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Vendas de ações por diretores da Americanas dispararam no fim de 2022

*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, BRASIL, 17-01-2023: A reportagem da Folha foi até as Lojas Americanas, na rua Direita no centro de São Paulo, para saber como está o clima entre os consumidores diante a crise da rede.  (Foto: Bruno Santos/ Folhapress)
*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, BRASIL, 17-01-2023: A reportagem da Folha foi até as Lojas Americanas, na rua Direita no centro de São Paulo, para saber como está o clima entre os consumidores diante a crise da rede. (Foto: Bruno Santos/ Folhapress)

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Na mira de inquérito na CVM (Comissão de Valores Mobiliário), as operações de vendas de ações por diretores da Americanas se intensificaram no segundo semestre de 2022, mostrando um comportamento diferente do verificado em meses anteriores.

Nesse período, executivos da empresa venderam 14,1 milhões de ações, quase cinco vezes a quantidade negociada entre maio de 2019 e junho de 2022, segundo dados da empresa compilados pela Ferramenta Radar de Insiders, da Plataforma Quantzed.

Essas operações renderam R$ 244,3 milhões em ações, em valores corrigidos pela inflação, um crescimento de 55% em relação a todas as operações registradas entre maio de 2019 e junho de 2022, mesmo que o valor dos papeis tenha caído ao longo do período.

Procurada pela reportagem, a Americanas não comentou o assunto até a publicação deste texto.

A concentração de operações no fim de 2022 é usada pelo mercado para reforçar suspeitas de que o comando da companhia tinha conhecimento da situação financeira que levou ao pedido de recuperação judicial no último dia 19.

O sócio-fundador da Quantzed, Pedro Menin, destaca que esse tipo de operação é comum em empresas que usam ações como parte da política de remuneração variável de seus executivos.

Em setembro, a diretoria da empresa era formada por Miguel Gutierrez (diretor-presidente), Marcio Meirelles, Ana Saicali e Thimóteo Barros. Gutierrez deixou a empresa na virada do ano.

As negociações são informadas pelas próprias empresas à CVM em um documento chamado de formulário de posição consolidada —que não indica, porém, quais diretores foram ao mercado vender papéis.

"O problema é que, no ano passado, numa janela curtinha, justamente num momento em que a diretoria estava anunciando o [ex-presidente] Sergio Rial e algumas outras medidas que elevaram a cotação, se descobriu que estavam vendendo [elevados volumes]", afirma Menin.

"Isso é estranho e precisa ser investigado", continua. "Venderam porque consideram que cumpriram sua missão na empresa ou venderam porque o negócio viria a público e entendiam que não tinha mais para onde ir?"

Na semana passada, a CVM transformou em inquérito um processo administrativo que apura eventual uso de informação privilegiada nessas negociações. Isso significa que as primeiras apurações justificam uma investigação mais aprofundada.

"Os indícios são muito fortes", diz o presidente da Abradin (Associação Brasileira de Investidores), Aurélio Valporto. Ele reforça que Rial, que anunciou as "inconsistências contábeis" na companhia, foi indicado em agosto.

Ele assumiu o cargo na virada do ano e contou que teve conhecimento da situação da companhia após conversas com executivos remanescentes logo ao chegar à empresa. No dia 11, anunciou as inconsistências que deram início à crise.

Valporto diz que a CVM deveria olhar não só as negociações divulgadas pela empresa, mas investigar também operações de venda a descoberto de papéis da companhia por fundos de investimento nos meses que antecederam o anúncio da crise.

"A CVM tem que fazer o trabalho que fez na OGX", afirma, citando a petroleira fundada por Eike Batista, que foi condenado a 11 anos de prisão por uso de informação privilegiada na venda de ações da empresa antes de anúncio sobre fracasso na exploração de petróleo.

Fundador do escritório Miguel Neto Advogados e especialista em governança corporativa, o advogado José Antônio Miguel Neto pondera que investigações sobre uso de informação privilegiada são difíceis e dependem da produção de muitas provas.

"Não é um crime fácil de provar", afirma. "Por isso o número de condenações é muito baixo. Não só aqui no Brasil, lá fora também."

Sem citar especificamente o caso da Americanas, ele ressalta que uma série de restrições à venda de ações por executivos pode justificar a concentração de operações em determinados períodos.

Entre elas estão, por exemplo, limitações impostas pela política de remuneração das empresas, que podem definir tetos para a venda de ações nos primeiros anos após a cessão dos papéis. Em geral, afirma, há mais operações nos vencimentos desses períodos mais restritivos.