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Velocidade da transformação cria novas formas de aprendizado

Colaborador externo
·4 minuto de leitura

Por Juliana Scarpa*

Há anos estamos diante do desafio da alta velocidade da transformação. A inovação deixou de ser um evento esporádico e bate à nossa porta todos os dias. Com os avanços da tecnologia, modelos de negócios são “disruptados” rapidamente e o mundo conectado faz com que as mudanças impactem a todos e de forma muito rápida.

Desde o início do século XXI, líderes, empreendedores, profissionais de diversos setores e segmentos estão percebendo a necessidade de novas habilidades, aquelas que farão diferença para enfrentar o desconhecido ou, mais do que isto, para criar oportunidade num cenário cada vez mais tecnológico. Uma pesquisa realizada pela FRST Falconi, em 2019, com cerca de 100 gestores C-level RH de 42 empresas de médio e grande porte (e ainda, envolvendo de segmentos tradicionais a negócios nativamente digitais), apontou que, na opinião de 83% dos entrevistados, as empresas não desenvolvem suas lideranças e talentos nas competências necessárias para gerar valor na realidade que vivemos.

Seguramente, o índice e a percepção de 2019 ficaram no passado. O cenário da pandemia parece ter feito o download de pelo menos 10 anos no mundo dos negócios, acelerando a defasagem apresentada anteriormente: nova forma liderar pessoas, o trabalho “anywhere” e “always on”, a necessidade de novos produtos e serviços, novos modelos de parceria, a força que ganhou o ESG, entre outros. É natural pensar que a tecnologia que vem "disruptando" o mundo em que vivemos traga também soluções para a educação, para o desenvolvimento rápido, na velocidade do mundo atual e não na velocidade do século passado. São necessárias novas formas de aprender e novas habilidades relevantes: este é o desafio que a alta velocidade da mudança tecnológica nos traz e também endereça.

Em época de pandemia, novas soluções são mandatórias para que lideranças possam transpor o momento atual criando oportunidades de negócio, diante de um cenário que exige novos conhecimentos. A tecnologia ganha ainda mais espaço neste momento por oferecer um modelo altamente resolutivo. Ela traz a possibilidade de as empresas se tornarem mais responsáveis pelo desenvolvimento do time, viabilizando o lifelong learning, pois reduz o custo de investimento, além de não ser mais necessário deixar as atividades diárias para aprender.

Competências extremamente relevantes no cenário atual, como a capacidade de resolver problemas, inovar, conceitos e habilidades de liderança, resiliência, empreendedorismo, entre outros, estão sendo desenvolvidas dentro das organizações e de forma aplicada, garantindo o maior ativo de qualquer empresa no século XXI: pessoas capazes de gerar valor. Sem destruir a barreira entre sala de aula e ambiente de trabalho, isto não seria possível.

O ensino on-line nos permite integrar o momento do trabalho, da execução e entrega de resultado, ao momento de adquirir novos conhecimentos. Ferramentas de e-Learning facilitam o aprendizado remoto. Hoje, novas lideranças, talentos, pessoas que enfrentam grandes desafios estão aprendendo em qualquer momento, em qualquer lugar e “self-paced”, ou seja, cada um na sua velocidade. As diversas plataformas disponíveis se conectam com os diversos tipos de preferências: vídeos, podcasts, leituras interativas, games. E tudo pode ser revisto, de forma personalizada.

Se a parte teórica pode ser realizada de forma individual e eficiente, as aulas on-line ganham espaço para a discussão de aplicações práticas. Usando o conceito de sala de aula invertida ou “flip class”, em que especialistas em diversos temas ganham espaço para conduzir discussões relevantes para pessoas e negócios, de qualquer lugar do mundo, através de ferramentas de on-line. Neste sentido, milhares de profissionais estão sendo desenvolvidos através da rede de mentores. Especialistas na aplicação dos temas, conduzem salas de aula virtuais onde, através de rede colaboração, funcionários de diversas empresas e setores discutem o mesmo tema, gerando insights para aplicação imediata através de projetos reais que contam com a contribuição “peer to peer”, tudo on-line e individual. A tecnologia permite interação e colaboração de forma estruturada, sem barreiras geográfica e em escala!

A inteligência artificial permite ainda desenvolver pessoas naquilo que é essencial em cada momento. Utilizando imensas base de dados e machine learning, é possível mapear caraterísticas sócio emocionais e conectá-las às competências-chave para o desenvolvimento de líderes e talentos nas organizações, traçando um mapa individual de desenvolvimento, conectado aos interesses do individuo e da empresa. Aprender de forma contínua é mandatório e urgente neste momento de pandemia. Na FRST Falconi, o assessment alimenta o sistema e, através do uso da tecnologia, gera a trilha de desenvolvimento personalizada, baseada nas necessidades de cada um. Para a definição da trilha personalizada são considerados ainda os desafios do indivíduo na empresa.

Não se trata de uma opção ao ensino presencial, trata-se de evolução da educação de negócios. A tecnologia traz neste momento de pandemia a possibilidade do ensino individualizado, focado nas necessidades de pessoas e organizações. Além disto, reduz custos, conecta pessoas e o espaço de aprender e executar. Sem dúvida, o cenário acelerou uma mudança extremamente benéfica a pessoas e sociedade: a democratização da educação.

*Juliana Scarpa é CEO da FRST Falconi

Fonte: Canaltech

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