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Uniformes velhos viram bolsas e roupas de pets

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um projeto social de trabalho e renda criado pela Prefeitura de Indaiatuba, no interior de São Paulo, em 2006, foi o início de uma ação para mudar a vida de mulheres que hoje transformam uniformes de trabalho usados em fonte de renda.

Um dos programas é o Costurando Caminhos, desenvolvido pela concessionária Rodovias do Tietê em parceria com a cooperativa Uni Arte. O objetivo é minimizar os impactos ambientais: uniformes que seriam descartados se transformam em outros artigos e viram fonte de renda para 22 mulheres que trabalham na cooperativa.

"O objetivo da cooperativa é gerar trabalho e renda para as mulheres que não trabalham no mercado formal por diversos motivos: por idade, por opção, por cuidar de pessoas da família, não tendo o tempo que o mercado formal necessita", diz Judite Fernanda Simionato, 56, coordenadora da Uni Arte.

"Aqui a gente atende as demandas de casa e da mulher, e também complementa com a produtividade. Dentro da cooperativa não existe uma carga horária mínima e tem a liberdade da quantidade de produção."

Elizabeth das Graças Torresilhas e Sousa, 66, é uma das cooperadas da Uni Arte. Ela está na equipe há 12 anos. Depois de perder o marido na pandemia, ela diz que o trabalho tem trazido mais que um apoio financeiro.

"O trabalho me ajuda muito a me sentir útil, valorizada, pois estou fazendo alguma coisa. Isso faz muito bem", diz Elizabeth, que tem uma filha de 12 anos.

Para Judite, a questão ambiental também é de fundamental importância no projeto. "O uniforme não vai para o lixo. A gente transforma aquele material em um produto que a pessoa vai usar por mais alguns anos, não é só um pequeno desvio. Essa é a consciência e a responsabilidade que nós e as empresas temos."

Das 22 cooperadas da Unia Arte, 15 trabalham diariamente no local. Algumas trabalham em casa. "Não tem divisão, o que aparecer a gente faz. Claro que tem aquelas com mais prática em uma determinada parte, mas pega o que aparecer", diz Elizabeth.

A cooperativa é originária de um projeto de geração de trabalho e renda da Prefeitura de Indaiatuba com o Instituto General Motors, que durou quatro anos. Após o término, as participantes passaram para a Cooper Art Camp Cooperativa de Produção dos Artesãos e Artistas Plásticos de Campinas, com filial em Indaiatuba. A partir de 2018, passou a ser a Uni Arte, sem vínculo com a prefeitura.

O trabalho com uniformes começou a ser desenvolvido por meio do projeto ReTornar, programa da Fundação Toyota do Brasil, a partir de 2012. "Não conhecíamos esse campo possível, essa demanda das empresas. Com a necessidade da Toyota de troca de uniformes, eles nos deram essa oportunidade, desenvolvemos produtos e trabalhamos com eles até hoje", diz Judite.

Por meio do trabalho foi criado um e-commerce para a venda de bolsas, mochilas, pochetes, carteiras, chaveiros, roupas para pets, entre outros. Desde o início do programa, foram reutilizadas sete toneladas de resíduos, que originaram a produção de 81 mil brindes, segundo a fundação.

Segundo a coordenadora da cooperativa, eram cinco clientes em 2020, e hoje são 26. Um dos novos é a Rodovias Tietê, uma das concessionárias das estradas paulistas, que iniciou a parceria em maio deste ano.

O programa foi apresentado à concessionária por Denis Marucci, coordenador de QSMS (Qualidade, Segurança, Meio Ambiente e Saúde) da Rodovias Tietê. Ele havia participado da ação na montadora.

"Havia essa preocupação de descartar uniformes de forma correta, mas com um olhar para o lado social e sustentável", diz Marucci. "Começamos a reutilizar nossos uniformes usados e transformar em brindes para o próprio funcionário."

O descarte ocorre por desgaste dos uniformes, se está rasgado ou se não serve mais. Segundo a empresa, há uma variação de aproximadamente três meses para a troca, já que ele é usado todos os dias. Quando o uniforme velho é entregue na empresa, ele é separado e enviado à cooperativa.

"Entregamos o novo e reutilizamos o velho, usando as ferramentas dos três R's: reutilizar, reciclar e reduzir", diz o coordenador.

A cooperativa recebe o material, produz os brindes e revende à concessionária, que faz a distribuição aos funcionários. São porta-garrafas, sacolas de lixo para carros, capas de notebook, entre outros. As sobras são reaproveitadas para enchimento de almofadas.

"Essa ideia de reaproveitar tem um valor muito grande. É fácil dispensar, pagar a taxa do aterro ou incinerar. Mas procurar alguém, achar uma cooperativa que faz esse trabalho não é tão simples. Mas deu certo e estamos indo bem", diz Marucci.