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#Verificamos: É falso que ‘testes bem-sucedidos’ de vacina contra a Covid-19 foram realizados na França

É falso que ‘testes bem-sucedidos’ de vacina contra a Covid-19 foram realizados na França - Foto: Governo do Estado De São Paulo
É falso que ‘testes bem-sucedidos’ de vacina contra a Covid-19 foram realizados na França - Foto: Reprodução

por CHICO MARÉS

Circula nas redes sociais um texto que diz que pesquisadores franceses anunciaram “testes bem-sucedidos” de vacina contra a Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa​:

“Anunciados os primeiros testes bem-sucedidos da vacina contra coronavírus na França”
Título de texto publicado no site QuerVer que, até as 13h30 do dia 25 de março de 2020, tinha sido compartilhado por mais de 700 pessoas

FALSO

O título do conteúdo publicado pelo site QuerVer no último dia 25 de março é falso. O texto em si fala de uma pesquisa, já amplamente noticiada, sobre o uso da hidroxicloroquina no tratamento de pessoas infectadas com o SARS-CoV-2, vírus que causa a Covid-19. A hidroxicloroquina não é uma vacina.

Vacinas servem para proteger uma pessoa saudável de uma doença infecciosa. Normalmente elas são compostas de formas atenuadas ou mortas dos próprios vírus ou bactérias que causam a doença. Ao introduzir patógenos inativos, as vacinas “enganam” o sistema imunológico, que passa a produzir anticorpos para combater esses microorganismos. Quando e se a pessoa efetivamente contrair o patógeno ativo, a resposta do organismo será mais rápida, e, se a vacina for eficiente, ela quase certamente não desenvolverá a doença ou terá uma forma mais branda. Outras tecnologias mais modernas adotadas no desenvolvimento desses produtos usam proteínas do vírus ou até moléculas de RNA para provocar uma resposta imune.

A hidroxicloroquina, por sua vez, está sendo testada como um potencial tratamento para a Covid-19. Ou seja, ela pode ser eficiente no tratamento de pessoas que já estão infectadas com o vírus. Não há rigorosamente nenhum indício de que essa droga ajude a imunizar pessoas que ainda não contraíram a doença.

Na semana passada, um grupo de pesquisadores da Universidade de Aix-Marseille, no sul da França, divulgou um estudo clínico sobre o uso de hidroxicloroquina e azitromicina no tratamento da Covid-19. Como a Lupa noticiou na última sexta-feira, o resultado foi positivo, mas o estudo é bastante preliminar: a amostra é pequena, a seleção de pacientes não foi randomizada e ainda não houve revisão por parte de outros cientistas. 

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Maurício Moraes