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União Europeia não sabe o que é a Amazônia, diz ex-ministra Tereza Cristina

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***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 17.03.2022 - A ex-ministra da Agricultura Tereza Cristina. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 17.03.2022 - A ex-ministra da Agricultura Tereza Cristina. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - De volta a Câmara e ao seu mandato como deputada federal (MS-PP), conquistado em 2018, a ex-ministra da Agricultura Tereza Cristina, recomenda ao produtor que se prepare para usar um volume menor de fertilizantes porque a oferta pode ficar abaixo do normal.

"Na minha visão, corremos o risco de ter de usar o produto de maneira mais eficiente na próxima safra de verão", afirmou. Como o solo está nutrido, usar menos fertilizante neste ano não seria um problema, ela explica.

Se a oferta continuar em baixa, porém, o cenário muda, e para pior. "Minha maior preocupação não era com a safra de verão, mas com a safrinha que começa em dezembro. Se houver interrupção no envio de fertilizantes, aí sim, haverá problemas para os produtores que vão plantar as culturas de inverno a partir de dezembro, como os de milho."

De certo, até agora, é que a safra de verão será uma das mais caras da história, em que o produtor terá de fazer muita conta para comprar fertilizantes, defensivos e sementes de maneira seletiva.

No Congresso, Tereza vai se deparar com uma extensa agenda de votação de projetos que interessam ao agronegócio, direta ou indiretamente. Entre eles estão o novo marco da regularização fundiária, batizado de PL da Grilagem, que passou pela Câmara e está no Senado, e o projeto que trata de mineração em terra indígena, ainda com os deputados, que está sendo chamado de X-Tudo por liberar não apenas a mineração, mas uma série de outras atividades em reservas.

Segundo ela, esses temas precisam ser debatidos e desmistificados. "O que podemos continuar fazendo é ignorar esses problemas e varrer a discussão para debaixo do tapete", afirma.

*

Pergunta - Quando ministra, a sra. mencionou que haveria estoques de fertilizantes até outubro, mas uma reportagem do jornal Folha de S.Paulo mostrou que o produtor já tem dificuldade para fazer encomendas e que, quando acha, o preço nas alturas. Pode faltar fertilizante?

Tereza Cristina - Na minha visão, corremos o risco de ter de usar o produto de maneira mais eficiente na próxima safra de verão. Quando ainda estava no ministério lançamos o programa FertiBrasil, da Embrapa, que está indo a campo com 20 mil técnicos para fazer o diagnóstico do solo e ver o que tem de excesso.

Não vou entrar em detalhes técnicos, agronômicos, mas a planta não usa tudo que se coloca num ano. Às vezes, fica acúmulo no solo. Então, é possível usar menos nesses casos.

Não dá para fazer a medição em todas as propriedades, mas vamos ter uma amostragem e produzir um modelo de aplicação.

Seria fazer um uso mais qualitativo do fertilizante?

TC - A planta não absorve tudo que você põe. Como a agricultura brasileira usa muita tecnologia, aplica sempre a quantidade correta de insumos, os dados da Embrapa mostram que pode haver uma economia grande no uso de fertilizantes. Pode haver um ganho aí também. Se você precisa usar um volume menor, o custo de produção também cai.

Então, vai haver queda na oferta do produto?

TC - Pode ser que tenha. Mas é tudo relativo. Até agora, tivemos problemas mesmo foi com Belarus. Eles tiveram uma sanção ainda antes do conflito entre Rússia e Ucrânia. Com o conflito, ficaram sem porto para fazer a logística de retirada dos fertilizantes.

A Rússia continua mantando, claro que com problemas de pagamento. Tem alternativas de portos. Enviava ao menos até a semana passada. O ministério faz acompanhamento semanalmente. Então, não vejo grandes problemas

O Canadá mostrou a disponibilidade de fazer um aumento de produção. Não sei se esse aumento chega até a próxima safra de verão, mas pode chegar no meio dela.

Mas a minha maior preocupação não era com a safra de verão, mas com a safrinha que começa em dezembro. Se houver interrupção no envio de fertilizantes, aí sim, haverá problemas para os produtores que vão plantar as culturas de inverno a partir de dezembro, como os de milho.

E é claro que a gente tem um mercado que trabalha segurando e soltando produtos. O produtor precisa ter calma nestes momentos mais delicados. Quem ainda não comprou precisa ficar antenado, para saber quem vai entregar para ele. Tenho conversado com muitos produtores. Uns estão preocupados. Outros sabem que esse mercado está se acomodando.

Mas também tem aparecido novas alternativas.

Os biofertilizantes?

TC - Sim. Esse mercado jé existia, e agora está em ebulição. Surge uma oportunidade relevante para eles colocaram seus produtos neste momento. Como nada na agricultura é simples, o produtor precisa ver o que compensa. Nessa safra de verão o produtor vai precisar estar muito consciente e fazer conta, ficar atento. Vai faltar? Sinceramente, não sei. Pode até ser que falta.

Uma entidade de produtores do Mato Grosso do Sul, o seu estado, disse que a próxima safra de verão pode ser a mais cara da história. Isso realmente pode ocorrer?

TC - É verdade. Seria preciso olhar a série histórica de preços e a cotação do dólar para afirmar que será a mais cara, mas com certeza é uma safra que vai ser cara. Tudo aumentou de preço. Fertilizantes, defensivos, sementes. O produtor precisa ter muita cautela. Ele vai comprar o insumo em alta, mas os preços das commodities começaram a baixar e o dólar a cair.

No cenário, temos a tendência de uma boa safra americana. Se clima ajudar, aqui no Brasil poderemos ter uma safra de milho melhor que anterior. No ano passado, as perdas foram enormes. O produtor vai precisar fazer muita conta e plantar no lugar certo. Talvez não seja momento de ampliar a área plantada, que leva mais tempo para alcançar uma alta produtividade.

