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Venda de títulos imobiliários chineses despenca com crise

(Bloomberg) -- A emissão de títulos de crédito imobiliário pelos bancos chineses despencou com a crise no setor, que derrubou uma ferramenta de investimento antes popular e relativamente segura.

As vendas de títulos lastreados por crédito imobiliário residencial caíram 92% até agora este ano, para 24,5 bilhões de yuans (US$ 3,63 bilhões), segundo dados compilados pela cnabs. com, um site que rastreia securitização na China. Não houve emissão desses títulos desde o final de fevereiro, o período de seca mais longo desde 2015.

A queda “reflete o volume fraco de novos financiamentos no primeiro semestre de 2022 e menos necessidade dos bancos de gerenciarem suas carteiras de empréstimos”, de acordo com Jerry Fang, analista da S&P Global Ratings. Ele disse que um aumento nas emissões dependerá de um impulso de novos financiamentos e da postura regulatória de Pequim.

A parada nas vendas de títulos imobiliários este ano mostra os efeitos em cascata de problemas sem precedentes no setor que desencadearam inadimplência recorde de construtoras e riscos maiores para os credores chineses, especialmente agora que os mutuários de imóveis inacabados se uniram e um boicote de prestações. As vendas de imóveis novos caíram 32% no primeiro semestre, segundo dados do governo.

Os títulos de crédito imobiliário foram o produto mais popular nos últimos anos no mercado de securitização da China, com vendas impulsionadas por bancos estatais. Com o boom imobiliário do ano passado, esses títulos atingiram um volume de 1,4 trilhão de yuans, segundo a cnabs.com, e agora somam 1,2 trilhão de yuans.

Os cerca de US$ 300 bilhões em títulos vendidos de 2018 a 2021 tornaram a China o segundo maior mercado do mundo atrás dos EUA, segundo relatório da Fitch. Enquanto em outros mercados os bancos simplesmente reúnem empréstimos e os vendem como títulos, na China esse instrumento não é o principal canal de financiamento para os credores.

“O núcleo dos títulos está em seus fluxos de caixa subjacentes ou ativos subjacentes”, de acordo com Li Han, analista de renda fixa da Citic Securities. Os investidores estão ficando mais cautelosos com esses produtos, disse ele, devido a questões não resolvidas, incluindo extensões de vencimento de títulos das construtoras e outras notícias negativas.

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