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Vacina da Moderna contra COVID-19 tem mais de 94% de eficácia

Fidel Forato
·4 minuto de leitura

Na corrida por uma vacina segura e eficaz contra o novo coronavírus (SARS-CoV-2), cada vez mais imunizantes se aproximam da linha de chegada. Nesta segunda-feira (16), a farmacêutica norte-americana Moderna anunciou que sua vacina, a mRNA-1273, foi teve 94,5% eficácia na prevenção da COVID-19, durante os estudos clínicos de fase 3 ainda não revisados.

Para chegar a essa conclusão sobre a taxa de eficácia, a análise verificou dados preliminares de 30 mil pessoas que participam dos testes, em especial, 95 pacientes positivos para a infecção do coronavírus, sendo que nem todos receberam o imunizante contra a COVID-19. Vale destacar que essa taxa representa a proporção de redução de casos entre o grupo de pessoas vacinadas comparado com o grupo não vacinado (que recebeu o placebo, como é protocolar em estudos duplos-cegos).

Vacina da Moderna contra a COVID-19 alcança 94,5% de eficácia em testes (Imagem: Reprodução/ Cottonbro/ Pexels)
Vacina da Moderna contra a COVID-19 alcança 94,5% de eficácia em testes (Imagem: Reprodução/ Cottonbro/ Pexels)

De forma simplificada, afirmar que uma vacina apresenta 94,5% de eficácia, como a da Moderna, pode ser entendido como: uma pessoa vacinada tem 94,5% menos chances de contrair esta infecção, quando comprada com quem não recebeu o imunizante. A taxa não é 100% porque é muito raríssimo alguma vacina impedir, com absoluta certeza, uma infecção.

Moderna e Pfizer: duas vacinas com a mesma biotecnologia

A vacina da Moderna funciona a partir de uma fórmula que carrega um RNA mensageiro (mRNA), de forma similar ao potencial imunizante da Pfizer, para a produção de proteínas virais do coronavírus no corpo humano, depois de duas doses. Além disso, essa pesquisa tem como parceiro com o National Institutes of Health (NIH), que é um dos maiores centros de pesquisa biomédica dos EUA. Sobre essa similaridade entre as vacinas, o CEO da Moderna, Stéphane Bancel, explica: "Essas são duas vacinas excelentes que vão ajudar muitos americanos e ajudar muitas pessoas em todo o mundo".

Além de adotarem a mesma tecnologia do mRNA, os percentuais de eficácia também são semelhares. Enquanto a Moderna anunciou 94,5% de taxa de eficácia, a Pfizer disse que sua vacina obteve mais de 90% de eficácia, também em resultados preliminares. Para chegarem a esses números, a Moderna se baseou em 95 casos da COVID-19 e a revisão da Pfizer incluiu 94 casos. No entanto, ainda é cedo para definir qual das duas deve trazer mais benefícios para a população.

Por outro lado, uma diferença significativa é a forma de armazenamento das vacinas. Isso porque o imunizante da Pfizer precisa ser armazenado em uma temperatura de -70 °C; já o da Moderna pode ser armazenado em temperaturas mais viáveis para o transporte. "Com a vantagem de que esta precisa de congelamento, mas é de -20 °C, em freezer comum", comenta a pesquisadora e presidente do Instituto Questão de Ciência, Natalia Pasternak.

Vacinas da Moderna e da Pfizer contra a COVID-19 utilizam a mesma tecnologia do RNA mensageiro (Imagem: Reprodução/ WhiteSession/ Pixabay)
Vacinas da Moderna e da Pfizer contra a COVID-19 utilizam a mesma tecnologia do RNA mensageiro (Imagem: Reprodução/ WhiteSession/ Pixabay)

Como foram os testes de eficácia da vacina?

Para o estudo clínico, os voluntários da Moderna receberam, de forma aleatória, duas doses da vacina candidata contra a COVID-19 ou injeções de placebo. A partir disso, a ideia foi entender quantas pessoas ficaram doentes (resultado: 95 pessoas) e a qual grupo os contaminados pelo coronavírus pertenciam. Desses 95 doentes, 90 pessoas que receberam placebo adoeceram. Ou seja: os não-imunizados.

Outra questão levantada é que o imunizante reduziu a gravidade da infecção. No total, foram 11 casos graves da COVID-19 (entre os 95 doentes). A vantagem da vacina é que essas 11 pessoas estavam no grupo que recebeu o placebo. Isso significa que os cinco doentes que foram realmente vacinados desenvolveram quadros leves ou moderados da infecção.

Embora os dados já observados até o momento sejam animadores, é preciso aguardar a conclusão do estudo, na qual essas porcentagens poderão variar, ainda.

Depois que mais 56 voluntários do estudo contraírem a COVID-19, os resultados finais da pesquisa por uma vacina contra a infecção devem ser publicados. Neste momento, a farmacêutica deve solicitar uma autorização de uso emergencial da vacina para a Food and Drug Administration (FDA), nos Estados Unidos. Por fim, após registro e liberação, as pessoas começarão a ter acesso a esse imunizante contra o coronavírus — o que não deve tardar a acontecer.

Fonte: Canaltech

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