Mercado fechado

Vagas abertas na NASA! Você preenche os requisitos para se tornar um astronauta?

Patrícia Gnipper

O Programa Artemis, que levará novamente a humanidade à superfície da Lua em 2024, tem uma importância que vai além da permanência contínua em nosso satélite natural. Ele faz parte do projeto Moon to Mars, que usará as conquistas das missões Artemis (bem como da estação orbital lunar Gateway) para que a humanidade também chegue a Marte — algo previsto para a década de 2030. E, para isso, a NASA está recrutando novos astronautas.

"Desde os anos 1760, a NASA selecionou 350 pessoas para treiná-las como astronautas para suas crescentes missões desafiadoras da exploração espacial. Com 48 astronautas no corpo ativo, mais serão necessários para tripular espaçonaves com múltiplos destinos e impulsionar a exploração como parte das missões Artemis e além", declarou a agência em comunicado.

As inscrições começam no dia 2 de março e duram até o dia 31 do mesmo mês. A agência espacial não divulgou exatamente quantos astronautas pretende aprovar nesta nova turma, mas, se seguir o padrão de processos anteriores, podemos esperar uma média de entre 8 e 12 astronautas formados dentro de alguns anos — período em que passam por treinamentos intensos e testes rígidos. No último processo seletivo, a NASA aprovou 11 astronautas entre mais de 18 mil candidatos.

Se você foi daquelas crianças que respondia "astronauta" sempre que perguntavam "o que você quer ser quando crescer?", talvez esteja animado com a oportunidade de ouro, mas será que você tem o que é preciso para se tornar um astronauta da NASA? Infelizmente, temos que dizer que é altamente improvável que você preencha os requisitos da agência espacial — mas a gente detalha todos eles nas próximas linhas, de qualquer maneira.

O que é preciso para ser um astronauta da NASA

Para começar, os candidatos devem, obrigatoriamente, ter cidadania americana — ou seja, é preciso ser nascido nos Estados Unidos ou ter dupla cidadania, com os EUA sendo uma delas. Só isso provavelmente já destrói os sonhos de quem está lendo esta matéria (bem como os da autora do texto).

Mas caso você faça parte da minoria de leitores que têm cidadania americana, calma, pois os requisitos vão ficando cada vez mais impossíveis de serem preenchidos. É preciso que o candidato tenha mestrado em algum campo STEM (incluindo engenharia, ciências biológicas, ciências físicas, ciências da computação ou matemática), mas não vale ter feito o mestrado em qualquer instituição — a NASA aceita somente os formados em instituições credenciadas.

Quem não tiver mestrado e atender aos demais requisitos, ainda tem uma chance, pois a agência também aceita pessoas com dois anos de trabalho para um doutorado em campos STEM (sigla para ciência, tecnologia, engenharia e matemática), ou com doutorado completo em medicina, ou ainda quem tenha concluído (ou concluirá até junho de 2021) um curso para ser piloto de testes — desde que esse curso seja reconhecido nacionalmente.

E não para por aí: além disso, os candidatos também precisam ter ao menos dois anos de experiência profissional comprovada em suas áreas de atuação, ou ter pelo menos mil horas de voo como pilotos em aviões a jato. Por fim, os candidatos ao programa Artemis passarão por uma avaliação online com duas horas de duração, logo após enviarem suas inscrições, tudo para garantir que os pré-aprovados atendam às expectativas da agência espacial.

Depois disso, vem um longo processo envolvendo entrevistas diversas, além de exames médicos iniciais para, somente depois disso, os aprovados serem anunciados — e contratados pela NASA. Contudo, mesmo com o contrato assinado, eles ainda são apenas candidatos a astronauta, somente podendo ser chamados de astronautas depois que completam um extenso treinamento, que envolve teoria e prática.

No treinamento, eles precisam provar que entendem tudo de coisas como robótica e engenharia, e também devem ter vasto conhecimento de aeronaves. Ainda, são submetidos a testes de resistência intensivos e precisam fazer treinamentos variados, como a prática de caminhadas espaciais (o que, aqui na Terra, é feito debaixo d'água para simular a microgravidade), participar de simulações em realidade virtual e até mesmo aprender outros idiomas.

No vídeo abaixo, você descobre um pouco sobre esse treinamento rígido que é exigido dos candidatos a astronautas da NASA:

Depois de dois anos de treinamento, os candidatos aprovados e devidamente formados podem começar a realizar tarefas como astronautas — como participar do desenvolvimento de naves espaciais e apoiar equipes que estão atualmente no espaço —, até que, finalmente, sejam convocados para suas próprias missões espaciais. Isso pode, inclusive, envolver missões na Estação Espacial Internacional antes de eles partirem rumo à Lua ou a Marte. A NASA pretende selecionar a nova classe de candidatos a astronautas em meados de 2021, provavelmente formando esta próxima turma entre 2023 e 2024.

Cronograma do Programa Artemis

O Programa Artemis, na verdade, fará o primeiro voo rumo ao satélite natural da Terra já no ano que vem, mas esta missão, chamada Artemis-1, não será tripulada. Ela servirá para testar o foguete Space Launch System e a nave Orion, que será enviada em uma missão de 25 dias e meio — seis deles orbitando a Lua.

Tudo dando certo, a missão Artemis-2, planejada para 2022, levará quatro astronautas para a órbita da Lua, mas ainda sem o novo pouso acontecendo. Esta missão durará uma semana e servirá como um teste final para que a Artemis-3 aconteça em 2024 — desta vez levando novamente astronautas à superfície da Lua, nesta que marcará a primeira alunissagem humana desde a Apollo 17, em 1972.

Depois disso, os planos ainda são um tanto quanto incertos, mas a NASA propõe que a Artemis-4 já aconteça em 2025, com a tripulação ficando 30 dias no terreno lunar e, depois disso as Artemis-5 a 7 aconteceriam também anualmente, entre 2026 e 2028, todas levando quatro astronautas para realizar trabalhos lunares durante um mês inteiro.

Esses trabalhos envolverão testes de uso de recursos naturais da Lua e testes de módulos de pouso parcialmente reutilizáveis, e a ideia ainda é construir um posto lunar na superfície, com a tripulação da Artemis-7 sendo responsável por habitá-lo temporariamente — tudo em caráter de testes, também. No meio tempo entre esses lançamentos, a NASA pretende fazer vários envios de cargas úteis para a montagem da estação orbital Gateway, e contará com empresas privadas para isso (tanto para o lançamento, quanto para o desenvolvimento dessas tecnologias).

Somente depois que tudo isso estiver finalizado e funcional é que os planos para a primeira (e histórica) viagem tripulada a Marte começarão a tomar forma. Por isso, a agência espacial prevê que isso só vai acontecer em meados da década de 2030 — ainda sem especificar um ano para que os primeiros humanos deixem suas pegadas no Planeta Vermelho.

Fonte: Canaltech

Trending no Canaltech: