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Vírus suíno é suspeita de morte de paciente transplantado com coração de porco

David Bennet, o norte-americano de 57 anos que recebeu o primeiro transplante de coração vindo de um porco na história da medicina, morreu em 8 de março deste ano, quase dois meses após a operação. As razões de seu falecimento, apesar de ainda incertas, estão começando a ser desvendadas, gerando implicações para futuros xenotransplantes, como o dele.

O coração, que havia sido modificado geneticamente para evitar rejeição pelo corpo de Bennet, apresentou sinais de um vírus suíno, segundo informações do cirurgião que realizou sua cirurgia — Bartley Griffith — e que relatou o caso para a revista MIT Technology Review em 4 de maio. Ele é cirurgião na Faculdade de Medicina da Universidade de Maryland, onde o paciente foi operado e também comentou sobre o assunto em uma apresentação na Sociedade Americana de Transplantes, em 20 abril.

O coração transplantado foi modificado geneticamente para não correr o risco de ser rejeitado pelo paciente, mas não escapou de trazer o citomegalovírus consigo (Imagem: Ali Hajiluyi/Unsplash)
O coração transplantado foi modificado geneticamente para não correr o risco de ser rejeitado pelo paciente, mas não escapou de trazer o citomegalovírus consigo (Imagem: Ali Hajiluyi/Unsplash)

Vírus animais e preocupações médicas

Antes de realizar cirurgias em animais, e especialmente no caso do paciente humano, são realizados diversos testes para detectar a presença de bactérias, vírus e quaisquer outros problemas passíveis de impactar na saúde do órgão transplantado — e foi isso que os médicos fizeram no então futuro coração de Bennet. À época, não foi encontrado nenhum patógeno, mas, 20 dias após a cirurgia, foi detectado o citomegalovírus suíno (CMV) no paciente, em níveis baixos.

A questão é que o teste havia sido feito no focinho do porco, ou seja, detectava infecções ativas, e não latentes: o vírus estava latente, ou seja, "escondia-se" em outros tecidos do animal. Griffith chegou a pensar que pudesse ser um erro laboratorial quando o patógeno surgiu no paciente, baixo como era o nível do vírus.

Depois de 45 dias da data da cirurgia, no entanto, Bennet começou a ficar muito doente, respirando com dificuldade, esquentando e perdendo a atenção. A essa altura, os níveis do vírus estavam ficando bastante altos. Acredita-se que essa infecção possa ter contribuído para o óbito do paciente, embora a causa exata não seja confirmada, ou, ao menos, não divulgada.

Especialistas dizem ser fácil detectar e remover o CMV de populações suínas, mas quando ele está latente, como no coração de Bennet, as coisas ficam mais difíceis (Imagem: Kenneth Schipper Vera/ Unsplash)
Especialistas dizem ser fácil detectar e remover o CMV de populações suínas, mas quando ele está latente, como no coração de Bennet, as coisas ficam mais difíceis (Imagem: Kenneth Schipper Vera/ Unsplash)

Apesar de tudo, a cirurgia havia sido bem-sucedida, sem sinais de rejeição e com o funcionamento do coração tendo passado pelo marco de um mês, crítico para qualquer paciente transplantado. Quando Bennet recebeu o transplante, a inovação deu esperança a pacientes necessitando de novos órgãos, especialmente os de estado crítico, como ele, devido à escassez de órgãos humanos doados. Mas a notícia do vírus pode ter sido um balde de água fria.

Levantam-se, agora, preocupações acerca de consequências não previstas nos pacientes xenotransplantados, como a introdução de doenças animais anteriormente não contraídas por seres humanos, especialmente após a pandemia do novo coronavírus e a crença de que a doença possa ter vindo de um animal selvagem não identificado. Caso não seja possível detectar ou controlar infecções animais vindas de órgãos transplantados, fica difícil justificar a realização de tais operações.

Fonte: Canaltech

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