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Vacina BCG completa 100 anos e tem aplicação bastante ampla; conheça mais

·6 minuto de leitura

Um século. Essa é a idade da vacina BCG, aplicada pela primeira vez em um paciente em 1º de julho de 1921, em Paris. Criada pelo médico León Charles Albert Calmette e pelo veterinário Jean-Marie Camille Guérin, a fórmula foi desenvolvida no Instituto Pasteur de Lille, na França, para proteger contra a bactéria que causa a tuberculose, chamada Mycobacterium bovis. O imunizante começou a ser usado no Brasil em 1927, ainda na forma oral, mas se tornou obrigatório por aqui somente quase 50 anos depois, em 1976, ao ser incorporado ao calendário vacinal brasileiro.

Quando o Programa Nacional de Imunização (PNI) determinou o momento em que cada imunizante deveria ser aplicado nos brasileiros, a BCG foi agendada para as primeiras semanas de vida do recém-nascido. “Isso fez com que, durante muito tempo, ela fosse uma das vacinas com maior cobertura vacinal no Brasil”, diz Theolis Bessa, tecnologista em saúde pública do Instituto Gonçalo Moniz, a unidade da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) na Bahia, em entrevista ao Canaltech. Em todo o mundo, a BCG é aplicada em cerca de 120 milhões de recém-nascidos anualmente.

Imagem: Reprodução/Elements/choreograph
Imagem: Reprodução/Elements/choreograph

E, mesmo sendo uma fórmula centenária, o imunizante está em testes porque os pesquisadores querem descobrir se ele pode ter efeitos positivos contra a COVID-19 — doença descoberta há um ano e meio. Sendo derivada de uma bactéria, por que serviria para combater um vírus? Na opinião de Theolis, a BCG é uma vacina curiosa. Isso porque sua atuação vai além da micobactéria tuberculosa contra a qual foi criada: ela induz imunidade treinada nos vacinados.

Acredita-se que essa proteção seja a responsável pela defesa mediada da BCG contra infecções virais. “A micobactéria da BCG é um microrganismo vivo que abriga muitos componentes imunogênicos em sua parede celular. Alguns dos receptores presentes ali podem ativar as células do sistema imune inato — a primeira linha de defesa do organismo”, diz Theolis. “Esse microrganismo é até usado como adjuvante em outras vacinas por estimular muito o sistema imune inato.”

As respostas do sistema imune inato têm amplo espectro e, por isso, funcionam contra uma vasta gama de microrganismos. “A vacina BCG pode fornecer imunidade não específica contra muitos patógenos, além da imunidade específica contra a micobactéria tuberculosa”, destaca Gonzalo Vecina Neto, fundador da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e professor da faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP). “É como se o imunizante convocasse as células do sistema imunológico para que combatam uma doença em uma determinada região.”

Marquinha no braço

Se você ainda não sabe, a BCG é aquela vacina que deixa uma cicatriz no braço da maioria dos indivíduos que a recebem — é conhecida por muitos como vacina da marquinha. Apesar disso, tem um excelente perfil de segurança. “Ela pode ser aplicada em todos os grupos etários e os efeitos colaterais são extremamente raros”, diz Pramod Kumar Gupta ao Canaltech. “Se houver reações alérgicas, o próprio organismo se encarrega delas.”

Gupta é cientista do Bhabha Atomic Research Centre, em Mumbai, na Índia. Em junho de 2020, ele publicou um artigo na revista holandesa Cellular Immunology sobre as possibilidades oferecidas pela vacina BCG contra a COVID-19. “A BCG protege contra infecções respiratórias não específicas”, destaca. “Muitos grupos de pesquisa observaram que a mortalidade por COVID-19 era menor em países com programas de vacinação que incluem a BCG”, completa Theolis.

