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União Europeia abre investigação sobre vendas da Amazon

Aoife White e Stephanie Bodoni
·3 minuto de leitura

(Bloomberg) -- A Amazon.com entrou para a lista das “big techs” no radar da União Europeia. Reguladores do bloco ampliaram um caso sobre como a empresa usa dados de vendas de rivais em sua plataforma e abriram uma investigação para verificar se a gigante de comércio eletrônico favorece injustamente seus próprios produtos.

A Comissão Europeia disse suspeitar que a Amazon violou as regras antitruste sobre o uso de dados comerciais não públicos de vendedores independentes em seu marketplace, que poderiam beneficiar o próprio braço de varejo da empresa. O regulador da UE também investigará como a Amazon escolhe produtos para a importante “caixa de compra” e se a empresa pressiona varejistas a usarem seus próprios serviços de logística e entrega.

“Não questionamos o sucesso da Amazon ou seu tamanho”, disse Margrethe Vestager, comissária antitruste da UE, em conferência de imprensa em Bruxelas na terça-feira. Ela disse que as preocupações da UE se concentram na “conduta de negócios muito específica”, relacionada ao duplo papel da Amazon como varejista e plataforma para pequenos comerciantes.

Uma declaração de objeções da UE para a Amazon aumenta o risco de possíveis multas ou uma ordem para que a empresa mude as práticas comerciais. Vestager tem intensificado o escrutínio de muitas outras grandes empresas de tecnologia, com investigações sobre a Apple e Facebook, bem como cerca de US$ 9 bilhões em multas contra o Google. Os reguladores também estudam novas regras para gigantes online que, segundo críticos, comandam um jogo manipulado ao definirem regras para plataformas que também hospedam seus concorrentes.

A Amazon discorda das afirmações da UE e “continuará a fazer todos os esforços para garantir uma compreensão precisa dos fatos”, disse a empresa em comunicado por e-mail.

“A Amazon representa menos de 1% do mercado global de varejo e existem grandes varejistas em todos os países em que operamos”, disse a empresa. “Existem mais de 150 mil empresas europeias que vendem por meio de nossas lojas que geram dezenas de bilhões de euros em receitas anualmente e que criaram centenas de milhares de empregos.”

Embora as vendas globais da Amazon no ano passado tenham somado US$ 280,5 bilhões, qualquer multa provavelmente será bem inferior aos 10% da receita anual que a UE poderia cobrar - e seria baseada nas vendas nos mercados europeus. A Amazon faturou US$ 22,2 bilhões na Alemanha e US$ 17,5 bilhões no Reino Unido em 2019, os únicos dados sobre vendas europeias divulgados pela empresa.

A Amazon tem cerca de 3 milhões de comerciantes ativos que vendem produtos em seu site, com cerca de um terço deles na Europa, de acordo com relatório de 2019 da empresa de análise de comércio eletrônico Marketplace Pulse.

No ano passado, a UE havia alertado que investigava suspeitas de que a Amazon poderia identificar os produtos mais vendidos e começar a estocar o mesmo item, essencialmente escolhendo os produtos mais lucrativos ou de alto volume.

A nova investigação se concentra na “caixa de compra”, onde a Amazon destaca os vendedores de um determinado produto. Cerca de 80% das vendas vão para o vencedor da caixa de compra, disse Vestager. A UE vai investigar como a Amazon seleciona os vencedores dessa caixa e como os vendedores podem oferecer produtos para o programa de fidelidade Prime.

As autoridades também verificarão se isso favorece efetivamente os próprios produtos e vendedores da Amazon que usam os serviços de logística e entrega da varejista.

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