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Usiminas não tem previsão de retomada de usina de Cubatão antes de 2024

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SÃO PAULO (Reuters) - A Usiminas não tem perspectiva de retomar a produção de aço bruto na usina de Cubatão, no litoral de São Paulo, antes de 2024, em meio ao crescimento da economia brasileira abaixo do esperado, afirmou à Reuters o presidente-executivo da siderúrgica, Sergio Leite, nesta sexta-feira.

A usina de Cubatão paralisou a produção de aço bruto em janeiro de 2016, em meio ao agravamento da recessão brasileira que derrubou a demanda por aço. A decisão tomada pela companhia na época foi manter as atividades de laminação na por meio da utilização de placas de aço compradas de terceiros.

"Não existe previsão de retomada nos próximos cinco anos", disse Leite, referindo-se a 2024 após a teleconferência com analistas sobre os resultados no quarto trimestre. "A economia brasileira vem crescendo menos do que a gente espera", afirmou o executivo.

Questionado sobre os custos de se manter uma estrutura tão grande de uma usina parada por quase uma década, Leite disse que trata-se de "custo muito baixo, para preservar os equipamentos".

A Usiminas vai investir em 2020 cerca de 1 bilhão de reais, alta de 45% sobre o aplicado em 2019 e mais que o dobro em relação aos 463 milhões de 2018. Leite afirmou que o valor será usado em "uma dezena de projetos" que tiveram execução adiada durante a recessão do país.

"Investimos uma média de 220 milhões de reais em 2016 e 2017...O foco principal agora é segurança, meio-ambiente e sustentabilidade das nossas operações, principalmente em função de obsolescência", disse o presidente da Usiminas.

Ele citou como prioritários para este ano o projeto de empilhamento a seco de rejeitos de mineração, que tem previsão de dispêndio de 160 milhões de reais e aguarda licença de instalação. "Queremos ter a licença até o fim de março e entrar em operação até dezembro", disse Leite, adicionando que as fortes chuvas que atingiram regiões de Minas Gerais no início de 2020 não afetaram as unidades de produção de minério de ferro da companhia.

A Usiminas também tem como prioridade a reconstrução do gasômetro da usina de Ipatinga, destruído em 2018 após uma explosão que deixou mais de 30 feridos. Aquisição de insumos para a reforma do alto forno 3, também em Ipatinga, também está no orçamento.

Segundo Leite, a Usiminas vai investir 120 milhões de reais neste ano nos preparativos para a reforma do alto forno, prevista para começar em 2022. Os recursos serão usados em itens como compra de refratários. No total, o projeto de reforma envolve investimento de 1,234 bilhão de reais.

Sobre outras frentes de expansão, incluindo nova linha de galvanização em Ipatinga e projeto de mineração "Compactos", em Minas Gerais, ainda não há data para saírem do papel, disse ele.


(Por Alberto Alerigi Jr.)