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UE prepara regulamentação de financiamento ‘verde’

Alexander Weber

(Bloomberg) -- O investimento verde tem sido o único ponto positivo para bancos e gestores de recursos em tempos sombrios de crescimento lento, um tesouro de US$ 30 trilhões que permaneceu praticamente sem regulamentação. Isso está prestes a mudar.

Autoridades em Bruxelas tentam avançar algumas das ideias mais ambiciosas de como policiar o mercado de investimentos verdes, uma das áreas de crescimento mais rápido em finanças. Com os “cães de guarda” federais nos EUA ausentes em grande parte do debate, as iniciativas da União Europeia podem acabar se tornando referência para as finanças verdes em todo o mundo.

“A UE acredita que é líder global aqui e que isso ajudará a estabelecer um padrão”, disse Ilan Jacobs, cochefe de assuntos governamentais europeus no Citigroup.

Qualquer regulamentação financeira verde aprovada em Bruxelas só se aplicaria na Europa, mas as regras europeias já tiveram ramificações globais, porque empresas que buscam acesso à economia de 16 trilhões de euros da região geralmente acham mais fácil adotar a regulamentação do bloco do que se ajustar a vários regimes. Em um exemplo, Facebook e Microsoft disseram no ano passado que aplicarão, em larga escala, as novas regras de proteção de dados da Europa fora do continente.

O novo impulso do bloco visa estabelecer definições comuns para investimentos ecológicos e eliminar práticas enganosas conhecidas como “lavagem verde” - chamar produtos de sustentáveis, mesmo que não ajudem realmente a combater a mudança climática -, que são frequentemente mencionadas como obstáculo ao desenvolvimento do mercado.

No centro do plano está um esforço para estabelecer um catálogo - também conhecido como taxonomia - do que podem ser consideradas práticas sustentáveis que se qualificariam para títulos de dívida, fundos e outros produtos verdes. Um grupo de especialistas examina qual nível de consumo de energia e emissões é consistente com o Acordo Climático de Paris. Até o momento, a equipe desenvolveu critérios para quase 70 atividades econômicas, como eletricidade, manufatura, transporte e agricultura.

A taxonomia do grupo pode se tornar a base para uma nova regulamentação até o fim de 2022, embora alguns investidores já estejam usando o esboço dos critérios para identificar se seus investimentos são verdes, de acordo com Nathan Fabian, membro do grupo de especialistas técnicos. Uma vez oficialmente estabelecidos, fundos de investimento que alegam contribuir para objetivos ambientais teriam que divulgar até que ponto estão em conformidade com as normas europeias.

O impacto pode ser potencialmente grande. Mais de US$ 30 trilhões foram destinados a investimentos sustentáveis ou ecológicos no início de 2018, o número mais recente disponível da Aliança Global de Investimento Sustentável, que monitora esses fluxos de recursos em cinco regiões do mundo. Quase metade desse valor está domiciliado na Europa.

--Com a colaboração de Lyubov Pronina.

Para contatar o editor responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

Repórter da matéria original: Alexander Weber Brussels, aweber45@bloomberg.net

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