Mercado fechado

UE sinaliza apoio para concluir acordo de investimento com China

Jonathan Stearns
·3 minuto de leitura

(Bloomberg) -- Governos da União Europeia sinalizaram apoio para concluir um acordo com a China que deve abrir ainda mais o mercado chinês a investidores da UE, o que representaria uma grande vitória econômica e política para ambos os lados.

Diplomatas de países membros da UE instaram a Comissão Europeia, o braço executivo do bloco, a concluir as negociações com o governo chinês nos próximos dias, de acordo com uma autoridade europeia que falou sob condição de anonimato. Outra autoridade disse que a Comissão poderia anunciar um esboço do acordo em breve.

Uma conclusão bem-sucedida das negociações iniciadas em 2013 para um acordo de investimento UE-China seria uma resposta ao desafio “America First” promovido pelo presidente dos EUA, Donald Trump, à ordem multilateral.

Para a UE, o acordo ampliaria o acesso ao mercado chinês para investidores estrangeiros em setores como automotivo e biotecnologia. Além disso, o pacto abordaria políticas chinesas, que na visão da Europa e dos EUA, distorcem o mercado: subsídios industriais, controle estatal de empresas e transferências forçadas de tecnologia.

Relações UE-China

Para a China, o acordo promete dar impulso ao objetivo do país para se tornar uma força geopolítica dominante e pode limitar os riscos decorrentes de uma postura mais dura da UE sobre investimentos chineses na Europa. Também fortaleceria o apelo do governo de Pequim para o início de negociações para um acordo de livre comércio com a UE, que insiste que tal medida depende de fechar antes um pacto de investimento.

A esperada conquista destaca as correntes globais depois que Trump sacudiu o sistema pós-guerra nos últimos quatro anos, com a marginalização da Organização Mundial do Comércio, uma guerra tarifária contra a China e imposição ou ameaça de polêmicas taxas de importação contra aliados dos EUA na Europa.

As próprias relações UE-China foram tensas neste ano. Uma recente lei chinesa que restringe a autonomia de Hong Kong gerou fortes críticas na Europa, enquanto a UE acusou o governo de Pequim de espalhar desinformação sobre o coronavírus e atingiu operadoras chinesas com as primeiras sanções do bloco contra ataques cibernéticos.

Objetivos climáticos

Em meio aos altos e baixos, a UE criticou as táticas de confronto de Trump em relação à China e pediu o envolvimento do Ocidente com o governo de Pequim em diversas questões, do combate às mudanças climáticas até a superação da pandemia.

Há três meses, o bloco ajudou a estimular o governo chinês a se comprometer com uma meta mais ambiciosa de proteção do clima e, em relação às negociações do pacto de investimento, a UE disse que houve progresso significativo em todas as áreas.

As partes finais do acordo de investimento foram colocadas em prática nas últimas semanas, à sombra das conversas da UE com o Reino Unido para o acordo comercial pós-Brexit, negociações sobre o novo orçamento europeu e sobre o fundo de recuperação de pandemia.

Embora a Comissão com sede em Bruxelas tenha negociado o pacto de investimento para a UE, o avanço iminente marca outra conquista para a Alemanha durante sua presidência de seis meses do bloco, que acaba em 31 de dezembro. O governo alemão há muito tempo defende o objetivo, enfatizando a importância de laços econômicos europeus mais equilibrados e mais profundos com a China.

For more articles like this, please visit us at bloomberg.com

Subscribe now to stay ahead with the most trusted business news source.

©2020 Bloomberg L.P.