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UE reduz previsão de crescimento na zona euro para 2019 e 2020

Por Toni CERDÀ
Vendedor apresenta veículos para cliente em 31 de outubro de 2019 em concessionária da cidade espanhola de Vigo

A economia da zona do euro crescerá menos do que o esperado este ano e em 2020 - afirmou a Comissão Europeia nesta quinta-feira (7), alertando que um ressurgimento da tensão comercial global poderá dificultar ainda mais a expansão.

O Produto Interno Bruto (PIB) dos 19 países da zona do euro em seu conjunto crescerá 1,1% em 2019, e 1,2%, em 2020, segundo as atuais previsões da Comissão, uma redução de 0,1 e 0,2 ponto, respectivamente, em relação a julho.

"A economia europeia parece se encaminhar para um período prolongado de crescimento mais lento e de inflação muito baixa", aponta Bruxelas em uma nota, garantindo que "o entorno é muito menos favorável, e a incerteza é alta".

A Comissão Europeia reduz em 0,1 ponto sua previsão de inflação para 2019 e 2020, a 1,2%, após registrar 1,8% em 2018, afastando-se da meta perto de 2% fixada pelo Banco Central Europeu.

A incerteza se refere "aos conflitos comerciais, à intensificação das tensões geopolíticas, à persistente debilidade do setor industrial e ao Brexit", detalhou o comissário europeu, Valdis Dombrovskis.

Diante da tensão comercial, especialmente entre China e Estados Unidos, e de um crescimento mundial "constante", Bruxelas considera que a expansão do bloco dependerá dos setores orientados para seu mercado interno.

O Executivo comunitário, portanto, pede aos países com margem fiscal que façam uso dela para sustentar o crescimento - em uma referência velada à Alemanha e à Holanda e àqueles com uma dívida pública alta, como a Itália, para reduzi-la.

Bruxelas segue o Fundo Monetário Internacional (FMI), que já revisou para baixo, em meados de outubro, o crescimento da zona do euro, a 1,2% em 2019, e 1,4%, em 2020, devido à situação na maior economia da região, a alemã.

- 'Caminho difícil' -

Mais exposta ao estresse global do comércio, a Alemanha cresceria 0,4% neste ano, e 1%, em 2020, conforme as previsões divulgadas nesta quinta-feira pela Comissão, que cortam em 0,1 e 0,4 ponto sua projeção anterior.

Na Alemanha, o setor automobilístico, pilar de sua indústria, aparece cada vez mais como o calcanhar de Aquiles, devido a conflitos comerciais e a sua dificuldade de adaptação ao mercado elétrico, que exige investimentos maciços no setor.

A Espanha continuaria liderando o crescimento entre as principais economias da zona do euro, mas o Executivo da comunidade reduziu sua previsão em 0,4 ponto em 2019 (1,9%) e 2020 (1,5%).

Bruxelas mantém inalterado o crescimento em 2019 da segunda e da terceira economias: 1,3% para a França, e 0,1%, para a Itália. No ano seguinte, a expansão francesa seria de 1,3% (-0,1 ponto), e a italiana, de 0,4% (-0,3).

A Itália registraria a expansão mais lenta de toda zona do euro, algo que, na opinião de Bruxelas, aumentará a enorme dívida pública italiana de 134,8% do PIB em 2018 para 136,8%, em 2020, superada apenas pela da Grécia.

"Não há lugar para a autocomplacência, quando enfrentamos o caminho difícil que temos de percorrer", disse Moscovici, pedindo a Roma que faça as reformas estruturais necessárias para melhorar sua competitividade.