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UE prepara importante acordo com a China, apesar das preocupações

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Depois de sete anos de difíceis negociações, se espera que os líderes da UE e China finalmente a um acordo

A União Europeia avançava nesta terça-feira (29) para fechar um grande acordo de investimento com a China, apesar das advertências de legisladores europeus sobre o histórico de Pequim quanto aos direitos civis e trabalhistas.

Após sete anos de negociações difíceis, os líderes da UE e da China devem finalmente chegar a um acordo inicial sobre o pacto nesta quarta-feira, que Bruxelas espera que abra lucrativas oportunidades de negócios.

A Europa há muito pressiona por um maior acesso de suas empresas aos enormes mercados chineses, mas a falta de direitos trabalhistas de Pequim se tornou um grande obstáculo para um acordo.

Uma autoridade da UE disse que o bloco conseguiu fazer a China se comprometer com os esforços para ratificar as convenções da Organização Internacional do Trabalho sobre trabalho forçado, mas há poucas maneiras de garantir que se cumpra a promessa.

Os legisladores do Parlamento Europeu criticaram o acordo, que disseram estar sendo pressionado pelo motor econômico da Europa, a Alemanha, para que fosse fechado antes do final de sua presidência rotativa da UE em 31 de dezembro.

"A liderança da China não reconhece o uso do trabalho forçado, então são apenas palavras", afirmou o eurodeputado francês Raphael Glucksmann à AFP.

O Parlamento Europeu, que deve finalmente aprovar qualquer acordo, condenou na semana passada a China por seu "sistema de trabalho forçado gerenciado pelo governo", dirigido a minoria uigur na província de Xinjiang.

"As histórias que saem de Xinjiang são de puro horror. Mas a história em Bruxelas é que estamos prontos para assinar um tratado de investimento com a China", escreveu o eurodeputado belga Guy Verhofstadt no Twitter.

"Nessas circunstâncias, qualquer assinatura chinesa de direitos humanos não vale o papel em que está escrita", acrescentou.

A UE intensificou sua busca por um acordo com a China nos últimos meses, apesar das preocupações generalizadas sobre o tratamento dado por Pequim aos uigures e a repressão ocorrida em Hong Kong.

O bloco destacou essas preocupações na terça-feira, exigindo que a China liberte imediatamente o jornalista Zhang Zhan, condenado a quatro anos de prisão após reportar na mídia social a pandemia do novo coronavírus, e os 12 ativistas de Hong Kong detidos no mar quando tentavam fugir do território.

- Antes de Biden?

A China ultrapassou os Estados Unidos no terceiro trimestre deste ano para se tornar o principal parceiro comercial da UE, pois a pandemia da covid-19 abalou a economia americana, enquanto a atividade chinesa já se recuperou.

O acordo, que ainda levará meses para ser finalizado e ratificado integralmente, seria um grande impulso para ambas as partes e fortaleceria os laços econômicos antes da chegada do presidente eleito dos EUA, Joe Biden, à Casa Branca.

O presidente em fim de mandato nos EUA, Donald Trump, travou uma amarga guerra comercial com a China.

A UE, por sua vez, insiste que sua abordagem mais branda em relação à China, que seus Estados membros veem como um "rival sistêmico", não prejudicará suas relações com o novo governo dos Estados Unidos.

O bloco argumenta que esse negócio ajuda a retificar o que considera um desequilíbrio de longa data na forma como Bruxelas e Pequim tratam os investidores e no acesso que eles permitem.

Ele também insiste em obter garantias da China para um problema agudo para os europeus, encerrando as obrigações de transferência de tecnologia, reforçando o respeito à propriedade intelectual, fortalecendo os compromissos ambientais de Pequim e abordando os subsídios estatais.

Embora o acordo deva abrir caminho para que as empresas da UE avancem em áreas como os setores de carros elétricos, saúde e telecomunicações da China, ele também pode abrir o mercado europeu de energia renovável para Pequim.

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