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Variante do coronavírus identificada no interior já circulava desde janeiro em São Paulo

·5 minuto de leitura

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A variante do coronavírus chamada de P.4, identificada no interior de São Paulo por pesquisadores da Unesp (Universidade Estadual Paulista) e da Rede Corona-Ômica-BR, estava presente em praticamente todo o estado já desde janeiro de 2021, incluindo na região da Grande São Paulo, onde ela representa atualmente 16% (ou pouco mais de um sexto) das amostras do vírus.

O novo achado é resultado de uma reclassificação de amostras do vírus sequenciadas para o estado de São Paulo pelo Instituto Adolfo Lutz, que realiza o sequenciamento e monitora os diferentes genomas do vírus em circulação.

Agora, cerca de 20% das amostras antes classificadas pelo instituto como pertencentes à variante P.1 (também conhecida como Gamma, primeiro identificada em Manaus), correspondem na realidade à variante P.4.

Ainda não é possível afirmar se a P.4 é mais transmissível ou mais perigosa do ponto de vista de saúde pública, mas ela carrega uma mutação também presente nas variantes californiana (CAL.20C ou B.1.427/B.1.429) e indiana (Delta ou B.1.617.2), apesar de não ser ainda uma VOC, sigla utilizada para descrever formas do vírus com mutações que são de maior preocupação.

Com a nova análise, as equipes do instituto e do Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado da Saúde viram que algumas das sequências do estado classificadas como P.2 ou B.1.1.28 (a linhagem ancestral que foi dominante no país até outubro de 2020) eram da nova variante.

A P.4 foi detectada em 16 dos 17 Departamentos Regionais de Saúde, representando cerca de 20% de todas as amostras sequenciadas no estado. Os departamentos com a maior predominância são a Baixada Santista e Campinas -com 36,96% e 35,29%, respectivamente. Em seguida vêm São José do Rio Preto e Sorocaba, ambos com 29,75%, e Araraquara, com 27,97%. A única região em que não foi identificada a nova linhagem foi Registro, onde está o Vale do Ribeira.

A frequência das diferentes formas do vírus presentes no estado também mudou após a reclassificação, e agora 67% das amostras em São Paulo correspondem à P.1, 19% à P.4, 6% à P.2, 4% são da B.1.1.7 (ou Alpha, identificada primeiro no Reino Unido), 2% da B.1.1.28 e 1% da P.1.2, sublinhagem que evoluiu a partir da P.1. O 1% restante inclui demais linhagens de menor relevância.

O pesquisador e diretor do Centro de Respostas Rápidas do Lutz, Adriano Abbud, responsável pelo sequenciamento genético do vírus, explica que reclassificações filogenéticas são esperadas no monitoramento epidemiológico do coronavírus, uma vez que quanto mais se conhece sobre ele, mais finas são as classificações.

"É como se fossem caixas de lápis: na pré-escola, nós recebemos uma caixa de lápis com seis cores e achamos que aquele é o universo de cores; na etapa escolar seguinte, a caixa de lápis tem 12 cores, porque já inclui dois tipos de vermelho, dois tipos de azul. Na etapa seguinte são 36 cores. À medida que aumenta a informação que temos dos diferentes genomas do vírus, características que são descobertas com o tempo, passamos a outras subdivisões para agrupar os genomas em uma mesma linhagem."

Por isso é tão importante o trabalho da comunidade científica e o depósito de sequências genéticas com dados públicos e acessíveis para todos.

As amostras do vírus são apresentadas aos órgãos Gisaid e cov-lineages, que avaliam aspectos como frequência daquele genoma em determinada região e características taxonômicas (a que linhagem pertence, ou de qual linhagem derivou) para classificar novas cepas como linhagens.

Já o conhecimento sobre quais linhagens em circulação são dominantes é necessário para observar e monitorar a dinâmica da doença, explica Abbud.

"Até o momento, não temos ainda dados sobre a P.4 para saber se ela é mais transmissível, qual o impacto dela. Mas observar que ela já está em circulação em praticamente todo o estado ajuda para obter informações mais corretas sobre a Covid, como se o aumento ou não de novos casos está associado a essa ou outra variante."

A metodologia de sequenciamento do Lutz utiliza um modelo para detecção das chamadas zonas de maior relevância, como municípios com alta de casos de Covid ou com casos de doença grave e óbitos relevantes, como aqueles em indivíduos muito jovens, e sequencia amostras positivas e de interesse clínico ou epidemiológico.

A partir da notificação de novas linhagens em circulação nas regiões do estado não só pelo Lutz, mas também por outras instituições e laboratórios, cabe à secretaria de vigilância fazer a interlocução com os municípios.

"Nós observamos e monitoramos em tempo real e comunicamos aos municípios. Se for identificado um comportamento fora do comum [de casos e óbitos] em algum município, eles vão poder investigar para saber o que está ocorrendo ali localmente", afirma.

Essa foi a situação pela qual passou o município de Araraquara. Com ações de controle da pandemia louváveis desde o ano passado, a cidade do interior paulista viu um aumento súbito de casos e óbitos por Covid em fevereiro, e decidiu decretar um lockdown para poder reagir à onda da pandemia.

Posteriormente, a secretaria municipal de saúde verificou que o aumento estava associado à chegada da variante P.1 no município.

Abbud afirma ainda que a variante indiana não foi encontrada nas amostras sequenciadas, indicando que após a detecção do primeiro caso em SP a sua presença foi rapidamente controlada. "Depois da detecção do primeiro caso continuamos a fazer o sequenciamento, mas não encontramos nenhuma amostra com a variante Delta no último relatório", diz.

Apesar de um trabalho de monitoramento e investigação intenso, a detecção de novas variantes ou linhagens não muda as ações na ponta. "É importante fazer a vigilância, mas devemos lembrar que não importa a forma do vírus, precisamos manter o distanciamento social, o uso de máscaras e a higiene das mãos. E vacinar, vacinar muito, para controlar a epidemia", afirma.

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