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Urina de astronautas pode ajudar a construir futuras bases lunares

Daniele Cavalcante

As principais agências espaciais do planeta planejam colocar bases espaciais na órbita lunar para facilitar a permanência humana na Lua nas próximas décadas. O problema é que a vida por lá terá como adversários altos níveis de radiação e temperaturas extremas. A boa notícia é que pesquisadores descobriram um novo meio para viabilizar a construção de abrigos seguros na superfície do nosso satélite natural: a urina dos próprios exploradores.

Cientistas europeus afirmam que a ureia, presente na urina junto à água, pode ser usada como plastificante no concreto que será usado nas estruturas lunares. Os plastificantes são aditivos usados nas construções para suavizar misturas como o concreto, fazendo com que ele fique mais trabalhável sem afetar as propriedades finais quando estiver endurecido. Várias experiências foram realizadas para verificar o potencial dessa ideia, e os resultados foram publicados no Journal of Cleaner Production.

Embora pareça estranho utilizar a urina dos astronautas como ingrediente, isso não é exatamente uma novidade no espaço. Na Estação Espacial Internacional, por exemplo, a urina dos tripulantes é “reciclada” e transformada em água potável. Os novos experimentos revelaram que construções de concreto com este plastificante à base de ureia suportavam grandes pesos​. Aquecido a 80 °C, sua resistência foi aumentada após oito ciclos de congelamento e degelo, o que é feito para simular os ciclos de temperaturas da Lua.

Conceito de base lunar construída com impressoras 3D (Imagem: ESA)

Além de útil, a nova pesquisa pode ser muito econômica. É que transportar materiais para o espaço custa caro, por isso as agências buscam meios de utilizar as matérias-primas da superfície lunar, ou mesmo aquilo que os próprios astronautas possam fornecer, como a ureia. Assim, o concreto usado na Lua para construir abrigos poderia ser feito com regolito (material solto da superfície lunar) e a água congelada que também existe por lá.

"Mas, além disso", acrescenta um dos autores, Ramon Pamies, "com este estudo, vimos que um produto residual, como a urina do pessoal que ocupará as bases da Lua, também pode ser usado. Os dois principais componentes desse fluido corporal são a água e a ureia, uma molécula que permite que as ligações de hidrogênio sejam quebradas e, portanto, reduz as viscosidades de muitas misturas aquosas".

Ainda faltam pesquisas para determinar exatamente como a ureia poderá ser extraída da urina. Na verdade, ainda é preciso saber se isso é realmente necessário, porque talvez outros componentes da urina também podem ser usados ​​para formar o plastificante. Novos testes são necessários para encontrar o melhor material de construção para as bases lunares, que podem ser produzidas em massa usando impressoras 3D.


Fonte: Canaltech

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