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Vítima cai em golpe do falso leilão de carro e transfere R$ 20 mil pelo Pix

Letycia Cardoso
·6 minuto de leitura
Foto: Pixabay

Interessado em comprar um carro, o empresário Rafael Marinatto, de 38 anos, começou a pesquisar por leilões de veículos na internet. Para se resguardar, perguntou ao vizinho, que tinha o hábito de fazer tais operações, em qual site costumava comprar e seguiu a dica. O que não imaginava, no entanto, é que o portal havia sido clonado. Sem desconfiar, perdeu R$ 20 mil ao fazer um Pix para os criminosos.

O vizinho de Rafael indicou o leiloeiro Rogério Menezes. Porém, ao fazer a busca no Google, encontrou no primeiro resultado um endereço falso, posicionado desta maneira porque o link estava patrocionado. Dessa forma, ao invés de acessar www.rogeriomenezes.com.br/, acabou induzido ao site leiloesrogeriomenezes.com/br/, o qual é uma armadilha.

— É tão bem feito que termo falso de arremate tem o mesmo nome fantasia do leiloeiro verdadeiro, mesmo endereço e mesmo CNPJ. Se o seu lance for coberto por outra pessoa, você recebe um e-mail. Além disso, assim que faz o login, recebe uma confirmação. Parece que é um negócio sério. O site ainda diz ser homologado pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) — conta o empresário.

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Após duas semanas acompanhando leilões, ele resolveu arrematar um Ônix LTZ 1.4 2016/2016 por R$ 20.790, de um lote de veículos supostamente recuperados pelo Santander. Na tabela Fipe, que serve de parâmetro para negociações de compra e venda, o veículo custa R$ 40.391, quase o dobro do valor pago. Os golpistas enviaram, então, uma conta do Bradesco para transferência em nome de uma pessoa física e pediram que ele realizasse um Pix.

— Eles afirmaram que era um representante legal da empresa. Fiz um Pix pelo Itaú no dia 19 de novembro e enviei o valor total. Depois de descobrir que se tratava de uma armadilha, no dia 23, entrei em contato com o meu banco pedindo o cancelamento da operação e fiz uma reclamação no Banco Central — conta a vítima.

A advogada especialista em Direito do Consumidor, Isabela Meijueiro, aconselha o consumidor a ficar atento em compras pela internet. Segundo ela, caso esteja adquirindo algo de uma empresa, a conta para depósito deve ser da própria empresa, em seu CNPJ.

— Geralmente, quando pedem para depositar em conta de pessoa física é golpe. Por exemplo, se estou comprando nos site ‘Leilões Legais Ltda’, devo depositar na conta de titularidade de ‘Leilões Legais Ltda’ e não na conta de ‘João da Silva’ — orienta Isabela: — Acionar judicialmente sempre é possível, mas deve ser analisado caso a caso.

Veja ainda:

A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro afirmou que as investigações estão em andamento na 81ª DP ( Itaipu) para identificar o proprietário do site de leilões envolvido na denúncia. Duas outras vítimas já prestaram depoimento na unidade policial.

O TJRJ orientou que, antes de participar de leilões, o interessado primeiramente verifique se o leilão é extrajudicial ou judicial. Em seguida, ele deve confirmar a idoneidade do leiloeiro, avaliar a documentação do bem, para se certificar se não há dívidas pendentes que recaem sobre o bem, e se certificar de que o leiloeiro está inscrito na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro (JUCERJA).

O Santander, que teve o nome usado pelos criminosos, disse, em nota, que "não há relação entre a conduta do banco e o dano sofrido pelo cliente", já que trata-se na de uma fraude causada por ato de terceiro. O banco também orientou que, caso desconfiem terem sido vítimas de fraude, os consumidores entrem em contato com a instituição imediatamente.

O Bradesco, banco para o qual foi feita a transferência, ressaltou que não se trata de fraude no Pix, porque houve uma transação espontânea do remetente, o qual entendeu que estaria adquirindo um veículo em suposto leilão. O banco ainda afirmou que "busca orientar seus clientes sobre a importância de verificar a veracidade desses leilões, com avaliações em sites como Procon e Reclame Aqui" e que "investe em educação e conscientização sobre fraudes, mantendo o site seguranca.bradesco".

Já o Itaú Unibanco, instituição da qual a vitima é cliente, alegou que "a transação foi realizada com a confirmação da senha pessoal e exclusiva, dentro dos limites diários disponíveis e nos canais habituais de uso do cliente". Apesar disso, o banco, que autorizou um Pix de R$ 20 mil, não esclareceu quais limites são esses.

O Itaú também disse que não poderá reverter a transação porque as regras e critérios para operações via Pix são definidas pelo Banco Central e não preveem essa alternativa.

O site clonado pelos criminosos, Rogério Menezes, foi procurado mas não respondeu às perguntas da reportagem.

1) Se o site for o primeiro que aparecer na busca do Google

Verifique se esse resultado é fruto de um anúncio ou uma busca orgânica, ou seja, dos sites mais acessados pelos internautas. Para conferir se o site é confiável, você pode fazer a pesquisa em https://possoconfiar.com.br/ ou https://www.psafe.com/dfndr-lab/pt-br/

2) Da URL com final .com/br/

Muitos sites criminosos têm esse final. Por isso, antes de dar seus dados, faça mais algumas buscas para ter certeza que não se trata de um golpe;

3) Quando o preço estiver barato demais

Quando a esmola é demais, o santo desconfia, não é mesmo? Então, analise o preço do mesmo modelo de veículo em outros sites de leilões. Mesmo se tratando de um leilão, o carro não será comercializado tão abaixo do valor da tabela Fipe;

4) Se pedirem que você faça uma transferência com urgência

Principalmente antes de feriados e fins de semana, desconfie de vendedores que apelam para compras impulsivas. Isso pode ser um golpe!

5) Ao pedirem para transferir para pessoa física

Se a empresa é séria, tem um CNPJ, você deve transferir para uma conta comercial. Não caia na cilada de transferir para pessoa física, mesmo que aleguem que tal indivíduo é representante legal da companhia.

Para se certificar que o negócio é real e não se trata de um golpe:

1) Entre em contato com o banco responsável pelo lote de carros a serem leiloados e veja se ela realmente possui ligação com o portal;

2) Verifique nos sites dos Tribunais de Justiça se o portal é realmente homologado.

Em São Paulo, é possível verificar pelo link: www.tjsp.jus.br/auxiliaresjustica/auxiliarjustica/consultapublica

No Rio de Janeiro, pelo endereço: http://www.tjrj.jus.br/web/guest/institucional/dir-gerais/dgjur/gbjur/credenciamento-leiloeiros-publicos-corretores-imoveis

3) Veja em sites de reclamação de consumidores se há alguma queixa registrada contra o endereço.