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Uso de zagueiros como atacantes de Flamengo e Atlético-MG gera debate: estratégia ou aposta desesperada?

·2 min de leitura

Dono da maior folha salarial do Brasil, o Flamengo tentava furar o ferrolho do Cuiabá para seguir na caça à liderança. Já nos minutos finais, o técnico Renato Gaúcho optou por colocar o zagueiro Gustavo Henrique, de 1,96 m, como centroavante. Sem sucesso, o placar seguiu em 0 a 0.

Semanas antes, outro clube de elenco milionário recorreu a este artifício: o Atlético-MG disputava a semifinal da Libertadores quando Cuca mandou Réver, de 1,92m, para a área do Palmeiras tentar gol milagroso. Também não vingou.

A dupla de treinadores foi criticada, afinal sobra elenco para rubro-negros e alvinegros. Mas o debate vai além: ter zagueiros no ataque é apenas pobreza tática ou pode ser um fator diferencial para o jogo?

Para Leonardo Miranda, do ge, trata-se de um recurso “desesperado” para os minutos finais:

— É comum que este recurso aconteça em momentos de “desespero”. Aumentar a estatura média dos jogadores e tentar chegar a um gol pela bola aérea. Como zagueiros costumam ser maiores que pontas, eles podem servir de apoio para os cruzamentos. Galo e Flamengo têm dificuldades de jogar contra times muito retrancados, mais por questão tática e não somente técnica — afirma.

Para o técnico português Antonio Oliveira, que passou recentemente pelo Athletico, tal opção pode ir além de estatura:

— Há vários fatores táticos e estratégicos. Um ponto importante é ver o desgaste da equipe ou equilibrar questões numéricas dentro da área, já que o treinador adversário pode ter colocado mais um zagueiro. Isso facilita a aproximação dos laterais e dos volantes — explica.

Cristóvão Borges também tem opinião semelhante:

— São momentos de urgência. Isso deveria ser encarado com mais naturalidade. Goleiros também vão para a área às vezes, é parecido. Não é usual ou usado em qualquer partida.

Estatisticamente, não há dados que comprovem a eficiência de tal artifício. Cuca, por exemplo, já se beneficiou desta situação na final da Libertadores de 2013, quando Leonardo Silva, titular desde o início, subiu à área para marcar contra o Olimpia. Já diante do Atlético-GO, na rodada anterior do Brasileiro, empilhou 17 cruzamentos no segundo tempo, de um total de 26 — todos sem sucesso.

Para Gabriel Corrêa, do site Footure, tal opção também pode indicar um erro na formação dos elencos. No Flamengo, Pedro foi desfalque diante do Cuiabá e o atacante reserva Vitor Gabriel já estava em campo.

— Todos os times que costumam arriscar com zagueiros-atacantes é porque não têm um centroavante de área no banco de reservas. Sem ele, a busca é por improvisar.

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