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Próximo governo precisa fazer reformas e vender a Petrobras, diz economista

Economia do Brasil deve enfrentar alguns desafios em 2023
Economia do Brasil deve enfrentar alguns desafios em 2023

Na reta final da eleição presidencial alguns analistas questionam como será a política econômica de quem vencer o pleito. Os dois nomes que aparecem bem à frente nas pesquisas, Lula e Bolsonaro, despistaram ou falaram muito pouco sobre como pensam em voltar a fazer o Brasil ter um crescimento sustentável.

Desde a crise de 2015-16, o país vem patinando. No biênio em questão, nossa economia desabou quase 7%. De 2017 a 2019, não conseguimos crescer mais que 1,2%.

Em 2020 tivemos a pandemia de covid-19. Com lockdown, quebra da cadeia de suprimentos etc, a economia brasileira foi atingida, mas não tanto como havia se previsto no início da crise sanitária. Segundo o IBGE, o PIB caiu 4,1%. Alguns analistas estimaram uma depressão de quase 9% nos primeiros meses daquele ano.

Em 2021 houve um movimento de recuperação, mesmo com uma base de comparação muito frágil, que foi o caso do cenário pandêmico. Nosso PIB cresceu 4,6%.

Para este ano, as previsões começaram pessimistas, com avanços tímidos de 0,5%. Alguns recortes bons da economia, como queda do desemprego e um recuo na inflação, fizeram com que analistas ajustassem suas "apostas' para até mais de 2% do PIB para 2022.

O cenário de juros altos (hoje em 13,75%) deve perdurar pelos próximos meses para controlar a inflação. Um dos efeitos disso é o resfriamento da economia como um todo. Por enquanto, 2023 vai se desenhando como um ano de crescimento baixo (na faixa de 1%), como tem sido nosso histórico recente.

Para tentar mostrar alguns caminhos do pós-eleição, o Yahoo Finanças conversou com José Márcio Camargo, economista-chefe da Genial Investimentos e professor na PUC-Rio. Confira:

Na economia, o governo Bolsonaro foi bom em quais pontos? E em quais ele foi mal ou deixou a desejar?

A continuação das reformas iniciadas no governo Temer foi uma das principais realizações do governo Bolsonaro. Tivemos a reforma da previdência social, a autonomia do Banco Central, a nova lei da liberdade econômica, os marcos regulatórios de ferrovias, saneamento, cabotagem, óleo e gás, entre muitas outras reformas. Com isto, a taxa de investimento na economia brasileira aumentou de 15,5% do PIB para 19,3% do PIB entre 2017 e 2021. Foi isto que sustentou o crescimento da economia mesmo após a pandemia e a guerra no leste europeu.

Romper o teto do gasto em 2021 e 2022 gerou aumento do risco fiscal, desvalorização da taxa de câmbio, pressão inflacionária, aumento da taxa de juros e redução do crescimento da economia. Foi ruim, mas justificável, devido aos efeitos da pandemia sobre os grupos mais pobres que estavam desempregados.

Quais os principais desafios econômicos para o próximo presidente?

Manter a trajetória de reformas será fundamental. O país precisa de uma reforma administrativa para aumentar a eficiência do setor público, uma reforma tributária para simplificar o sistema tributária e reduzir as regressividade, privatizar as estatais que ainda sobram, fazer uma nova reforma da previdência criando um sistema de capitalização, entre outras. Somente assim o país manterá a trajetória de crescimento de longo prazo que começou com o governo Temer.

Mesmo com a inflação parecendo que vai perder um pouco o fôlego, as compras básicas do brasileiro continuam muito caras. Teremos os preços de itens como café, leite, carne voltando ao ‘normal’?

Os preços destes bens variam em função da oferta e procura. Tivemos choques de oferta negativos importantes, como secas queda de safras, gargalos nas cadeias produtivas, guerra no leste europeu etc. Isso gerou redução da oferta ao mesmo tempo em que tivemos uma política fiscal expansionista, com o auxílio emergencial, por exemplo. Quando a oferta normalizar, os preços vão normalizar. Não existe surpresas neste comportamento da inflação.

O governo dá sinais de que pode prorrogar a chamada PEC Kamikaze no ano que vem. Existe dinheiro para essa política?

Os sinais são de que o governo deverá manter o valor do Auxílio Brasil em R$ 600 no próximo ano. Isto significa um gasto adicional de R$ 60 bilhões no ano. Vai ter de conseguir uma fonte de recursos para cumprir o teto do gasto e a Lei de Responsabilidade Fiscal. Esta será uma discussão interessante, mas acho que os sinais indicam que deverá manter o valor.

A maioria dos economistas prevê um 2023 muito complicado. Qual sua previsão?

O desemprego deverá continuar caindo até o final de 2022 e deverá ter um aumento no primeiro trimestre de 2023, como sazonalmente acontece. O mercado de trabalho está muito positivo, um resultado da reforma trabalhista aprovada em 2017. Em 2023, devido à política monetária fortemente contracionista, com juros reais bastante elevados para combater a inflação, a geração de postos de trabalho deverá arrefecer um pouco, mas não acredito que o desemprego vai volta aos dois dígitos.

Como deveria ser a política de preços da Petrobras para 2023? Privatizaria a estatal?

Sim, a política de preços da Petrobras deve continuar como está e a empresa deveria ser privatizada pelo próximo governo.

No cenário global, o que imagina para 2023?

Teremos uma desaceleração das economias desenvolvidas, principalmente Europa e Estados Unidos, como efeito da guerra no leste europeu e redução da oferta de gás natural pela Rússia, aumento das taxas de juros para combater a inflação que está acelerando. Vai ser um cenário ainda desafiador com recessão nas principais economias do mundo. A China deverá manter um crescimento baixo em decorrência da política de zero Covid que deverá ser mantida.