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Vacinas de mRNA contra COVID: o que são e por que vão revolucionar a ciência?

Fidel Forato
·8 minuto de leitura

Desde o início da pandemia da COVID-19, mais de 55 milhões de pessoas contraíram o novo coronavírus (SARS-CoV-2), sendo que 1,3 milhão foi a óbito devido à infecção, segundo os dados levantados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Nesse cenário, autoridades e pesquisadores apostam no desenvolvimento de vacinas seguras e eficazes para barrar o contágio, como os imunizantes com RNA mensageiro (mRNA).

Entre as apostas contra a COVID-19, estão: a vacina desenvolvida pela farmacêutica Moderna, dos EUA; e outra criada pela também norte-americana Pfizer, em parceria com a empresa alemã de biotecnologia BioNTech. Em comum, ambas estão na última (e terceira) fase de testes, apresentaram uma taxa de eficácia superior a 90% e devem solicitar, em breve, autorização de uso emergencial nos Estados Unidos.

Novas estratégias para desenvolvimento de vacinas com o RNA devem revolucionar saúde (Imagem: Reprodução/ Cottonbro/ Pexels)
Novas estratégias para desenvolvimento de vacinas com o RNA devem revolucionar saúde (Imagem: Reprodução/ Cottonbro/ Pexels)

Além disso, promovem a imunização contra o coronavírus, a partir de uma plataforma de mRNA. Vale comentar que esta é uma tecnologia inédita e nunca adotada na história da ciência, mas com potencial de revolucionar o combate a doenças infecciosas, além da COVID-19. Para entender, exatamente, o que isso significa, o Canaltech conversou com o Sérgio Zanetta, médico sanitarista e professor de Saúde Pública do Centro Universitário São Camilo.

“Estamos diante de fatos inusitados e uma experiência nova, extraordinária. Em nossos melhores sonhos, seria impossível imaginar que, do ponto de vista de vacinas, conseguiríamos andar tão rápido e ir tão longe", adianta Zanetta assim que começamos a entrevista. Agora, resta saber o porquê.

Como funciona vacina de RNA mensageiro?

Antes de entender o que são vacinas de RNA, é importante entender como as informações genéticas são armazenadas e utilizadas dentro do organismo. Nesse processo, o DNA é um ácido nucleico que armazena esses dados, enquanto o RNA atua, diretamente, na produção de proteínas. Quanto ao mRNA, Zanetta explica: "Ele é um instrumento que a célula tem para pegar um determinado código genético e enviar para estrutura que produz novas proteínas. Então, esse mensageiro diz: ‘Produza proteínas deste modo’".

Na fórmula tanto da vacina da Pfizer quanto da Moderna, "é um mRNA [desenvolvido em laboratório, sintético] que ensina a célula da pessoa a produzir proteínas, e com isso gera uma reação de anticorpos contra a espícula do coronavírus [a coroa]. Se entrar um SARS-CoV-2 no organismo da pessoa vacinada, ele estará preparado, com anticorpos, para destruir essas espículas, o que impedirá que a infecção da COVID-19 se instale", detalha o médico sanitarista.

Tudo acontece porque o mRNA da vacina entre nas células do organismo e, por sua vez, elas começam a produzir a proteína especificada no mRNA. Dessa forma, uma parte do coronavírus é gerada no interior dessas células, sem possibilidade de afetar sua saúde, mas tal estrutura "copiada do vírus" é suficiente para o organismo a entender como um invasor pelo sistema imunológico. Então, as células de defesa do corpo, produzem respostas contra a parte produzida pelo invasor.

Vacina contra a COVID-19 foca nas espículas do coronavírus (Imagem: Reprodução/ Fernando Zhiminaicela/ Pixabay )
Vacina contra a COVID-19 foca nas espículas do coronavírus (Imagem: Reprodução/ Fernando Zhiminaicela/ Pixabay )

Está aí a grande novidade destas vacinas, já que adotam essa espécie de mensageiro em sua composição e que pode preparar o sistema imunológico contra a COVID-19. "Isso nunca foi utilizado em nenhuma vacina do mundo, porque essa tecnologia não estava disponível. Era uma tecnologia ainda considerada experimental [mesmo no começo deste ano], mas foi acelerada após a ocorrência do vírus", comenta Zanetta sobre o ineditismo da empreitada que pode salvar milhões de vidas.

Atualmente, são laboratórios norte-americanos e alemães que aperfeiçoam o método. Esse salto tecnológico só foi possível devido à emergência global da COVID-19, o que permitiu que essas pesquisas recebessem aporte financeiro através de grandes investimentos.

Primeiras vacinas genéticas?

Para destacar tanto o imunizante da Pfizer quanto o da Moderna, é comum escutar o termo vacina genética. No entanto, o professor Zanetta aponta que este não é o melhor termo para definir as vacinas de mRNA. "Em toda vacina se introduz um material genético do organismo contra o qual se quer imunizar, e através de fragmentos desses organismos se provoca uma reação imune no indivíduo", afirma.

Diferente dos outros tipos de vacina, estes modelos contra a COVID-19 utilizam uma estrutura já existente nas células e as ensina a produzir anticorpos contra uma estrutura específica do coronavírus. Em outros termos, as vacinas com mRNA utilizam estruturas que já existem no organismo, mas dá a elas novas funções, como a de produzir anticorpos contra o vírus da COVID-19.

"É como se introduzisse um professor preparado para ensinar uma disciplina específica no organismo: 'Como matar o coronavírus'. O mRNA chega com um código que diz: 'Destrua a proteína da espícula'. Então, o organismo vai produzir defesas contra aquela espícula. É muito específico e permite um foco melhor", ilustra o médico sanitarista.

