (5), o desempenho da produção industrial em agosto. Conforme o instituto, a produção das fábricas caiu 0,7% no oitavo mês deste ano. O dado do setor de serviços, por sua vez, será conhecido na próxima semana.

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