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Judeus ultraortodoxos de Israel relutam em cumprir normas contra coronavírus

Por Michael BLUM
Policial israelense detém um judeu ultraortodoxo durante patrulha em Jerusalém

A polícia israelense aumentou as rondas nos bairros de judeus ultraortodoxos, portando máscaras, luvas, bastões e helicópteros, pois estas áreas se tornaram incubadoras do novo coronavírus, já que parte da população viola as regras sanitárias.

Há alguns dias, em Bnei Brak, uma cidade próxima a Tel Aviv de maioria ultraortodoxa, centenas de pessoas se reuniram no funeral de um rabino. E isso apesar de as autoridades limitarem o número máximo de pessoas em enterros a 20, além de precisarem manter dois metros de distância entre si.

A situação gerou uma grande polêmica também no mundo religioso. Um fluxo tão grande de pessoas, apesar das regras sanitárias, foi algo "criminoso", criticou Eliahu Sorkin, uma personalidade ultraortodoxa, responsável pela emergência do hospital Maayané Yeshuah de Bnei Brak.

O ministro da Saúde, Yaakov Litzman, membro de um partido ultraortodoxo, pediu ao primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, que bloqueasse a cidade, cujo prefeito testou positivo para a COVID-19.

Até o momento, as autoridades israelenses registraram oficialmente mais de 4.800 casos de contágio e 17 mortes.

Segundo a mídia local, metade dos doentes pertence à comunidade ultraortodoxa, que representa cerca de 10% da população. Os locais de culto foram fechados.

- Falta de antecipação -

Em vídeo divulgado pela polícia, um oficial explica a agentes armados com bastões, máscaras e luvas que devem patrulhar o bairro de Mea Shearim (ortodoxo) e verificar que as normas estão sendo cumpridas e que todos os locais de culto estão fechados. "Nazistas!", lhes gritam alguns ultraortodoxos.

A polícia efetua também patrulhas em helicóptero para detectar eventuais concentrações de homens rezando nas ruas.

Na segunda-feira, dezenas de multas de 5.000 shekel (1.200 euros) foram aplicadas por não respeitarem as normas e vários homens foram detidos, constataram jornalistas da AFP.

Para o professor Motti Ravid, diretor do hospital Maayané Yeshuah, a epidemia atual talvez seja somente a ponta do iceberg, alertando que espera um forte aumento de pessoas infectadas entre os ultraortodoxos.

Segundo ele, como o acesso aos meios de comunicação é muito limitado entre os religiosos, as recomendações e as medidas das autoridades demoraram mais tempo para serem conhecidas.

Além disso, muitas famílias ultraortodoxas, que têm muitos filhos, vivem amontoadas em casas pequenas, o que favorece o contágio, explicou à AFP o rabino ortodoxo Henri Kahn.

A Páscoa judaica é celebrada na próxima semana, normalmente em família, e muitos se perguntam como festejarão este ano estando confinados.

"Tememos que as pessoas se encontrem pela Pésaj [Páscoa judaica], apesar da proibição de sair, e que a situação se agrave", declarou o diretor do ministério da Saúde, Moshé Bar Siman Tov.