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Um olhar sobre o que esperar da tecnologia em 2023

É quase impossível prever o que a ciência e a tecnologia nos trarão no futuro, e participar de toda essa jornada de transformação da nossa sociedade é um privilégio para qualquer empresa e consumidor.

Em uma pesquisa realizada pela Deloitte em março de 2022, cerca de 96% dentre 500 empresas ouvidas, cujas receitas somadas equivalem a 35% do PIB do Brasil, têm planos de investir fortemente em inovações tecnológicas e digitais no futuro próximo. Pensando nisso, trago aqui algumas das tendências para o consumo e a indústria para ficarmos de olho.

Inteligência artificial

(Imagem: Pixabay/Gerd Altmann)
(Imagem: Pixabay/Gerd Altmann)

A ideia de inteligência artificial remete a uma máquina muito bem treinada e alimentada por dados. Muitos dados. Infinitos dados. É o avanço do big data e das técnicas muito avançadas de coleta e análise de dados. Antes de uma assistente virtual ser capaz de entender o que você fala, milhares de terabytes de dados foram processados, analisados e calculados durante anos até alcançar a semelhança a uma “inteligência” virtual. Imagine, então, uma inteligência artificial treinada para prever desastres naturais.

O uso de dados com objetivos de marketing, planejamento e lazer, mas também para pesquisa científica e desenvolvimento de novas tecnologias, nunca foi tão grande e tão refinado. Sob um ponto de vista externo, temos uma grande onda de organizações desenvolvendo produtos pautados por inteligência artificial e machine learning – as assistentes virtuais são o grande exemplo atual. Mas a verdadeira tendência é o uso refinado e aprimorado de dados.

Computação de alto desempenho

Cada vez mais supercomputadores são construídos ao redor do mundo e seus usos só aumentam. Se antes pensávamos em supercomputadores dedicados exclusivamente a mandar foguetes para o espaço, hoje temos milhares deste tipo de máquina dedicados à computação em nuvem, inteligência artificial, pesquisa científica, e processamento de dados para coisas tão cotidianas como funcionamento de todas as redes sociais que usamos.

Nos tornamos dependentes dos supercomputadores, mas isso não é ruim. Graças à popularização da computação de alto desempenho, podemos armazenar uma infinidade de dados, governos podem manter e analisar bancos de dados essenciais para informar políticas públicas, empresas pequenas, médias e grandes são capazes de desenvolver tecnologias inovadoras e incríveis - coisa que antes só acontecia em laboratórios com altíssimo financiamento e muito bem equipados.

Superapps e superdevices

(Imagem: Mohamed Hassan/Pixabay)
(Imagem: Mohamed Hassan/Pixabay)

Dentre as tendencias mais interessantes, destaco os Superapps - plataformas que oferecem uma grande variedade de ferramentas e serviços em um único software. Se no início pensávamos apenas em um app de conversas online, hoje já plataformas, tanto corporativas quanto para o consumidor final, que são verdadeiros “faz-tudo”. Não por acaso, até 2027, o Gartner prevê que mais de 50% da população global serão usuários ativos diários de superapps.

Nessa mesma onda, merecem atenção também os superdevices – diversas funcionalidades reunidas em poucos ou um único equipamento. Consoles de videogame, televisores com cada vez mais funcionalidades, além de soluções para casa inteligente, são alguns exemplos. O crescimento dos supperapps e superdevices reflete a mesma tendência: a unificação de serviços e funcionalidades em poucas interfaces visando facilitar a vida do consumidor que está saturado com tantos apps no celular ou tantos pequenos equipamentos específicos espalhados por sua casa.

Soluções econômicas e sustentáveis

A ideia de sustentabilidade influencia praticamente todas as ações do consumidor e das empresas. Para as empresas do ramo tecnológico, isso se traduz, entre outras coisas, em redução na emissão de poluentes, redução no uso de energia e, para fabricantes, uso eficiente de materiais.
A demanda por rastreabilidade também só cresce: consumidores têm o direito de saber como, com quais materiais, de qual origem e sob qual regime de trabalho, certo produto foi fabricado e como chegou até sua casa.

Ainda, o consumidor sai ganhando quando consome de empresas que investem em pesquisa e desenvolvimento de soluções sustentáveis. Um computador que consome menos eletricidade, com maior eficiência energética, contribui não só na economia monetária de ambas as partes, mas salva cada vez mais nosso planeta.

Cresce a necessidade por segurança de dados

(Imagem: Pixabay/TheDigitalWay)
(Imagem: Pixabay/TheDigitalWay)

Desde o início da pandemia, houve um grande aumento no número de ataques cibernéticos no Brasil. Isso se deu em grande parte porque as empresas não estavam preparadas para uma transformação digital tão veloz e intensa. E o os dados são os grandes alvos desses ataques, incluindo informação sigilosa das empresas e, principalmente, de usuários.

Segundo a Tech Point Research, são registrados 1540 incidentes de cibersegurança no Brasil toda semana. Esse número só aumentou desde o início da pandemia.

Quase três anos após essa grande migração digital forçada, todas as empresas que de alguma forma oferecem soluções de tecnologia começam a entender que é mais que essencial oferecer toda a segurança possível para seu usuário.

Nuvem

A adoção em massa da computação em nuvem tem sido um dos principais impulsionadores de algumas das tendências tecnológicas mais transformadoras, incluindo inteligência artificial, internet das coisas (IoT) e o trabalho remoto e híbrido. A nuvem passou de facilitadora de acesso a serviços que já usávamos, como softwares e armazenamento, para grande possibilitadora de acesso a soluções que fantásticas em nosso PCs, como cloud gaming, realidade aumentada, realidade virtual de grande complexidade, acesso e análise de big data.

No futuro próximo, com a crescente adoção da nuvem, normalizando soluções “cloud native”, serviços em nuvem popularizarão serviços nunca antes imaginados. Já se fala, por exemplo, do acesso massivo a computação quântica

O crescimento na adoção da nuvem é cada vez mais forte porque tira a obrigação do usuário final em investir em equipamento robusto, e coloca tal obrigação nas empresas de tecnologia, que precisam investir em infraestrutura: capacidade de computação, rede e armazenamento e interface, ou, em outras palavras, servidores, data centers e UX.

É por isso que a capacidade de processamento que nós, consumidores, ou as empresas de tecnologia precisam só tende a aumentar. Aumenta para nós porque nossos PCs, laptops e smartphones precisam de alto desempenho (ainda mais se pretendemos utilizar supperapps e superdevices). E aumenta para as empresas e organizações, que precisam investir em servidores e datacenters cada vez mais poderosos para desenvolver soluções para o futuro.

Fonte: Canaltech

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