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Vagas informais na construção garantem queda do desemprego em SP, mostra IBGE

Bruno Villas Bôas

De acordo com o instituto, o setor de construção gerou 118 mil postos de trabalho no terceiro trimestre deste ano O setor de construção foi o principal responsável pela queda da taxa de desemprego no Estado de São Paulo para 12% no terceiro trimestre deste ano, na comparação aos três meses anteriores (12,8%), mostram dados divulgados nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Cimento, indústria, construção

Pixabay

São Paulo foi a única das 27 unidades da federação com queda significativa da taxa de desemprego no terceiro trimestre deste ano – para além do intervalo de confiança (margem de erro) da pesquisa –, frente ao segundo trimestre do ano. Outras 25 mostraram estabilidade na taxa e Rondônia exibiu piora (de 6,7% para 8,2%).

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De acordo com o IBGE, o setor de construção gerou 118 mil postos de trabalho no terceiro trimestre deste ano, frente ao segundo trimestre, o correspondente a um aumento de 7,8%. Esse avanço foi explicado por postos de trabalho informais, como o trabalho por conta própria e empregados sem carteira assinada.

“Construção foi um destaque na recuperação da ocupação em São Paulo e em outras regiões. São trabalhadores contratados para fazer acabamentos para proprietários de imóvel, após um período de muitos lançamentos e vendas”, disse Adriana Beringuy, analista da pesquisa, durante entrevista na sede do IBGE, no Rio.

No total, o Estado de São Paulo absorveu 228 mil trabalhadores no terceiro trimestre deste ano, frente aos três meses anteriores, resultado líquido de demissões. O total de ocupados no Estado cresceu 1% por essa base de comparação, chegando a 22,7 milhões de pessoas. O total de trabalhadores em busca de ocupação recuou para 3,1 milhões, queda de 6,5%.

Outras atividades também contribuíram para o resultado positivo, além da construção, como transporte (alta de 73 mil vagas), serviços domésticos (avanço de 70 mil vagas), comércio e reparação de veículos (aumento de 29 mil vagas), por exemplo. Segundo a analista, essas atividades mostram tendência positiva e contribuíram, combinadas, para o resultado.

Com o melhor resultado do mercado de trabalho paulista, o desalento – pessoas que não procuram emprego simplesmente por entender que não vão conseguir encontrar um – caiu significativamente. De acordo com o IBGE, o desalento recuou 22,3% no Estado de São Paulo no terceiro trimestre, frente ao segundo trimestre.

“São Paulo é uma espécie de farol para o restante do país. As coisas acontecem em São Paulo primeiro. Isso porque é uma economia dinâmica”, disse a analistas. A renda média do trabalhador de São Paulo ficou estável, em R$ 2.923.