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US$ 650 bi de dívida corporativa global está em situação crítica

(Bloomberg) -- Após anos de excesso, os mercados globais de crédito enfrentam vários desafios, que vão desde bancos que não conseguem passar adiante seus empréstimos para grandes aquisições à crise de liquidez dos fundos de pensão no Reino Unido e problemas imobiliários na China e na Coreia do Sul.

Só nos EUA, o volume de dívida corporativa em dificuldade saltou mais de 300% em 12 meses. Na Europa, ficou muito mais difícil emitir títulos de alto risco, e os níveis de alavancagem das empresas atingem níveis recordes.

Globalmente, quase US$ 650 bilhões em títulos e empréstimos de empresas estão em situação problemática, segundo dados compilados pela Bloomberg. Tudo isso contribui para as piores condições de crédito corporativo desde a crise financeira global de 2008, e pode levar a uma onda de inadimplência.

“É muito difícil ver como isso não acabaria em default, dado o nível das taxas de juros”, disse Will Nicoll, diretor de investimentos em ativos privados e alternativos da M&G.

Os bancos dizem que seus modelos de crédito mais amplos se mostram robustos até agora, mas começaram a reservar mais dinheiro para cobrir calotes, segundo dados compilados pela Bloomberg.

As provisões para perdas com empréstimos nos principais bancos aumentaram 75% no terceiro trimestre em comparação com o ano anterior, uma indicação clara de que eles se preparam para problemas com pagamentos e calotes.

A maioria dos economistas prevê uma contração econômica moderada no próximo ano. Uma recessão profunda, no entanto, pode causar problemas de crédito significativos porque o sistema financeiro global está “muito alavancado”, de acordo com a Elliott Management, do bilionário Paul Singer.

As perspectivas de crescimento econômico preocupam. É provável que haja recessões em todo o mundo no próximo ano, e a dos EUA provavelmente começará em meados do ano que vem, disseram economistas do Citigroup.

O primeiro semestre de 2023 será turbulento, com volatilidade prolongada, disse Sue Trinh, codiretora de estratégia macro global da Manulife Investment, em entrevista à Bloomberg Television. “Há mais espaço para a precificação total do risco de recessão global”, disse ela.

--Com a colaboração de Jan-Patrick Barnert, Finbarr Flynn, Yvonne Man e David Ingles.

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