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Vacinação de crianças contra covid pode começar só em 2022 no Brasil

·4 minuto de leitura

No Brasil, adolescentes com mais de 12 anos já podem se imunizar contra a covid-19. No entanto, ainda não há uma previsão do Ministério da Saúde para quando crianças, entre 5 e 11 anos, serão imunizadas no país. De acordo com especialistas da área médica, a imunização pediátrica deve começar apenas no ano que vem.

Atualmente, somente é permitido o uso da vacina da Pfizer/BioNTech em pessoas com 12 anos ou mais. Esta é a única fórmula autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para quem tem menos de 18 anos e, por enquanto, não existem planos para ampliar a imunização nacional entre as crianças.

Anvisa não autoriza nenhuma vacina contra a covid-19 para crianças (Imagem: Reprodução/Davidpereiras/Envato Elements)
Anvisa não autoriza nenhuma vacina contra a covid-19 para crianças (Imagem: Reprodução/Davidpereiras/Envato Elements)

Vacinação infantil em outros países

Países nas Américas já imunizam crianças com menos de 11 anos contra covid-19. Mais recentemente, a Argentina aprovou o uso da fórmula da Sinopharm para quem tem entre 3 a 11 anos. Além dos argentinos, o Chile vacina maiores de 6 anos com a CoronaVac. Em Cuba, crianças com 2 anos completos podem ser imunizadas com a vacina Soberana 2, desenvolvida no próprio país.

Em Israel, a fórmula da Pfizer/BioNTech já é usada em crianças com mais de 5 anos, com foco nos indivíduos com comorbidades. Enquanto isso, na China, o país autoriza a aplicação da CoronaVac e da fórmula da Sinopharm em crianças acima de 3 anos. Já a Índia passou a recomendar vacina Covaxin para crianças a partir de 2 anos, desde terça-feira (12).

No caso brasileiro, é possível que duas vacinas possam, em breve, ser aplicadas no público pediátrico, pelo menos no que depender dos fabricantes. São os casos da CoronaVac e da fórmula da Pfizer/BioNTech, mas ainda falta aval da Anvisa para a concretização desses planos.

Pfizer e CoronaVac

Pedido da Pfizer nos EUA

Na última quinta-feira (7), a Pfizer solicitou a autorização para o uso emergencial da vacina contra a covid-19 em crianças de 5 a 11 anos nos EUA. Caso a licença seja concedida, é provável que pedidos do tipo se tornem comuns em outros países, incluindo o Brasil.

"Desde julho, casos pediátricos de covid-19 aumentaram em cerca de 240% nos Estados Unidos, enfatizando a necessidade de saúde pública de vacinação", afirmou o presidente executivo da Pfizer, Albert Bourla, em comunicado. O posicionamento destaca a importância da vacinação pediátrica.

Pfizer pede licença de uso de vacina contra a covid-19 em crianças nos EUA (Imagem: Reprodução/Prostock-studio/Envato Elements)
Pfizer pede licença de uso de vacina contra a covid-19 em crianças nos EUA (Imagem: Reprodução/Prostock-studio/Envato Elements)

Em estudo ainda não divulgado, a Pfizer e a BioNTech anunciaram que o imunizante desencadeia uma boa resposta imunológica em crianças de 5 a 11 anos. Segundo os desenvolvedores, as evidências descobertas permitem afirmar que o imunizante é seguro e eficaz para esta faixa etária.

Negativa inicial da Anvisa para a CoronaVac

Em agosto, a Anvisa rejeitou o pedido para o uso da CoronaVac em crianças e adolescentes, de 3 a 17 anos, solicitado pelo Instituto Butantan. De acordo com a agência reguladora, faltaram dados que comprovassem a segurança e a eficácia da fórmula neste grupo etário. Durante a votação da análise, um dos relatores explicou que houve um "número insuficiente" de voluntários que participaram do estudo.

No entanto, a resposta negativa ao pedido não impede que novos dados sejam analisados e nem que o entendimento sobre a segurança e eficácia da CoronaVac seja revisto pela Anvisa. Para isso, o Butantan deve apresentar mais informações e outros estudos sobre o uso no público pediátrico, o que ainda deve acontecer.

Expectativa para a vacinação das crianças contra covid

“Dificilmente essa faixa etária [entre 5 e 11 anos] conseguirá ser vacinada contra o vírus em 2021. Ainda estamos utilizando a vacina da Pfizer em adolescentes, na dose de reforço, em idosos, em imunossuprimidos e em profissionais de saúde. Além daqueles que já tomaram a primeira dose e necessitam tomar a segunda — que muitos lugares estão antecipando”, explicou o médico infectologista do Hospital das Forças Armadas (HFA), Emerson Luiz, para o jornal Correio Braziliense.

Nesse sentido, as doses disponíveis dos imunizantes contra a covid-19 devem atender, prioritariamente, os outros públicos no momento. No entanto, a situação pode mudar com a ampliação da autorização de uso da fórmula da Pfizer pela Anvisa ou ainda com a licença de uso pediátrico de outro imunizante. O cenário também pode ser afetado com a chegada de mais lotes de vacinas.

Fonte: Canaltech

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