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UE tem impacto de US$ 14 bi por semana com atrasos em vacinação

Alexander Weber
·3 minuto de leitura

(Bloomberg) -- A União Europeia enfrenta um custo de dezenas de bilhões de euros devido à distribuição lenta e caótica de vacinas contra o coronavírus em comparação com países como o Reino Unido e os Estados Unidos.

Com os chamados lockdowns, a economia do bloco opera a uma taxa aproximada de 95% do nível pré-pandemia, o que equivale a cerca de 12 bilhões de euros (US$ 14 bilhões) por semana de perda do PIB, de acordo com cálculos da Bloomberg Economics. A UE também está semanas atrás de seus pares nas campanhas de vacinação e avança em ritmo mais lento.

A menos que consiga recuperar terreno, a UE será forçada a manter os lockdowns ou restrições semelhantes em vigor, mesmo com a reabertura completa de outras grandes economias. Um atraso de um a dois meses seria equivalente a um impacto entre 50 bilhões e 100 bilhões de euros.

Os números destacam o quanto está em jogo para a Comissão Europeia, que se envolveu em um impasse com a farmacêutica AstraZeneca sobre a falta de vacinas e depois impôs restrições para as exportações de imunizantes contra a Covid-19. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, teve que voltar atrás na medida sobre as remessas para a Irlanda do Norte.

“A cada semana que o lockdown tem que ser estendido porque a população não está vacinada e vulnerável significa custos econômicos significativos”, disse Guntram Wolff, diretor do think tank Bruegel, em Bruxelas. “Esses custos são muito mais elevados do que os custos das próprias vacinações.”

Até agora, a UE administrou apenas 3 doses a cada 100 pessoas, muito atrás das 15 no Reino Unido e 10 nos EUA, de acordo com o Bloomberg Vaccine Tracker. Ao mesmo tempo, variantes mais contagiosas do coronavírus estão se espalhando, o que obriga governos a prolongarem as restrições.

“Com o progresso inicial do Reino Unido, esperamos que uma vigorosa recuperação econômica se estabeleça mais cedo do que na Europa continental”, disse Jamie Rush, economista-chefe para a Europa da Bloomberg Economics. “A maior transmissibilidade das novas cepas de Covid-19 leva a medidas de contenção mais rígidas em grande parte da Europa, aumentando o custo dos atrasos nas vacinas.”

A UE prevê aumento da oferta de vacinas no segundo trimestre, e ainda planeja vacinar 70% da população adulta até meados do ano. Seria um nível que deve permitir aos governos suspender muitas das atuais restrições que fecharam lojas, restaurantes e suspenderam viagens.

Ainda assim, a Allianz estima que os países estão cinco semanas atrasados em relação ao cumprimento dessa meta, e as vacinações precisam acontecer em um ritmo seis vezes maior do que o atual para alcançá-la. O custo é de 90 bilhões de euros, levando em conta os efeitos secundários no final do ano.

Economistas liderados por Ludovic Subran disseram em relatório que, no modelo econômico das vacinas, “há apenas preto ou branco: as economias que terminarem a corrida em primeiro lugar serão recompensadas com fortes efeitos multiplicadores positivos, impulsionando o consumo e a atividade de investimento no segundo semestre de 2021”, acrescentando que “os retardatários em vacinação permanecerão no modo crise e enfrentarão custos substanciais, tanto econômicos quanto políticos”.

Os países do sul, incluindo Espanha e Itália - já os mais afetados pela pandemia - sofrerão mais com um atraso se este atingir o turismo internacional. Mesmo uma abertura parcial em torno do feriado da Páscoa no início de abril traria uma receita muito necessária, de acordo com Reinhard Cluse, economista do UBS.

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