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Veganismo, igualdade e feminismo: artistas trazem debates para o Oscar

Joaquin Phoenix falou sobre veganismo em seu discurso. Foto: Reprodução

Artistas vencedores usaram o palco da edição de 2020 do Oscar para falar sobre importantes pautas para a humanidade neste domingo (9). Durante a premiação foi possível ver debates urgentes sendo trazidos por aqueles que foram receber suas estatuetas.

O público acompanhou tudo pelas transmissões ao vivo e comentou cada detalhe em tempo real, o que trouxe uma ampla divulgação para temas como veganismo, feminismo, racismo, preconceito e igualdade de oportunidades para produtores, diretores e artistas de países de fora dos EUA (Estados Unidos da América).

O discurso feito por Joaquin Phoenix, vencedor da categoria de melhor ator por sua interpretação no filme Coringa, foi um dos mais comentados nas redes sociais. Em sua fala, o artista conseguiu levantar muitos debates atuais como igualdade de gênero, direitos dos animais e amor ao próximo.

“Seja falando sobre desigualdade entre gêneros, racismo, direitos LGBTQ+ ou indígenas, direitos dos animais, estamos falando sobre lutar contra a ideia de que uma nação, uma raça, um gênero ou uma espécie tem o direito de dominar, controlar, usar e explorar outros”, afirmou Phoenix.

Segundo ele, os seres humanos se desconectaram do mundo natural e passaram a acreditar que estão no centro do universo, explorando as outras espécies que coabitam o planeta. “Entramos no mundo natural, roubamos seus recursos, nos sentimos no direito de inseminar artificialmente uma vaca e então roubar seu bebê quando ele nasce, mesmo que seus gritos de angústia sejam perceptíveis”, disse o vencedor.

Ainda em seu discurso, Phoenix afirmou que a humanidade é capaz de desenvolver um sistema que não esteja pautado na exploração da natureza e que todos devemos perdoar os erros que os outros seres cometem em sua existência.

“Fui egoísta, cruel às vezes, alguém difícil de trabalhar. Sou grato porque muitos aqui nessa sala me deram uma segunda chance. Acredito que estamos no nosso ápice quando apoiamos uns aos outros. Não quando nos cancelamos por erros passados, mas sim quando nos ajudamos a crescer. Educamos uns aos outros, e nos guiamos no caminho pela redenção”, constatou o ator.

Outro discurso bastante comentado nas redes sociais foi o feito pela diretora do documentário American Factory, Julia Reichert, ela venceu na categoria melhor documentário e fez um comentário rápido sobre como os trabalhadores de todo o mundo deveriam se unir por melhores condições de trabalho.

“As pessoas colocam uniformes, batem cartão, tentando fazer suas famílias terem uma vida melhor”, constatou a diretora em sua fala durante a premiação.

“Os trabalhadores têm cada vez mais dificuldade hoje em dia. Acreditamos que as coisas vão melhorar quando os trabalhadores do mundo se unirem”, afirmou fazendo referência à "trabalhadores do mundo, uni-vos", frase do Manifesto Comunista, obra de Karl Marx e Friederich Engels.

A fala da diretora Karen Rupert Toliver, que ganhou o Oscar de melhor curta de animação juntamente com Matthew A. Cherry por Hair Love, história que mostra o pai de uma menina negra cuidando dos cabelos da criança, também chamou a atenção. “Representatividade importa profundamente, especialmente em desenhos. Pois são com os desenhos que nós, pela primeira vez, moldamos nossas vidas e pensamos como nós vemos o mundo”, disse a diretora.

Cherry também mandou um recado ao lado da colega e disse: “Nós queremos ver mais representatividade nas animações, queremos normalizar o cabelo negro”.

O discurso feito pela musicista Hildur Guðnadóttir também comoveu o público. Ao receber o prêmio de melhor trilha sonora original por seu trabalho em Coringa, ela mandou um recado especial para as mulheres que assistiam à premiação.

"Para as meninas, as mulheres, as mães, as filhas que ouvem a música borbulhando lá dentro, por favor, se manifestem. Precisamos ouvir suas vozes", afirmou a compositora que foi aplaudida de pé pelos artistas presentes no local.

Outra representação de sororidade foi vista ainda no tapete vermelho da premiação quando a atriz Natalie Portman apareceu vestindo uma capa que trazia o sobrenome de algumas cineastas que tinham sido esnobadas na premiação. Historicamente, mulheres questionam o machismo presente no Oscar, que dá um espaço maior para homens.

“Eu queria reconhecer as mulheres que não foram reconhecidas pelo incrível trabalho que fizeram esse ano”, afirmou a atriz ao ser questionada por qual motivo tinha decidido fazer o protesto.

Um dos grandes vencedores da noite foi o filme Parasita. Quando ganhou o prêmio de melhor direção, o diretor Bong Joon Ho fez questão de mostrar o quanto é grato ao também diretor Martin Scorcese, que concorria com ele na categoria. "Quando eu era jovem e eu estava estudando cinema, tinha uma frase que eu trazia fundo no meu coração que é ‘quanto mais pessoal, mais criativo’ e essa aspa é do Martin Scorcese”, disse.

Após o filme ganhar vários prêmios, muitos internautas comentaram sobre a importância de outros países de fora dos Estados Unidos serem lembrados na premiação e sobre a relevância de ver mais diversidade nas produções cinematográficas.