Imagem: Reprodução/Elements/davidpereiras
Imagem: Reprodução/Elements/davidpereiras

Esse trabalho observacional levou à ideia de iniciar uma investigação mais aprofundada. Foi, então, criado o estudo internacional Brace Trial, do qual participam a Austrália, o Reino Unido, a Espanha, a Holanda e o Brasil. O objetivo da pesquisa é avaliar se a vacinação com BCG pode reduzir o impacto da COVID-19 em trabalhadores de saúde, população mais exposta ao novo coronavírus. “Os testes clínicos estão em andamento em várias partes do mundo, mas os resultados ainda não estão prontos”, conta Gupta. “Espera-se que o imunizante tenha um efeito moderado”, diz Theolis. “Não de evitar a doença, mas de melhorar a condição dos pacientes a partir da imunidade treinada por oferecer essa proteção inespecífica.”

E há possibilidade de a população de um país como o Brasil, em que a vacina BCG faz parte do calendário vacinal e é aplicada logo após o nascimento, estar mais protegida contra a COVID-19? Gupta explica que a imunidade treinada obtida com a BCG não dura para sempre. “Ela é diferente das células de memória, dos tipos B e T, do sistema imune adaptativo. Sem os resultados dos estudos, é difícil dizer se esses indivíduos estão mais protegidos.”

Para o cientista, embora a BCG ofereça um certo grau de proteção em crianças, na população adulta essa hipótese pode não ser válida. “Basta olhar para os altos números de mortes pela doença no Brasil, onde todo mundo recebe a vacina BCG logo depois que nasce”, completa.

Uso off-label de medicamentos

O uso de medicamentos que não foram desenvolvidos especificamente para uma doença, mas fazem efeito para outras — conhecido como uso off-label — é comum. Theolis explica que esse tipo de uso é regulamentado em contextos de pesquisa clínica. “Quando se tem indicações de eficácia, mesmo que ainda parciais, ele passa a ser aplicado a pacientes, mesmo sem a confirmação cabal da eficácia”, detalha. “Em pediatria, essa prática é bastante comum, porque é muito raro que os ensaios clínicos incluam bebês e crianças.”

Imagem: Reprodução/Elements/stevanovicigor
Imagem: Reprodução/Elements/stevanovicigor

A capacidade de estimular a resposta imunológica contra diferentes patógenos fez a BCG ser escolhida, por exemplo, como componente do tratamento de câncer superficial de bexiga. Afinal, ela é capaz de modular o sistema imunológico de maneira positiva no combate a várias doenças. Artigos acadêmicos relatam, ainda, que seu uso ajuda a reduzir, em longo prazo, a hiperglicemia em diabetes tipo 1 avançado, tem efeitos terapêuticos em pacientes com asma e diminui a morbimortalidade associada a infecções virais.

Em situações de pandemia, quando o vírus é novo, a quantidade de pacientes infectados aumenta muito rapidamente e a infraestrutura de saúde tem de absorver esse fardo extra. A COVID-19 tem todas essas características. Sem fórmulas criadas especificamente para tratá-la, os médicos optam por medicamentos indicados para outras doenças na tentativa de, ao menos, aliviar os sintomas do paciente.

Como a BCG funciona com outros vírus respiratórios e estimula a imunidade treinada, é plausível acreditar que ela possa ter efeitos positivos contra a COVID-19. Mesmo assim, é preciso esperar os resultados para saber realmente se ela tem o efeito esperado. “Muitos testes funcionam in vitro, mas não sobrevivem no modelo animal. Com a emergência da pandemia, diferentes substâncias foram testadas, mas nada funcionou de forma realmente eficaz”, lembra Theolis.

É por isso que os ensaios clínicos com a BCG se tornaram um estudo formal. “Em Ciência é preciso testar. Apesar de muitas moléculas parecerem viáveis em laboratório, as que vão para ensaios clínicos são raras. Então, é importante que todo esse processo seja seguido para garantir que a BCG realmente é adequada como se imagina”, finaliza.

Fonte: Canaltech

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