No ministério, a sra. defendeu que as sanções contra a Rússia não fossem aplicadas a fertilizantes. Por que?

TC - É uma discussão sobre preço da comida. Os Estados Unidos, os mais ativos nas sanções, fizeram uma concessão. A medida ficou mais branda. Mas a discussão continua e é global. Vamos precisar elevar as compras de países árabes, que são fortes em fertilizantes nitrogenados, a base de gás. Precisamos elevar as compras de ureia do Irã

Mas precisamos andar em paralelo no Brasil e concretizar o plano nacional de fertilizantes, dar os passos que nos permitam voltar a produzir fertilizantes localmente. Precisamos reabrir as jazidas de potássio. Muitas estão embernadas em Minas Gerais. Mas temos também as reservas no Amazonas.

Mas pesquisadores mostraram que uma parcela muito pequena de potássio está na Amazônia, e que não há como defender, por exemplo, o projeto de mineração em terra indígena por causa do potássio.

TC - Não é verdade. Primeiramente, a jazida de Autazes, no Amazonas, não está em terra indígena. Está na borda de uma reserva, mas não está nela. Eu vi o projeto, detalhadamente, porque ele é de uma empresa canadense com investidores do Brasil. Segundo mostraram, é uma bacia enorme, do tamanho da do Canadá, que é o maior exportador de potássio do mundo. É um exportador que está há 60 anos minerando esse potássio.

Pelos estudos que vimos, não é salutar que o Brasil seja auto-suficiente em fertilizantes, mas não podemos ter 90% de dependência de importação. Uma potência agro como Brasil precisa ter uma parcela de produção nacional, para não prejudicar a nossa segurança alimentar.

Além do mais, exista a questão do mercado internacional. O plantio é alternado entre Hemisfério Sul e Hemisfério Norte. Quando a gente já tiver usado para plantar aqui, vai exportar para plantarem lá. O mercado funciona assim.

Ministra, voltando para a mineração em terra indígena. Por que esse projeto de mineração em terra indígena é importante para o agronegócio se a sra. acaba de dizer que a maior reserva de potássio na região Amazônica não está numa reserva indígena?

TC - Essa localidade não está, mas tem muita coisa debaixo do subsolo brasileiro, em terra não indígena e também em terra indígena. O subsolo é da União, e a gente precisa garantir a existências de leis que permitam a exploração se houver um projeto de interesse nacional.

A gente precisa desmistificar esse tema, discutir, com os indígenas e com toda a população, e deixar claro onde entra o Estado brasileiro e quais são os projetos que interessam ao país. Caso o projeto leve a algum impacto, a mesma lei vai determinar que se faça a mitigação.

Voltando a Autazes. Toda a exploração será feita no subsolo, sem afetar a superfície, onde a empresa tem apenas um campo de futebol.

Quando a sra. se despediu do Ministério da Agricultura disse que a gestão do presidente Jair Bolsonaro encontrou um país devastado. A sra. não estava falando do agronegócio, pois ele nunca esteve devastado, então, sobre o que falava?

TC - Encontram vários problemas de gestão pública, a máquina sucateada e muita corrupção. Acabou aquele negócio do balcão. O orçamento do Incra, por exemplo, era enorme, e não havia prioridade nos gastos. Havia um estoque imenso de terras e nenhum critério para a distribuição. Nós arrumamos várias áreas, sem priorizar este ou aquele grupo, como ocorria antes.

A sra. mencionou que havia corrupção antes, como se não tivesse agora. Mas como responder a questão da influência dos pastores no Ministério da Educação, por exemplo, que é um tipo de corrupção?

TC - Não estou acompanhando o caso pessoalmente, mas para esse tipo de coisa há órgãos de controle, o instrumento da denúncia, e tudo precisa ser apurado, seja quem for. Para ver isso temos CGU [Controladoria-Geral da União] , TCU [Tribunal de Contas da União] e Polícia Federal.

Como deputada a sra. vai poder avaliar outros projetos que se referem à posse da terra na região Amazônica, que são questionados inclusive pela União Europeia, preocupada com o desmatamento. Qual a sua posição?

TC - A União Europeia não sabe o que é a Amazônia, nem o que é a Amazônia Legal. Essa é uma questão.

A outra é que nós temos a mania de colocar todo mundo no mesmo saco, mas isso injusto com alguns grupos. Existem pessoas que foram levadas para aquela região pelo próprio governo há mais de 30 anos. Essas pessoas deixaram vários estados, alimentando o sonho de ser dono de uma terra. Elas estão lá nesse tempo todo e ainda não têm o direito de propriedade.

Ainda assim, elas seguem um código florestal super-rígido. Só podem usar 20% da terra. Nem vou discutir se isso é suficiente. Mas estão lá seguindo as regras. Precisam ter direito a terra.

Tem gente que fez malandragem? Sim, tem. E a regularização fundiária identifica essa gente e permite a aplicação da lei.

O que podemos continuar fazendo é ignorar esses problemas e varrer a discussão para debaixo do tapete.

A sra. quer continuar na vida política, mas por que escolheu o Senado?

TC - Em política, tudo tem a sua hora. Estou terminando o segundo mandato como deputada. Fui ministra da Agricultura. Acho que adquiri uma bagagem para ajudar meu estado não só pelo agro. Um senador pode até ter experiência num setor, mas precisa ter uma bagagem maior, e acho que adquiri essa experiência, essa visão de mundo mais ampla. Coloquei meu nome a disposição. Sou pré-candidata pelo PP pelo Senado. Há outros bons candidatos, mas espero ter a minha chance.

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