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Usuários do Facebook pagam até R$ 1,5 mil para recuperar contas roubadas

·4 minuto de leitura

Uma das redes sociais mais usadas do mundo, o Facebook não está imune a ação de criminosos que roubam ou sequestram perfis de seus usuários. Embora a rede social ofereça recursos de recuperação aos usuários afetados, relatos mostram que esse é um processo demorado e que muitas vezes só ganha velocidade quando as vítimas investem na compra do Oculus Quest 2, dispositivo de realidade virtual vendido pela empresa.

Uma reportagem publicada pela NPR, organização sem fins lucrativos que analisa dados do setor de comunicação, reuniu relatos de 19 ouvintes que relataram dificuldades em lidar com os sistemas automatizados da companhia. Entre as reclamações mais comuns está a impossibilidade de contatá-la através de ligações telefônicas e a demora no processo de análise dos documentos requisitados para a recuperação de uma conta — em muitos casos, eles só são aprovados se o usuário afetado cobre todos os dados que não sejam seu nome e sua fotografia pessoal.

Segundo o Facebook, o processo de recuperação está mais lento devido aos impactos da COVID-19, que diminui o número de funcionários dedicado à checagem de dados. Embora a companhia também use sistemas de inteligência artificial no processo, ela reconhece que o tempo de espera não está normalizado “Também sabemos que precisamos continuar melhorando nessa área e planejamos investir mais no futuro”, afirmou uma porta-voz ao NPR.

Solução de R$ 1,5 mil

Para muitos, a solução para reaver suas contas do Facebook foi investir na compra do Oculus Quest 2, aparelho de US$ 300 (R$ 1,5 mil) vendido pela companhia. Como o dispositivo possui um sistema de suporte próprio, usuários de sites como o Reddit afirmam que isso torna mais rápido comprar o produto e devolvê-lo do que esperar por uma resposta dos meios de recuperação centrais da rede social.

Imagem: Divulgação/Facebook
Imagem: Divulgação/Facebook

“A única maneira que você consegue qualquer serviço ao consumidor é se provar que você realmente comprou algo deles”, afirmou Brandon Sherman, que recorreu ao método. Apesar de a opção funcionar para muitos, nem sempre investir no aparelho é garantia de uma recuperação rápida das contas.

Embora o investimento em um aparelho do qual muitas pessoas não precisam pareça alto, ele é pequeno diante dos riscos que perder acesso ao Facebook pode trazer. Uma conta invadida pode ter seus métodos de pagamento comprometidos e, nos casos em que a vítima gerencia páginas de negócios e oferece a venda de produtos, isso pode resultar em prejuízo a consumidores e na vandalização de suas páginas.

“Pensamos nisso como uma espécie de brinquedo ou algo para se divertir, mas as pessoas compartilham notícias nele, pessoas se informam, é um álbum de fotos”, afirma John Morgan, que teve sua conta desabilitada após invasores vandalizarem uma das páginas que ele ajudava a administrar. “Eu acho que o que eu aprendi com minha experiência é que eu realmente preciso pensar sobre como uso isso, e o que significa perder isso”.

Como se proteger?

Para evitar perder o acesso à sua conta ao Facebook, é preciso ficar atento a algumas medidas simples de segurança:

  • Evite compartilhar dados de login com outras pessoas;

  • Tome cuidado com aplicativos terceiros que exigem login com seus dados do Facebook;

  • Use uma senha única e forte (misturando caracteres maiúsculos, minúsculos, especiais e numerais com ao menos 12 dígitos). Ao usar a mesma senha em diversos serviços, você corre o risco de que um vazamento de dados comprometa o acesso a todos eles;

  • Configure a proteção em duas etapas: isso garante que, mesmo que sua senha seja descoberta, invasores não vão conseguir acessá-la sem a sua permissão.

Segundo Jon Clay, vice-presidente da empresa de segurança Trend Micro, muitas das invasões de contas da rede social têm motivação financeira. Ele afirma que muitos invasores podem contatar amigos próximos para pedir depósitos em dinheiro, ou vender as contas comprometidas no mercado negro.

As ações dos criminosos também podem ter motivação política e usar a contas afetadas para espalhar desinformação ou sites que possuem notícias falsas — ou que abrigam malwares. “O fato de que a mídia social é agora uma grande parte da vida de todos significa que ela se tornou um grande alvo”, finaliza.

Fonte: Canaltech

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