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Vacinas contra HPV reduzirão em massa o risco de câncer, mas só depois de 2045

·3 minuto de leitura

Vacinas são importantes aliadas da medicina para o controle de inúmeros agentes infecciosos, como o papilomavírus humano (HPV). Contra este vírus, já existem imunizantes em uso, mas a vacinação em massa só deve causar efeitos positivos na redução de casos totais da doença depois de 2045. É o que aponta um novo estudo desenvolvido por cientistas da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos.

Publicado na plataforma JAMA Oncology, o estudo envolveu a análise de bancos de dados norte-americanos sobre casos de câncer orofaríngeo — uma das possíveis complicações das infecções do HPV — e as taxas de vacinação no país. A partir desses dados, os pesquisadores projetaram o impacto da vacinação contra o HPV nas taxas desses cânceres em diferentes grupos etários.

Os resultados obtidos pela equipe da Johns Hopkins sugerem que, em 2045, a vacinação contra o vírus começará a ter um impacto significativo na queda de casos de cânceres nos EUA. Isso porque apenas os mais novos são imunizados contra a infecção e, neste momento, estarão na idade em que a maioria desses tumores aparecem.

Número total de cânceres desencadeados pelo HPV deve levar mais de 20 anos para cair, porque apenas os mais jovens são imunizados (Imagem: Reprodução/Colin Behrens/Pixabay)
Número total de cânceres desencadeados pelo HPV deve levar mais de 20 anos para cair, porque apenas os mais jovens são imunizados (Imagem: Reprodução/Colin Behrens/Pixabay)

“A vacinação contra o HPV vai funcionar na prevenção do câncer orofaríngeo, mas levará tempo para ver esse impacto, porque esses cânceres ocorrem principalmente na meia-idade”, explicou Yuehan Zhang, professor da Universidade Johns Hopkins e um dos autores do estudo.

O que é o HPV?

Vale explicar que o HPV é o vírus infeccioso sexualmente transmissível mais comum em todo o mundo. Nos pacientes contaminados, estas infecções costumam ser silenciosas e, na maioria dos casos, são controladas. No entanto, algumas podem ser crônicas e, em casos extremos, podem desencadear a formação de tumores. Isso porque o HPV pode inibir as proteínas supressoras de tumor nas células que infectam.

Entre os tipos de câncer mais comuns relacionados ao HPV estão: o câncer cervical; e os cânceres na boca e garganta (orofaríngeo). Por ano, mais de 50 mil novos casos deste segundo tipo de câncer são relatados em pacientes norte-americanos.

Estudo sobre a efetividade das vacinas do HPV contra o câncer

No estudo, os pesquisadores estimaram que a taxa de câncer orofaríngeo cairia quase pela metade entre 2018 e 2045 para as pessoas com idades entre 36 e 45, mas não de forma massiva. Isso porque a taxa do câncer na população geral permaneceria aproximadamente a mesma neste mesmo intervalo, já que as taxas devem permanecer em alta nos mais velhos.

"As tendências de aumento da incidência entre aqueles com 70 anos ou mais permanecerão inalteradas até 2045", afirmam os autores do estudo. "Esses resultados sugerem que levará mais de 25 anos adicionais para desacelerar o aumento da incidência de OPC [câncer orofaríngeo] pelas taxas atuais de vacinação contra HPV, porque a maioria das doenças estará entre indivíduos mais velhos que ainda não foram vacinados", explicam, quanto ao motivo de levar tantos anos até conseguir-se o controle da doença.

A vantagem, entretanto, será para os mais jovens que, muito provavelmente, ficarão imunizados. "Sob as taxas atuais de vacinação contra o HPV [nos EUA], entre 2018 e 2045, a incidência de OPC deve diminuir em indivíduos mais jovens (36-45 anos: de 1,4 a 0,8 por 100.000 habitantes; e 46-55 anos: de 8,7 a 7,2 por 100.000 habitantes), mas continua a aumentar entre os indivíduos mais velhos (70-83 anos: de 16,8 para 29,0 por 100.000 habitantes)", destacam os autores.

Para acessar o estudo completo sobre a vacina do HPV e diminuição dos riscos de câncer na população dos EUA, clique aqui.

Fonte: Canaltech

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