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Vamos pagar R$ 132,5 bilhões ao Tesouro em 2019, diz presidente do BNDES

Francisco Góes e Juliana Schincariol

Segundo Gustavo Montezano, além da devolução da linha do Tesouro, o banco de fomento pagará R$ 4,9 bilhões em dividendos O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai pagar R$ 132,5 bilhões ao Tesouro Nacional em 2019, informou o presidente da instituição, Gustavo Montezano, nesta quinta-feira. Além da devolução da linha do Tesouro, de R$ 123 bilhões, o BNDES pagará 60% do lucro acumulado do primeiro semestre, na forma de dividendos, que somam R$ 4,9 bilhões.

Ana Paula Paiva/Valor

Outros R$ 4,6 bilhões serão pagos na semana que vem, disse Montezano. “Estamos confortáveis com a situação de liquidez do banco”, afirmou o executivo em entrevista a jornalistas. Hoje, o BNDES tem carteira de projetos de R$ 191 bilhões de investimentos e 20 empresas a serem privatizadas. Em dezembro, o executivo deve anunciar a primeira edição de um plano trianual do banco.

Sem dar muitos detalhes, Montezano informou que o objetivo é que o banco participe mais de operações sindicalizadas de emissão de debêntures. Além disso, já foi assinado um memorando de entendimentos com o International Finance Corporation (IFC) para um programa piloto de sindicalização para operações de cofinanciamento.

Apetite para risco mudou

Montezano disse também que o BNDES reduziu seu apetite a risco de alto para baixo.

“A partir de hoje o banco tem baixo apetite a risco”, afirmou Montezano.

Hoje o BNDES tem 12,1% de renda variável em relação ao ativo. Esse percentual, segundo o executivo, é muito maior do que a média de bancos de desenvolvimento internacionais, que é de 0,4%. “A mudança de apetite a risco traz o BNDES para padrões nacionais e internacionais”,disse.

Por ter baixo apetite a risco de ações, o BNDES precisa ter um limite de VaR (Value at Risk) menor. Hoje, o limite vigente é de R$ 5,6 bilhões, e vai cair para R$ 600 milhões em três anos, informou o presidente. Para isso, o banco terá que se desfazer de parte de suas ações.

Segundo Montezano, o banco está discutindo a melhor forma de realizar as vendas de ações. “Não podemos fazer nenhum comentário sobre venda de ações, mas estamos discutindo com bancos assessores a melhor forma de fazê-lo”, afirmou, ao ser questionado sobre uma eventual venda da fatia do BNDES na JBS.

O banco não analisa uma potencial venda por ação, mas por portfólio, segundo ele. “É ajuste de participações societárias. Tem que olhar cada operação em contexto de portfólio maior e tem que fazer de forma organizada. São valores substanciais. Vamos definir a ordem da forma mais ‘soft’ de se fazer”, disse o executivo.

Montezano também disse que há uma “alta demanda” pelas ações brasileiras. Segundo ele, em um cenário de juros reais baixos, há migração para ativos de maior risco em uma conjuntura favorável ao desinvestimento. Ainda segundo Montezano, as devoluções ao Tesouro Nacional em 2020 vão ser anunciadas no plano trianual.

De olho na cadeia de gás

O presidente do BNDES afirmou também que que a instituição está se posicionando como articuladora na reestruturação da cadeia produtiva de gás.“Será preciso construir dutos, o requer modelagem, preparação, discussão com MME, com players do setor. O banco está se posicionando como articulador nesse processo”, disse Montezano, acrescentando que o BNDES vai atuar na modelagem dos projetos.

Ele também comentou sobre a provisão do banco para a Odebrecht, que é de cerca de R$ 8 bilhões. O executivo também informou a tentativa de renegociação com a prefeitura do Rio de Janeiro para resolver a situação. “Mas somos obrigados a executar as garantias”, disse. “Adoraria chegar a algum acordo o quanto antes”, acrescentou. As garantias do BNDES, no caso, são os fluxos de recebíveis da prefeitura.

Além disso, Montezano disse que o mais importante é a evolução estratégica do banco de fomento e seu reposicionamento. O objetivo, segundo ele, é ter maior foco no impacto social e menor no financeiro. “Vamos continuar vindo a público esclarecer para mostrar que o banco não tem nada a esconder”, afirmou.

O BNDES lançou uma campanha para mostrar um banco mais transparente, com canais de comunicação nas redes sociais. Entre outra medidas implementadas, o presidente também informou que será assinado um acordo de cooperação técnica com o Ministério Público Federal, a criação de uma diretoria de compliance e a aprovação de corregedoria interna. O banco também está aderindo à política nacional de dados abertos, completou Montezano.