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Um novo e mais moderno Observatório de Arecibo é a proposta destes cientistas

·3 minuto de leitura

O Observatório de Arecibo tem muitos significados para muitas pessoas, vários deles relacionados ao formato icônico — que, aliás, foi até cenário de filmes de Hollywood —, mas provavelmente seu maior e mais duradouro legado seja a ciência feita através dele. Por isso, cientistas cogitam construir uma nova instalação no lugar, talvez nada parecida com a original, mas com o poder que a tecnologia atual pode fornecer.

Ainda não há nenhum plano oficial de construir um telescópio para substituir o Arecibo, cuja cúpula gregoriana despencou sobre o gigantesco prato refletor. A National Science Foundation (NSF), dona do local, realizou um evento virtual durante o mês de junho para discutir as opções para o futuro do observatório, que permanece aberto. Mas uma equipe de cientistas já criou um conceito para um novo instrumento.

Pesquisadores por trás deste novo conceito tentam manter o espírito inovador que possibilitou a existência do Arecibo, planejando construir algo ainda mais avançado. "Arecibo deixou um buraco realmente grande", disse Francisco Cordova, coautor de um artigo que descreve a proposta de design. "Temos centenas de cientistas agora que estão lutando para encontrar outro telescópio que consiga dar-lhes os dados de que precisam para continuar seus projetos."

Mas a NSF tem muito com o que se preocupar no momento, como decidir o que fazer a curto prazo com as instalações do observatório. É que ainda há instrumentos funcionando, então é possível reestabelecer as atividades científicas por lá, e isso pode acontecer em breve. Além disso, parte da estrutura do próprio telescópio destruído permanece intacta, de modo que também é possível reconstruir um instrumento bem semelhante ao original.

Arecibo destruído (Imagem: Reprodução/Ricardo Arduengo/AFP)
Arecibo destruído (Imagem: Reprodução/Ricardo Arduengo/AFP)

Sem dúvidas há muitas possibilidades, e a decisão depende de muitos fatores. Contudo, muitos cientistas endossam o artigo que descreve um projeto mais avançado. O conceito foi preparado dois meses após o desastre e expressa a vontade de aproveitar a locação para criar caminhos que, em outras circunstâncias, não seriam viáveis. "Há opções viáveis ​​de continuar o legado da ciência fantástica no telescópio", disse Tracy Becker, co-autora do artigo.

O novo projeto recebeu o nome de Telescópio Arecibo da Próxima Geração e já era discutido informalmente pelos cientistas quando eles notaram a deterioração do instrumento. Começou a ser definido em reuniões online apelidados de "vigílias", com uma dúzia de participantes, mas logo algumas centenas de pesquisadores se juntaram ao grupo. Então, em 1º de dezembro, o telescópio caiu. O choque e o sentimento de tristeza foram logo substituídos pela convicção de reconstruir o que fora perdido.

Como resultado, a equipe publicou um artigo de 70 páginas para propor a construção de um telescópio inovador. "Tivemos que pensar com ousadia e tivemos que pensar grande, porque você não inspira as próximas gerações se quiser fazer apenas o que já estava fazendo", disse Noemí Pinilla-Alonso, vice-diretora cientista do Observatório Arecibo. "Isso foi resultado de alguém que pensava ousado e grande 60 anos atrás", completou Pinilla-Alonso, cientista planetária da University of Central Florida.

Embora pensem grande e com ousadia, há algumas coisas que os cientistas querem manter exatamente como eram antes, e uma delas é a multidisciplinaridade. É que o Arecibo havia sido construído como um instrumento para estudo da ionosfera, mas os astrônomos especialistas em sinais de rádio vindos do espaço logo perceberam que ele também seria muito útil na radioastronomia.

Por isso esses dois campos, aliados aos caçadores de asteroides próximos à Terra, formaram a equipe multidisciplinar usuária do Arecibo — e o telescópio foi um instrumento formidável para todos eles, de modo que essa união acabou se tornando uma forte característica do observatório. Por isso, essa junção deverá ser mantida no novo projeto, se for levado adiante.

Ainda é cedo para dizer se um novo radiotelescópio será construído no lugar do Arecibo. A própria NSF preferiu não se comprometer a apoiar nenhum projeto de reconstrução, por enquanto, e está focada em voltar com as atividades nas instalações que permaneceram intactas. Seja como for, um novo instrumento é plano para longo prazo e exigirá processos burocráticos antes de se tornar uma realidade.

Fonte: Canaltech

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