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Vênus, o "planeta infernal", parece ter perdido menos água do que se esperava

Danielle Cassita
·3 minuto de leitura

Hoje, com temperatura e pressão extremas, Vênus é um planeta que está longe de ser considerado hospitaleiro. Entretanto, as coisas nem sempre foram assim por lá: no passado, o planeta possivelmente teve atmosfera bem mais fria que a atual e oceanos líquidos em sua superfície, mas algo fez com que essa água se perdesse. Agora, uma tese de doutorado mostra que a perda de água foi bem menor do que se pensava até então.

A tese é de Moa Persson, do Swedish Institute of Space Physics (IRF) e Umeå University. Para produzi-la, Moa realizou análises sobre como o vento solar — o fluxo de partículas carregadas que vem do Sol — causa efeitos na atmosfera venusiana e fez com que partículas atmosféricas do planeta “fugissem” para o espaço. Ainda, ela analisou dados coletados pelo instrumento ASPERA-4 na missão Venus Express, da Agência Espacial Europeia, que foi lançada em 2005 e orbitou o planeta durante oito anos.

Representação das interações com o vento solar (Imagem: Reprodução/ESA/Image by C. Carreau)
Representação das interações com o vento solar (Imagem: Reprodução/ESA/Image by C. Carreau)

Persson explica que, hoje, a superfície de Vênus é tão quente e seca que é comparável ao conceito de inferno, mas essas condições são bem diferentes daquelas do passado: houve água que poderia chegar a algumas centenas de metros se tivesse se espalhado igualmente pela superfície. “Essa água desapareceu, e minha tese mostra que apenas alguns decímetros dela se perderam para o espaço”, coloca. Ela se baseou em medidas dos íons, partículas carregadas ao redor de Vênus: em média, dois prótons saem da atmosfera para cada íon de oxigênio.

Isso indica perda de água, e a quantidade de íons que “fogem” é afetada pelo vento e ciclo solar, e Persson mostra que o número de prótons escapando também depende do ciclo: durante o mínimo solar, a etapa em que as manchas solares caem para a menor quantidade do ciclo, há mais prótons escapando do que durante o máximo, porque é nesta etapa que vários deles voltam ao planeta. Além disso, a quantidade de íons de oxigênio que escapam também sofre efeito das variações do vento solar.

A autora conclui que os resultados indicam que os processos de escape do oxigênio não podem explicar a perda do oceano na superfície do planeta. Por outro lado, os resultados da tese podem ser comparados a estudos similares feitos sobre Marte e a Terra, e comparar estes três planetas é uma maneira de entendermos como o vento solar pode afetar a atmosfera deles. Por exemplo, considere a Terra: devido ao campo magnético forte do nosso planeta, a perda de atmosfera para o espaço é maior do que aquela que ocorre em Vênus e Marte.

Agora, Persson espera que mais estudos comparativos sejam feitos sobre as perdas atmosféricas de Vênus, Terra e Marte: “isso é especialmente interessante agora que sinais de vida podem ter sido encontrados em Vênus”, finaliza. A tese, intitulada “Escape to space or return to venus: ion flows measured by venus express”, pode ser acessada aqui.

Fonte: Canaltech

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