Vacinas de RNA contra a COVID-19 não alteram o DNA (Imagem: Reprodução/ Gerd Altmann/ Pixabay)
Vacinas de RNA contra a COVID-19 não alteram o DNA (Imagem: Reprodução/ Gerd Altmann/ Pixabay)

Além disso, Zanetta explica que essa composição da vacina não pode desencadear em uma alteração genética no indivíduo. "É uma estrutura para comunicar uma mensagem, que é produzir determinada proteína, para a fábrica de proteínas da célula", comenta. Esse mecanismo faz desse tipo de vacina uma fórmula mais focada contra o agente infeccioso e pode ser adaptada para outras infecções com poucas mutações genéticas. "Provavelmente, novas gerações de vacinas serão produzidas com essa plataforma", aposta. Inclusive, essa estratégia pode ser reproduzida em larga escala, dentro de laboratórios.

Dito tudo isso, é válido ressaltar que vacinas de mRNA não alteram o código genético da pessoa imunizada, como vinham propagando algumas fake news.

O que falta para uma vacina contra a COVID-19?

As vacinas candidatas contra a COVID-19 foram desenvolvidas em tempo recorde na história da medicina, já que o coronavírus só se tornou mundialmente conhecido em dezembro de 2019, a partir de casos identificados na China. Em janeiro, pesquisadores chineses já divulgavam o sequenciamento genômico do novo agente infeccioso na internet e podiam estudá-lo, antes dos primeiros casos chegarem aos seus respectivos países.

Desde então, o mundo iniciou uma corrida por vacinas contra o coronavírus e, hoje, a OMS contabiliza mais de 200 imunizantes em desenvolvimento. Entre eles, estão os modelos da Pfizer e da Moderna, mas será que eles estariam realmente prontos para a vacinação em massa? "O resultado é surpreendentemente bom. Esses resultados ainda são da indústria e precisam de uma série de confirmações, mas eles parecem nos indicar que, talvez, não seja tão difícil transpor a barreira da imunidade e conseguir produzir vacinas com um bom efeito protetor contra o SARS-CoV-2", explica Zanetta.

Por exemplo, é preciso confirmar se a proteção contra a infecção por coronavírus é boa em todas as idades e, até o momento, os dados confirmam isso. Outro ponto é entender quanto tempo a imunidade desenvolvida dura. Nesse aspecto, mesmo que seja uma imunidade de um ano, como garante a vacina da gripe, já poderá ser uma ferramenta efetiva contra a pandemia. Por último, é observar se as pessoas vacinadas irão desenvolver quadros graves (ou não) da infecção.

Outros modelos de vacinas contra a COVID-19

Além das vacinas com mRNA, há uma série de estratégias biotecnológicas para o desenvolvimento da vacina contra a COVID-19. Em comum, a maioria dos imunizantes tem como alvo as espículas do coronavírus, também conhecidas como as proteínas spike. Para isso, outras pesquisas adotaram estratégicas com o coronavírus inativado ou ainda com um vetor viral.

Vacina de Oxford usa outros tipos de vírus para promover imunização (Imagem: Reprodução/ Public Domain Pictures/ Pixabay )
Vacina de Oxford usa outros tipos de vírus para promover imunização (Imagem: Reprodução/ Public Domain Pictures/ Pixabay )

No caso do laboratório chinês Sinovac, em parceria com o Instituto Butantan, a vacina CoronaVac foi desenvolvida a partir de fragmentos do coronavírus inativados, ou seja, quando o vírus já está "morto". Quando o sistema imunológico entra em contato com essas partes, ele desenvolve anticorpos específicos. Além dessa plataforma, a vacina Sputnik V, o modelo da Johnson & Johnson e o imunizante de Oxford, criado em parceria com a farmacêutica AstraZeneca, adotam um vetor viral não replicante para promover a imunidade.

Na composição de Oxford, a vacina ChAdOx1 nCoV-19 utiliza um adenovírus encontrado em chimpanzés e que não causa reação em humanos. Antes de ser inserido na fórmula, esse adenovírus foi editado geneticamente, perde sua capacidade de reprodução e também tem incluída, em seu material genético, a proteína spike do coronavírus. Em outras palavras, o vírus modificado carrega um identificador da COVID-19 e, assim, espera-se que as pessoas que receberam a vacina desenvolvam anticorpos contra a doença.

Vacina da COVID-19 só em 2021

Por mais que as outras estratégias não sejam tão surpreendentes para o campo da ciência, o professor Zanetta esclarece: “Mesmo as vacinas fabricadas no Brasil, com técnicas mais tradicionais [CoronaVac e de Oxford], podem ainda apresentar uma resposta do sistema imune melhor do que, originalmente, nós avaliávamos". Isso significa que também serão ferramentas igualmente importantes no controle da pandemia da COVID-19 e não devem ser descartadas.

Entretanto, o médico sanitarista faz uma ressalva quanto as expectativas sobre a chegada de um ou dois imunizantes. “Esta vacina não é para este ano. Se tudo der certo, a aplicação da vacina acontecerá em março, abril e maio", afirma Zanetta. Diante desse coronograma e com a necessidade de duas doses para a imunização completa, a primeira leva de vacinados deve acontecer entre junho e julho de 2021. Outro ponto é que, em um primeiro momento, não haverá doses suficientes para todos e a OMS estima que, se tudo correr conforme o esperado nos estudos clínicos, cerca de 20% da população mundial será vacina ainda no ano que vem. Até lá, as medidas de proteção contra a COVID-19 deverão ser mantidas.

Fonte: Canaltech

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