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Veedha: Brasil pode crescer mais de 2% com privatizações

Vinicius Pereira
Veedha: Brasil pode crescer mais de 2% com privatizações

O Brasil pode crescer mais de 2% em 2020 caso a agenda de privatizações do governo federal avance neste ano, segundo a análise do sócio-fundador da Veedha investimentos, Rodrigo Marcatti.

"Estamos com expectativa que o Brasil cresça mais de 2% em 2020. A hora que der uma destravada, pelo que a gente está percebendo, tem espaço para crescer mais de 2%, principalmente com as privatizações", afirma o sócio da Veedha, que tem cerca de R$ 3,3 bilhões sob gestão.

Para ele, caso o PIB brasileiro cresça como os profissionais da Veedha preveem, as empresas de varejo e da área da saúde devem ser as mais beneficiadas.

"Gostamos das empresas de varejo, gostamos de empresas ligadas a saúde. Construção civil está começando um ciclo pouco mais forte em regiões como São Paulo, mas o setor, que passou seis anos amargando uma situação ruim, deve ter um período de retomada um pouco mais forte e deve aumentar em 2020", disse Marcatti.

Confira a entrevista exclusiva de Rodrigo Marcatti, sócio-fundador da Veedha ao SUNO Notícias:

-Qual é a história da Veedha?
A maioria dos fundadores da Veedha vem do banco Fator. É um time que trabalhava lá há mais de dez anos, com tempo de casa relevante, e começamos a entender que o modelo plugado na XP fazia mais sentido para o cliente.

Esse modelo estava crescendo bastante lá no início de 2017 e fazia sentido para nós, pois teríamos uma marca própria, uma independência maior nas sugestões de investimentos e, ao mesmo tempo, contaríamos com uma infraestrutura super nova.

No banco, não éramos 100% independentes, pois precisávamos vender produtos de marca própria e, ao mesmo tempo, o que sobrava de dinheiro no final não era o suficiente para ter o montante que o mercado demanda, tanto em tecnologia, quanto em produtos, como funciona em todos os bancos até hoje.

Essa sacada que a XP teve no passado, ganhando escala com escritórios, foi excelente e hoje é o grande diferencial dela, o que fez com que ela se tornasse o que ela é hoje.

Víamos que a XP voava muito forte no varejo e, em 2016, começamos a perceber um movimento maior de clientes, com um ticket médio maior, migrando também para essa estrutura, perguntando sobre isso no banco.

Aí, dado que esse movimento iria começar a acontecer, pensamos em sermos vanguardistas. Vínhamos com a intenção de ser a primeira assessoria com selo 100% private, de sócios que tivesse migrado de estruturas de bancos de alta renda ou private, e decidimos por lançar o negócio. Hoje somos pouco menos de 40 assessores e mais de 60% tem uma origem igual a nossa.

-Qual é a principal diferença entre o varejo e o private, em relação ao serviço ao cliente?
Oferecemos uma assessoria muito mais personalizada. Houve uma democratização muito forte em relação aos investimentos. Todos os produtos são para todos, a tecnologia também é para todos, tudo igual. Mas, o que a gente consegue comprovar ao longo do tempo é que quando você tem um profissional 100% dedicado, te ajudando a antecipar ciclos e movimentos, te trazendo rapidamente as grandes oportunidades, e, quando isso acontece, o retorno é melhor. Por uma questão de escala, não conseguimos fazer isso para todos os clientes.

Toda a assessoria consome muito informação. Na média, nossos clientes são grandes executivos, médicos, advogados, que não têm tempo para ficar acompanhando, pesquisando data de liquidação de produto, etc. Então eles precisam confiar no assessor pois, diferentemente de um investidor com R$ 50 mil investidos, que não vai movimentar muito, um cliente de R$ 10 milhões tem muita movimentação, tem produto vencendo todo dia. É uma troca muito mais frequente.

Na nossa posição, o assessor é ativo mesmo. Essa é a diferença do modelo que ataca mais o varejo, que parametriza muito mais as propostas e os modelos de investimento e tenta enquadrar os clientes aos modelos. Já na nossa, tratamos cada indivíduo como único e ali ele tem um atendimento próprio, fora a experiência do profissional que está acostumado a esse tipo de público e de exigência.

-Como você está vendo esse fluxo para a renda variável?
Estamos vendo que esse fluxo não tem diminuído, então toda carteira nova que a gente monta e senta com o cliente para discutir o que foi feito, vemos o cliente com apetite para aumentar a exposição a renda variável. Isso vem há pelo menos seis meses, com captação líquida positiva.

Então é difícil imaginar que essa curva se inverta no curto prazo, dado que o brasileiro ainda tem um percentual em renda variável muito baixo. Tem espaço para aumentar muito mais e a quantidade de investidores que têm renda variável é muito baixa.

Você tem um espaço muito grane sobre a população que pode investir e quem sobre quem já investe também. Imaginamos que o fluxo deve continuar aumentando, pois temos uma parcela relevante da população fora da Bolsa, sem contar o potencial de fluxo externo.

-Por que o estrangeiro está saindo?
Na verdade ele não está saindo. O fluxo é negativo, mas temos que pensar no estoque. Em janeiro de 2019, vamos pensar que fosse de R$ 1 trilhão. No final do ano, a Bolsa performou 30%. Então, no mínimo, ele está em R$ 1,3 trilhão. Se ele mandou R$ 50 bilhões embora, esse investidor gringo aumentou em 25% o patrimônio dele no Brasil, mesmo mandando R$ 50 bilhões embora. Então o fluxo é negativo, mas temos que lembrar que o estoque cresceu muito no passado.

O problema da América Latina também conta. Quando um portfolio manager da Europa decide colocar dinheiro na região, ele olha tudo explodindo e decide dar uma segurada. Tivemos problemas na Argentina, com a eleição, na Bolívia, no Equador e no Chile. Então há essa atenção redobrada com a região como um todo.

Além disso, acho que no final do ano passado era para ter melhorado [esse fluxo], mas por conta desse problema na região não ocorreu. Além disso, um novo problema ocorreu em janeiro, com as tensões mundiais entre EUA e Irã, que faz com que o investimento fuja do risco e vá para ativos com maior segurança mundial.

-Como vocês veem a recuperação da economia brasileira?
Estamos com expectativa que o Brasil cresça mais de 2% em 2020. A hora que der uma destravada, pelo que a gente está percebendo, tem espaço para crescer mais de 2%, principalmente com as privatizações. O que vinha pesando era o teto de gastos do governo, que estava muito limitado, então o PIB do governo não ajudou. Mas esse ano tem eleição municipal, então pode ter uma volta da gastança do governo, ainda mais com uma situação mais equilibrada fiscal.

-Caso o PIB cresça mais de 2% neste ano, quais setores mais te agradam?
Gostamos das empresas de varejo, gostamos de empresas ligadas a saúde. Construção civil está começando um ciclo pouco mais forte em regiões como São Paulo, mas o setor, que passou seis anos amargando uma situação ruim, deve ter um período de retomada um pouco mais forte e deve aumentar em 2020.

Já commodities dependem do mundo. Achamos que tem espaço para valorizar, principalmente se o acordo EUA e China avançar, e isso ajudaria o mundo a crescer pouco mais e pode beneficiar as empresas brasileiras, disse o executivo da Veedha.