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Uma em cada cinco mulheres reduziram uso de redes sociais após sofrerem abuso

Felipe Demartini
·3 minutos de leitura

Um estudo da Plan International revelou que 58% das mulheres já sofreram algum tipo de abuso ou assédio nas redes sociais. De acordo com a organização, isso levou a mudanças no comportamento digital delas, com 19% deixando as plataformas ou reduzindo a utilização delas, enquanto outras 12% afirmaram que os casos mudaram o comportamento dela dentro e fora do ambiente online.

Situações de abuso ou assédio foram citadas em todas as plataformas online, mas o Facebook concentrou a maior parte delas, com 39% dos casos registrados. Em segundo lugar ficou o Instagram, com 23%, seguido do WhatsApp (14%), Snapchat (10%), Twitter (9%) e TikTok (6%). Em 44% dos casos, as entrevistadas afirmaram sentirem que as empresas responsáveis precisam fazer mais para protegê-las.

O tipo mais comum de abuso é o verbal, com 59% das entrevistadas afirmando já terem sido insultadas ou xingadas. Diretamente relacionada a essa questão estão os constrangimentos direcionados, com 41%, seguidos de perto pelas ameaças de violência sexual e body shaming, quando o ataque tem a ver com características do corpo, ambos com 39%.

Dados mais graves mostram que a violência online também pode ter ainda mais consequências no mundo real, com 22% das entrevistadas afirmando que as próprias, ou uma amiga, já temeram por sua integridade física após serem vítimas de abusos pelas redes sociais, enquanto 18% disseram terem enfrentado problemas na escola por conta dos abusos que sofreram online.

O estudo da Plan International também delineou que 37% das jovens pertencentes a minorias passaram por casos de racismo, xenofobia e outros, enquanto 56% das que se identificam como LGBTQI+ afirmaram já terem sido atacadas por questões ligadas à identidade sexual ou de gênero. Na união de todas as participantes, o resultado é que 50% delas afirmam que o assédio e o abuso online são mais comuns do que o praticado nas ruas.

Como resultado de tudo isso, 39% das participantes afirmaram terem sua autoestima diminuída por consequência dos abusos online, enquanto 38% afirmaram terem passado por stress emocional ou mental por conta dos ataques. A pesquisa entrevistou 14 mil mulheres de 22 países, incluindo o Brasil, com idades que variam dos 15 aos 25 anos.

Para a CEO da Plan International, Anne-Birgitte Albrectsen, surpreende o fato de as experiências das participantes serem semelhantes em mais de uma dezena de países com realidades socioeconômicas distintas. Na visão dela, em todos os casos, os abusos são responsáveis por limitar a liberdade de expressão delas e as deixarem temendo por sua integridade física enquanto são levadas para fora do ambiente online, em um mundo cada vez mais digitalizado.

O resultado, mais do que desapontador para a executiva, deve ter reflexos diretos na formação destas jovens, em sua capacidade de assumir cargos de liderança e, principalmente de serem ouvidas. Na visão de Albrectsen, ainda mais em um mundo de isolamento e pandemia no qual as plataformas digitais são cada vez mais necessárias, o panorama é perigoso e com efeitos sociais de longo prazo, principalmente se as próprias empresas não tomarem atitudes de proteção.

Fonte: Canaltech

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