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Variante de coronavírus nos EUA aumenta urgência de vacinação

Michelle Cortez e Anna Edney
·3 minuto de leitura

(Bloomberg) -- Uma variante do coronavírus que se espalha com maior facilidade foi detectada nos Estados Unidos pela primeira vez na semana passada, o que poderia agravar o surto e aumentar a urgência para que a distribuição de vacinas seja mais rápida e eficaz.

Apenas três estados - Colorado, Califórnia e Flórida - têm casos identificados da nova cepa que se propaga pelo Reino Unido há meses. Mas autoridades de saúde dos EUA dizem que ainda não sabem quão longe a variante já pode ter percorrido os EUA, ou o que isso pode significar para o futuro.

“Suspeito que tenha se espalhado mais do que sabemos”, disse Michelle Barron, diretora médica sênior de prevenção e controle de infecções da UCHealth, um sistema de saúde com uma dúzia de hospitais e centenas de clínicas no Colorado.

A descoberta da nova variante nos EUA ocorre em um momento em que a campanha para vacinar a maioria dos americanos tem sido prejudicada por uma coordenação ineficaz e falta de apoio federal para estados e sistemas de saúde. Embora mais de 4,28 milhões de americanos tenham sido vacinados até a noite de sábado, de acordo com dados monitorados pela Bloomberg, o número é muito menor do que os 20 milhões de doses que autoridades de saúde dos EUA previram para o final de 2020.

Enquanto isso, o número de infecções aumenta, com quase 231 mil novos casos registrados nos EUA na quinta-feira antes do fim de semana do Ano Novo, quando os registros devem ter sido mais escassos. Quatro estados - incluindo Nova York e Califórnia - ultrapassaram 1 milhão de infecções no total, e o país registra mais de 350 mil mortes.

“É uma corrida, e esta variante tornou todo o desafio mais difícil”, disse Eric Topol, diretor do Scripps Research Translational Institute em La Jolla, Califórnia. “Tudo o que vimos em 2020 em termos de um vírus desafiador, será levado a um novo nível.”

A distribuição de vacinas tem sido um desafio para o sistema de saúde dos EUA, pressionado por um aumento simultâneo de infecções. Os governos estaduais e locais precisam lidar com uma logística complexa para manter os imunizantes na temperatura adequada, decidir quem deve ter acesso antecipado e persuadir os céticos a tomar a vacina.

Para aumentar a quantidade de vacina disponível, o governo dos Estados Unidos avalia cortar pela metade a dose da Moderna para pessoas entre 18 a 55 anos, disse Moncef Slaoui, diretor científico da Operação Warp Speed, em entrevista ao programa “Face the Nation” da CBS. Ele disse que há evidências de que meia dose fornece o mesmo nível de proteção para essa faixa etária.

Os comentários de Slaoui vieram em resposta a uma pergunta sobre a decisão do Reino Unido de vacinar o maior número possível de pessoas com a primeira dose da vacina da Pfizer e BioNTech, embora possivelmente com o atraso de uma segunda dose. Ele disse que tal mudança seria um erro para os EUA, já que não foi confirmada por dados de ensaios.

Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA tentam avaliar o efeito que a nova variante poderia ter na propagação acelerada, de acordo com Kristen Nordlund, porta-voz da agência. No momento, porém, “não temos resultados”, disse Nordlund por e-mail.

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