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UE quer acordo sobre plano de recuperação em julho, mas diferenças permanecem

Dow Jones Newswires

Bloco daria passo inédito ao distribuir centenas de bilhões de euros a países mais afetados Os líderes da União Europeia (UE) disseram nesta sexta-feira que pretendem definir até o fim de julho um enorme plano de recuperação da crise do novo coronavírus, mas ainda existem fortes diferenças em relação à forma de um pacote para reanimar a economia.

Os líderes do bloco começaram a tratar do tema em videoconferência nesta sexta-feira, discutindo um plano de recuperação e uma proposta de orçamento plurianual apresentada pela Comissão Europeia no mês passado.

Órgão executivo da UE, a Comissão Europeia daria um passo sem precedentes ao emprestar centenas de bilhões de euros dos mercados para distribuir aos Estados-membros mais afetados.

O plano de recuperação de 750 bilhões de euros (US$ 840 bilhões) e o pacote orçamentário de 1,1 trilhão de euros (US$ 1,23 trilhão) entrariam em vigor no próximo ano, mas permitiriam que os países mais afetados do sul da UE, como Itália e Espanha, aumentassem os gastos agora, sabendo que não serão sobrecarregados com enormes dívidas novas.

AP Photo/Yves Logghe

O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, que presidiu as negociações, afirmou que convocará uma cúpula em meados de julho para que os líderes se encontrem pessoalmente para selar um acordo. Ele disse que apresentará novas propostas, admitindo, "em alguns tópicos, continua sendo muito complexo e muito difícil" encontrar consenso.

Alguns diplomatas especularam que, se as coisas correrem bem, os líderes da UE precisarão de duas cúpulas no próximo mês para estabelecer um acordo.

“Precisamos fazer de tudo para concordar em breve no Conselho Europeu antes das férias de verão”, disse a presidente do órgão, Ursula von der Leyen. “A eficácia da resposta depende disso também.”

Há uma infinidade de diferenças sobre o plano de recuperação, como o tamanho final, quanto do dinheiro deve ser concedido em doações, por quais os critérios um país receberiam os valores e quais seriam as condições de pagamento.

Também existem diferenças sobre quando os fundos do plano de recuperação estarão disponíveis, com que rapidez eles devem ser reembolsados e se devem ser criados impostos em toda a UE para cobrir seus custos.

A Dinamarca, os Países Baixos, a Áustria e a Suécia até agora se opuseram à entrega de qualquer plano de recuperação proposto em doações, embora tenha havido sinais de comprometimento de alguns desses países chamados frugal nos últimos dias.

“Os quatro Estados conhecidos expressaram mais uma vez seu ceticismo em relação a doações”, disse nesta sexta-feira a primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel. Porém, “a atmosfera era boa e acredito que a negociação pode começar bem”, completou.

Durante a reunião desta sexta-feira, a presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, alertou que pior impacto no mercado de trabalho da crise ainda está por vir e disse que a economia do bloco poderá encolher 13% no segundo trimestre e 8,7% em 2020, segundo uma fonte.