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USP testa vacina em spray contra a COVID-19

·3 minuto de leitura

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), pelo menos 100 tipo de vacinas contra a COVID-19 estão sendo desenvolvidas em todo o mundo. Entre os projetos de imunização para o novo coronavírus (SARS-CoV-2), a Universidade de São Paulo (USP) aposta em uma vacina aplicada através de um spray nasal.

O uso do formato do spray acontece porque esse modelo já foi testado com sucesso, pela instituição, em camundongos contra hepatite B e, agora, é redirecionado para conter a pandemia. Dessa vez, a equipe de pesquisadores da USP é coordenada pelo médico veterinário Marco Antonio Stephano, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF), e desenvolve uma nanopartícula capaz de carregar uma proteína identificadora do novo coronavírus.

Pesquisadores da USP estão desenvolvendo vacina em spray contra a COVID-19 (Foto: reprodução/ Governo de São Paulo)
Pesquisadores da USP estão desenvolvendo vacina em spray contra a COVID-19 (Foto: reprodução/ Governo de São Paulo)

Como funciona?

A vacina em spray e aplicada dentro das narinas do pacientes e, dessa maneira, espera-se que o corpo produza determinados anticorpos contra o coronavírus — induzidos a partir das nanopartículas — que estarão presentes na saliva, na lágrima, no colostro e em superfícies do trato respiratório, intestino e útero. “Além de inibir a entrada do patógeno na célula, a vacina impedirá a colonização deles no local da aplicação”, explica Stephano para o Jornal da USP.

A nanopartícula criada pelos pesquisadores possui uma propriedade que é muco-adesiva, ou seja, permite que o material permaneça nas narinas dos pacientes de 3 a 4 horas até, então, ser completamente absorvido pelo organismo e ativar a resposta imune. Isso impede, por exemplo, que o antígeno seja expelido pelo organismo do paciente através de espirros.

Por que spray?

Por mais inusitado que possa parecer, a imunização nasal traz vantagens em relação às vacinas injetáveis mais tradicionalmente usadas. Por exemplo, são melhores aceitas por crianças e idosos, já que não são invasivas e têm menos reações ou efeitos colaterais.

“Sempre que se pensa em infecções respiratórias, acreditamos que uma vacina com esse tipo de abordagem é melhor, pois ela gera imunidade no local da aplicação e produz IgA [anticorpos contra o patógeno]”, explica a imunologista Cristina Bonorino, da Sociedade Brasileira de Imunologia e professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.

No contexto da nova vacina da USP, os pacientes que a utilizarem (quando estiver pronta) para garantir a imunização contra o novo coronavírus deverão receber quatro doses – duas em cada narina, a cada 15 dias. No entanto, há um longo caminho ainda a ser percorrido. Isso porque os protótipos devem ficar prontos em três meses e, só então, será possível iniciar os testes em camundongos.

A parte boa, caso tudo saia conforme o planejado, é que os pesquisadores estimam que o produto seja repassado ao público a um custo de R$ 100,00. “Temos todos os atores necessários para que ele se torne realidade”, afirma Stephano sobre os próximos passos da equipe no combate à COVID-19.

Fonte: Canaltech

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