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Vacina para alergia a gatos pode ser melhorada com anticorpos contra asma

Cientistas conseguiram melhorar a eficiência de antialérgicos no sistema imune, especificamente contra pelos de gatos, ao adicionar anticorpos feitos em laboratório nas doses aplicadas. Normalmente, vacinas antialérgicas funcionavam por um ano antes de voltar a deixar o corpo à mercê das alergias: o novo tratamento promete uma solução mais definitiva.

A vacina contra alergias é um tipo de imunoterapia, utilizada há mais de um século contra seus efeitos, como coceira, lacrimejos, espirros, coriza e congestão nasal, por exemplo. Nas doses, há alérgenos, pequenas partículas do que causa a reação alérgica nos pacientes: elas devem ser tomadas semanal ou mensalmente por 3 a 5 anos, criando uma tolerância contra o alérgeno em questão.

Cientistas buscam melhorar vacinas contra alergia adicionando anticorpos às doses — e funcionou, no caso dos gatos (Imagem: stevanovicigor/envato)
Cientistas buscam melhorar vacinas contra alergia adicionando anticorpos às doses — e funcionou, no caso dos gatos (Imagem: stevanovicigor/envato)

Melhorando antialérgicos

Mas apesar do uso dessas doses já ser antigo, a ciência ainda não sabe exatamente como elas funcionam. Alguns pacientes são curados das suas alergias, enquanto outros precisam continuar recebendo a vacina para sempre. Para alérgicos aos pelos de gato, a imunidade dura apenas 1 ano. Uma equipe, então, decidiu verificar se conseguia diminuir as doses necessárias e ainda garantir um benefício a longo prazo.

Quando alergias ocorrem, células imunes produzem "alarmes" químicos que geram inflamação e outros sintomas. Ao suprimir o sinal de perigo, seria possível melhorar a imunoterapia. Foi adicionado à dose, então, um anticorpo monoclonal chamado tezepelumab, que bloquearia a linfopoietina estromal tímica, uma proteína que funciona como um alarme químico. Ela é, normalmente, utilizada para tratamento da asma.

O teste foi realizado em 121 pessoas acometidas por alergia a gatos, divididas em um grupo recebeu uma vacina comum contra alergias, outro que recebeu placebo, mais um que recebeu apenas o tezepelumab e um último que recebeu uma combinação entre a vacina comum e o tezepelumab. Sozinho, o anticorpo não se saiu melhor do que o placebo.

Não é exatamente o pelo dos gatos que causa alergia, mas sua saliva e pele morta — ainda há de se descobrir se a vacina que funcionava contra alergia aos felinos funcionará com outras alergias (Imagem: viktoriian/envato)
Não é exatamente o pelo dos gatos que causa alergia, mas sua saliva e pele morta — ainda há de se descobrir se a vacina que funcionava contra alergia aos felinos funcionará com outras alergias (Imagem: viktoriian/envato)

Quem recebeu a combinação da vacina e do tezepelumab, no entanto, teve uma redução nos sintomas de alergia após um ano de tratamento, com maior eficiência do que os que receberam a dose comum. Mesmo após o ano de tratamento, os anticorpos que geram a alergia, chamados IgE, continuaram a reduzir seus números com a dose combinada: na comum, eles voltaram a subir.

Segundo os pesquisadores, a combinação pode funcionar porque ela altera o gene do gatilho da inflamação em algumas células imunes, algo verificado pela pesquisa. Os mastócitos, tipo de célula imune, fabricaram menos triptase, uma das principais substâncias químicas liberadas durante uma reação alérgica. Isso foi examinado por coleta nasal feita com swabs.

Os resultados são bem encorajadores, mas os cientistas ainda não sabem se o tezepelumab poderá funcionar para outros tipos de alergia ou se foram apenas sortudos de encontrar o alérgeno perfeito contra os pelos de gato. Na verdade, os animais liberam uma proteína "grudenta" chamada Fel d1, presente na saliva e em flocos de pele morta, única responsável pela alergia. No caso das baratas, por exemplo, a alergia é produzida a partir de uma série de proteínas.

Fonte: Canaltech

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