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Veja como será o leilão de cessão onerosa nesta quarta-feira

Sabrina Valle

(Bloomberg) -- O Brasil realiza nesta quarta-feira, a partir das 10:00, o que pode ser a venda de campos de petróleo mais cara do mundo, com todos as atenções voltadas para quem levará o campo de Búzios.

Exxon Mobil Corp. e Royal Dutch Shell Plc estão entre os pesos pesados escolhidos para concorrer a quatro áreas em águas profundas conhecidas como reservas de cessão onerosa, no coração do pré-sal.

O que está em jogo?

Para produtores globais, é uma chance única de adquirir campos gigantes com resultados comprovados. Mas também é um grande gasto no momento em que os investidores esperam cada vez mais que o setor mostre restrições.

Para o Brasil, a venda ajudaria a reabastecer os cofres públicos, atrairia investimentos para sua economia desgastada e ajudaria a Petrobras a reduzir suas dívidas. Se a venda falhar, tanto a moeda do país quanto as ações da estatal serão afetadas.

O que torna este leilão tão único?

Ao contrário de uma venda típica de licenças de exploração de petróleo, onde as empresas pagam pelo direito de perfurar por seu próprio risco e, posteriormente, desenvolvem os campos se encontrarem petróleo bruto, o Brasil oferece uma grande quantidade da commodity já descoberta em uma área onde a Petrobras já produz efetivamente.

Estima-se que as quatro áreas, que também incluem Itapu, Sepia e Atapu, contenham até 15 bilhões de barris de petróleo recuperável, de acordo com um estudo da consultoria Gaffney, Cline & Associates, sediada em Houston. Isso é mais do que as reservas da Noruega ou do México.

Em Búzios, a Petrobras está bombeando cerca de 420.000 barris por dia, o mesmo que o Equador, membro da OPEP, produzido no mês passado. Com a perspectiva de aumento da produção, os poços do campo já rivalizam com os mais produtivos do mundo.

Quanto vai custar?

Somente as taxas de licenciamento somam R$ 106 bilhões. Isso é mais do que o Brasil arrecadou nos leilões de petróleo desde o fim do monopólio estatal, duas décadas atrás.

O leilão será baseado em quanto os licitantes estão dispostos a renunciar da produção. Os percentuais começam em 18,15% para Itapu, 23,24% para Búzios, 26,23% para Atapu e 27,88% para Sépia. Quem oferecer mais ao governo em um envelope selado, ganha.

As taxas são pagas em dinheiro, com a maior parte vencendo em 27 de dezembro. Os vencedores que oferecerem pelo menos 5 pontos percentuais acima do piso de compartilhamento de produção poderão dividir o pagamento dessa área, com uma segunda parcela devida em junho 2020.

Mas tem mais...

Como a Petrobras já começou a desenvolver o campo de Búzios, os eventuais vencedores terão que compensar a estatal. Um estudo da Wood Mackenzie Ltd. estima esses pagamentos em US$ 24 bilhões. A instalação e operação de quatro plataformas de produção custou à empresa mais de US$ 20 bilhões.

Cabe aos vencedores e à Petrobras negociarem o que pode ser uma combinação de dinheiro, petróleo e investimentos ao longo dos anos eles concordarão como compensação. Eles terão 18 meses para chegar a um acordo antes que o regulador de petróleo seja obrigado a intervir como mediador.

Mas a empresa, que tem o direito de permanecer como operadora de Búzios, sinalizou que fará parte da licitação por pelo menos 30%, provavelmente com parceiros. Se a Petrobras acabasse com uma participação maior, seus parceiros desembolsariam menos em compensação.

Quem está na corrida?

A BP Plc e a Total SA desistiram. A Shell, a maior produtora estrangeira no país, não mostrou sinais de desistência. A Exxon, que construiu o maior portfólio de exploração offshore no Brasil depois da Petrobras, manifestou preocupação com os custos, mas ainda está na corrida.

A Chevron Corp., que se destacou como uma das principais concorrentes em uma venda offshore muito mais barata no Brasil no mês passado, ganhou recentemente uma reputação de disciplina financeira. Produtores nacionais da China, Catar e Noruega também estão na disputa.

A Petrobras tem sido o candidato mais expressivo. O presidente Roberto Castello Branco disse a empresa entraria “para ganhar” Búzios. A estatal disse que vai usar o crédito de US$ 9 bilhões que acertou com o governo pela cessão onerosa. É o suficiente para fazer lances para cerca de metade de Búzios.

É provável que ninguém dê lance sozinho, dado o tamanho do empreendimento. Em leilões recentes, a Petrobras fez parceria com a Exxon; e a Chevron com a Shell. Qualquer combinação é possível para este negócio. Mas os leilões anteriores não estão no mesmo estágio para servir de orientação para este.

Para contatar o editor responsável por esta notícia: Fernando Travaglini, ftravaglini@bloomberg.net

Repórter da matéria original: Sabrina Valle em Rio De Janeiro, svalle@bloomberg.net

Para entrar em contato com os editores responsáveis: Simon Casey, scasey4@bloomberg.net, ;Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net, Carlos Caminada

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