Mercado fechado
  • BOVESPA

    122.038,11
    +2.117,50 (+1,77%)
     
  • MERVAL

    38.390,84
    +233,89 (+0,61%)
     
  • MXX

    49.249,02
    +314,11 (+0,64%)
     
  • PETROLEO CRU

    64,82
    +0,11 (+0,17%)
     
  • OURO

    1.832,00
    +16,30 (+0,90%)
     
  • BTC-USD

    57.586,62
    -564,26 (-0,97%)
     
  • CMC Crypto 200

    1.480,07
    +44,28 (+3,08%)
     
  • S&P500

    4.232,60
    +30,98 (+0,74%)
     
  • DOW JONES

    34.777,76
    +229,23 (+0,66%)
     
  • FTSE

    7.129,71
    +53,54 (+0,76%)
     
  • HANG SENG

    28.610,65
    -26,81 (-0,09%)
     
  • NIKKEI

    29.357,82
    +26,45 (+0,09%)
     
  • NASDAQ

    13.715,50
    +117,75 (+0,87%)
     
  • BATS 1000 Index

    0,0000
    0,0000 (0,00%)
     
  • EURO/R$

    6,3651
    -0,0015 (-0,02%)
     

Uma em cada 10 mulheres sofre aborto espontâneo no mundo, apontam estudos

Marlowe HOOD
·3 minuto de leitura
Dados sobre o risco de uma mulher sofrer aborto espontâneo, por faixa etária

Uma em cada 10 gestações no mundo termina com um aborto espontâneo, e 11% das mulheres enfrentam uma gravidez interrompida pelo menos uma vez na vida, apontam três estudos que compõem um relatório publicado nesta terça-feira na revista científica "The Lancet".

Um total de 23 milhões de abortos espontâneos ocorrem anualmente no mundo, segundo dados colhidos por uma equipe internacional de 31 pesquisadores, que acreditam, no entanto, que o balanço real seja "substancialmente maior", devido às subnotificações.

Uma em cada 50 mulheres, ou 2%, experimentou dois abortos espontâneos, enquanto menos de 1% passou por três ou mais.

Os níveis de atendimento de mulheres que sofrem aborto são altamente desiguais entre os países, e também dentro de muitas nações ricas, mostram os dados. "Um novo sistema é necessário para garantir que os abortos espontâneos sejam mais reconhecidos e que as mulheres recebam os cuidados físicos e psicológicos de que necessitam", assinalaram os pesquisadores.

Informações errôneas ligadas ao aborto espontâneo são generalizadas. Muitas mulheres acreditam que ele ocorre raramente ou que pode ser causado pelo levantamento de objetos pesados ou uso prévio de anticoncepcionais. Elas também podem pensar que não há tratamentos eficazes para prevenir a intercorrência, especialmente no caso de mulheres com gravidez de risco. Esses equívocos podem ser prejudiciais, fazendo com que as mulheres e seus parceiros se sintam culpados, e os desencorajando a buscar tratamento e apoio, observam os autores.

O aborto espontâneo é amplamente definido como a perda de uma gravidez antes de 20 a 24 semanas de gestação, com o período exato variando de acordo com o país.

- Trauma não reconhecido -

Uma revisão da literatura acadêmica publicada até maio de 2020 identificou muitas causas para os abortos espontâneos, entre elas a idade avançada da mãe, ocorrências anteriores e um pai com mais de 40 anos. Outros fatores de risco são: peso extremamente baixo ou alto, tabagismo, consumo de álcool, estresse persistente, trabalho noturno e exposição constante à poluição do ar ou a pesticidas. As consequências para a saúde podem ser graves, principalmente para mulheres que vivenciam o segundo ou vários abortos espontâneos.

"O aborto espontâneo recorrente é uma experiência devastadora para a maioria das mulheres, mas seu impacto na saúde mental é raramente reconhecido ou tratado", assinalou Arri Coomarasamy, da Universidade de Birmingham, um dos autores dos estudos. "As mulheres podem sofrer traumas e luto, que podem não ter nenhum sinal óbvio e passar despercebidos." Também existe uma relação com casos de ansiedade, depressão e - para cerca de 20% das mulheres - transtorno de estresse pós-traumático nove meses após um aborto espontâneo.

Os autores dos estudos observaram que a maioria dos dados são de países mais ricos, mas que o "silêncio em torno do aborto" está em todo o mundo. Eles recomendaram que as autoridades nacionais de saúde fortaleçam os serviços de atendimento ao aborto espontâneo, ampliem a pesquisa sobre prevenção e identifiquem mulheres com alto risco.

"A era de dizer às mulheres apenas para tentarem de novo acabou", afirma a The Lancet em um editorial que acompanha o relatório.

mh/kjl/lb