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Vagas na construção são um sinal de retomada da economia, diz secretário

Mariana Ribeiro e Lu Aiko Otta

Representante do Ministério da Economia vê tendência de alta no saldo de vagas para 2020 e considera "número próximo de 1 milhão caso PIB cresça 3%" O secretário de Trabalho do Ministério da Economia, Bruno Dalcomo, afirmou nesta sexta-feira que a criação de 71.115 vagas de trabalho com carteira assinada no setor de construção civil em 2019 é um sinal da retomada da economia como um todo.

Segundo ele, a perspectiva para 2020 é de melhora nos resultados do setor.

“A retomada da construção civil é sempre um sintoma importante da retomada da economia como um todo. Vemos com muito bons olhos, tanto pelo diagnóstico de uma retomada não momentânea quanto pelo impacto na geração de emprego”, afirmou.

O subsecretário de Políticas Públicas de Trabalho, Matheus Stivali, acrescentou que o cenário de queda dos juros tem facilitado o acesso ao crédito, fator importante para o setor de construção.

Ele acrescentou ainda que a perspectiva de aumento do emprego deve facilitar o acesso das famílias ao crédito. “É algo que se retroalimenta.”

Caged registrou a criação de pouco mais de 70 mil vagas na construção em 2019

EBC

Dalcomo classificou os dados gerais do Caged do ano passado como “bastante positivos” e ressaltou o aumento da confiança do empresariado.

O saldo total de empregos gerados em 2019 foi 21,63% maior do que o de 2018. As 644.079 vagas criadas no ano representaram o melhor resultado desde 2013 e o primeiro saldo positivo desde 2014, quando houve geração de 420,6 mil empregos formais.

Apesar disso, o secretário reforçou que é preciso “batalhar pelo 1 milhão”. A marca foi batida pela última vez em 2013, quando 1.117.171 postos foram criados.

Questionado se o resultado ficou abaixo das expectativas do presidente Jair Bolsonaro, que em dezembro chegou a falar na criação de 1 milhão de vagas no ano, Dalcomo afirmou que a estimativa não contemplava o usual fechamento de postos de trabalho em dezembro.

“Só quem acompanha o mercado sabe que dezembro é tradicionalmente de demissões.”

Para o secretário, a demissão em menor número em dezembro - na comparação com outros anos- é outro sinal de retomada da economia. O último mês do ano é tradicionalmente um período negativo para o mercado formal de trabalho.

Embora tenham sido fechadas 307.311 vagas com carteira assinada, o dado representou o melhor resultado para o mês desde 2005, quando foram destruídos 286.719 postos de emprego em termos líquidos.

Historicamente, de fato, o último mês do ano registra saldo negativo de vagas pelo menos desde 2002, dado mais antigo da série disponibilizada pelo ministério.

“Os números vieram bem acima da mediana do mercado. Isso vai em conjunto com os indicadores econômicos, que vieram melhores no segundo semestre do ano passado”, colocou.

A mediana das expectativas de 23 consultorias e instituições financeiras ouvidas pelo Valor Data apontava para uma destruição líquida de 330 mil vagas em dezembro, com intervalos das projeções de -405,5 mil a -270 mil.

Projeção

Para 2020, o secretário vê uma tendência de alta no emprego formal e não descarta um número próximo de 1 milhão caso a economia cresça perto de 3%. “É bem provável que encostre em 1 milhão em 2020, caso a economia cresça por volta de 3%”, afirmou.

Ele não informou a estimativa num cenário de crescimento de 2,4%, como prevê atualmente a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Economia. O secretário ressalvou que os dados dependem de diversos fatores, como o cenário internacional, o prosseguimento das reformas econômicas, os investimentos do setor privado, a concretização de concessões e privatizações.

Há ainda elementos totalmente fora do controle do governo, como o risco de epidemia de coronavírus na China. O secretário ressaltou que o país asiático é importante para todas as economias do mundo, e não seria diferente para o mercado brasileiro.