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Vale quer sair de mina-problema, apesar da alta do níquel

Sabrina Valle

(Bloomberg) -- Nem a forte recuperação dos preços do níquel este ano consegue ajudar uma mina da Vale em uma ilha do Pacífico.

A maior produtora mundial do metal quer escolher uma estratégia para tentar sair do projeto de níquel na Nova Caledônia, uma ilha da Polinésia Francesa, no primeiro semestre de 2020, disse a Vale no Investor Day, evento realizado na segunda-feira em Nova York. No mês passado, a mineradora registrou uma baixa contábil que reduziu o valor das operações no país a mais da metade, para US$ 1,4 bilhão, e alertou para a possibilidade de novos cortes.

Um projeto com potenciais falhas, riscos ambientais e vazamentos de ácido afetaram a mina. A unidade nunca atingiu capacidade total de produção e enfrenta problemas desde que foi comprada pela Vale há mais de uma década, como parte de uma ambiciosa aquisição de US$ 17 bilhões da canadense Inco.

A operação da Nova Caledônia se tornou uma das aberrações no mundo do níquel, um elemento-chave na produção de aço inoxidável e baterias. A demanda é impulsionada pela expansão do mercado de veículos elétricos, e a promessa da Indonésia de proibir as exportações de minerais brutos aumenta o temor de uma crise. Embora os preços do níquel tenham caído em novembro, ainda acumulam alta de cerca de 25% este ano. Todos os outros metais básicos negociados em Londres sinalizam perda anual em 2019.

“O projeto da Nova Caledônia é problemático há muitos anos”, disse Tasso Vasconcellos, analista da Eleven Financial Research. A Vale nunca poderia alcançar a capacidade esperada na mina devido a uma série de obstáculos ao longo dos anos, disse. Em 2009, a empresa havia estimado um orçamento de cerca de US$ 4 bilhões para a unidade.

A Vale não quis comentar sobre a mina além do discutido no evento de segunda-feira.

Saída lenta

O projeto - a mina de Goro, sul da Nova Caledônia - nunca atingiu a capacidade total anual de 60 mil toneladas, tendo produzido 6,4 mil toneladas do metal acabado no terceiro trimestre.

Quando a Vale venceu a batalha pela aquisição da Inco em 2006, os preços do níquel eram significativamente mais altos que os níveis atuais. A demanda era puxada pelas siderúrgicas da China, onde a economia galopava com um crescimento de dois dígitos. No entanto, após a crise financeira global de 2008 e a consequente desaceleração gradual do país asiático, os preços caíram e desestimularam a produção. Tudo isso complicou ainda mais as operações na Nova Caledônia.

Outras opções

A Vale espera que sua produção total de níquel cresça para 240 mil toneladas no curto prazo em relação ao nível atual de 210 mil toneladas, graças às operações em outros países, como Canadá e Brasil, disse a empresa na segunda-feira.

Embora a Vale tenha sofrido reveses com a mina da Nova Caledônia, a atual expansão do mercado de níquel e a potencial escassez podem beneficiar a Vale, segundo Vasconcellos. “O cenário para o níquel é muito positivo para a Vale, principalmente por causa da demanda por baterias de veículos elétricos”, afirmou.

Para contatar o editor responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

Repórter da matéria original: Sabrina Valle em Rio De Janeiro, svalle@bloomberg.net

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