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Vídeo: 'A voz do povo é a voz de Deus', diz Bolsonaro após gritos de 'Renan vagabundo' no Ceará

·2 min de leitura
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RIO - O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou nesta quarta-feira que "a voz do povo é a voz de Deus" após a plateia entoar "Renan vagabundo" durante evento em Russas, no Ceará. O comentário foi feito depois de uma sugestão do ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, que estava ao lado do chefe do Executivo durante seu discurso.

No evento, Bolsonaro disse, horas após a apresentação do relatório final da CPI da Covid que pede seu indiciamento por dez crimes, que não tem "culpa de absolutamente nada" e que seu governo fez "a coisa certa desde o primeiro momento". Enquanto o documento ainda era lido na comissão, o presidente afirmou que a CPI não fez nada "produtivo" e apenas gerou "ódio e rancor".

Enquanto discursava que sempre esteve no meio do povo e levou uma mensagem diferente do pavor, Bolsonaro foi interrompido pelos presentes, que começaram a gritar "Renan vagabundo", em alusão ao senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da CPI da Covid. Fora do microfone, Marinho sugere que o presidente diga que "a voz do povo é a voz de Deus" e é acatado.

— Como seria bom se aquela CPI tivesse fazendo algo de produtivo para o nosso Brasil. Tomaram tempo de nosso ministro da Saúde, de servidores, de pessoas humildes e de empresários. Nada produziram, a não ser o ódio e o rancor entre alguns de nós. Mas nós sabemos que não temos culpa de absolutamente nada. Sabemos que fizemos a coisa certa desde o primeiro momento — emendou o presidente.

O relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL), atribuiu dez crimes a Bolsonaro: epidemia com resultado de morte, infração de medida sanitária, incitação ao crime, falsificação de documento particular, emprego irregular de verbas públicas, prevaricação, crimes contra a humanidade, crimes de responsabilidade, violação de direito social e incompatibilidade com o decoro do cargo.

Também nesta quarta-feira o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) afirmou que as acusações da CPI da Covid feitas ao presidente são "piada de muito mau gosto" e imitou a risada do pai para mostrar como ele reagirá aos crimes imputados pelo relatório da comissão. Questionado por jornalistas sobre como Bolsonaro vai receber o conteúdo do relatório final, respondeu:

— Ele receberia da seguinte forma. Conhece aquela gargalhada dele? Ha ha ha. Não tem o que fazer de diferente disso. É uma piada de muito mau gosto — disse o parlamentar. — É um relatório inconstitucional. Não há nada que se aproveite. E ele (Renan Calheiros) prestou um grande desserviço à população — acrescentou.

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